Dever de casa ou De dentro para fora
Mais uma semana começou e a tensão continua presente nas escolas. Os recentes ataques e as constantes ameaças de novos atos de violência fortalecem o sentimento de medo e insegurança. Pais, ainda resistentes, levam seus filhos à escola e exigem medidas do poder público a todo instante. É fato que essas cobranças devem ser feitas, para que o assunto não caia no esquecimento – como é de costume no Brasil – e a negligência abra portas para mais ataques. É fato também que tanto o poder público quanto o Judiciário têm suas limitações diante o caráter do cidadão nesses casos específicos, onde a maioria dos ataques é feito por alunos das escolas, e a educação e a vigilância é dever da família. “É dando que se recebe”. Esse ditado é uma das maiores verdades já ditas. Se você ensina sobre respeito, amor ao próximo, limites, respeito ao espaço do outro… É óbvio que tudo isso se refletirá em seus filhos. É impossível falar de ódio, de intolerância, de preconceitos ou praticar aos olhos das crianças, e esperar algo diferente. É dando exemplo que se faz a diferença no mundo. Afinal, o lar é a primeira referência dos pequenos aprendizes.
Cobrar do poder público é responsabilidade de todo cidadão, mas também é obrigação de cada um fazer o seu “dever de casa”. Além de se avaliar o que está reproduzindo em casa, pequenas medidas como fiscalizar mochilas, as companhias dos filhos, a vida escolar da criança e/ou adolescente, entre outras, são obrigações dos pais - e não do Estado. Afinal de contas, de que adianta policiamento, projetos de leis, câmeras de segurança e diversas outras ações para reforçar o ambiente escolar, quando esses ataques são planejados dentro das casas? Onde fica a responsabilidade dos pais? É impossível não falar de ataques às escolas, e não citar a parcela de culpa que boa parte deles têm. Quando fala-se em criação, valores e no discurso de ódio que refletiu e gerou esses ataques, automaticamente fala-se que isso veio de dentro para fora, e atingiu em cheio a sociedade, que por sinal já anda bastante adoecida. Cobrar, manifestar, exigir medidas de proteção e segurança são atos que devem, sim, ser feitos e com frequência, não somente em casos extremos, como agora. Mas, para que o cenário comece a mudar, é mais do que necessário, é urgente que cada um faça uma autoanálise, um exame de consciência e reveja o que está “jogando para o mundo” e, principalmente, vindo das crianças e adolescentes.
Apenas sentar e falar, continuar essa postura de hipocrisia, sem olhar para o que de fato tem contribuído para que essa violência aumente no âmbito escolar, definitivamente não é o caminho para a mudança. Não adianta pedir paz nas escolas, e quando chegar em casa, as palavras proferidas forem de ódio, de preconceito, de desrespeito. Não adianta cobrar, manifestar nas ruas, quando o cuidado, a atenção com filho não são feitos diariamente. Não adianta mandar o outro fazer, quando o dever de casa não é feito. A mudança começa de dentro para fora.
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
