Eduardo Azevedo apresenta projeto para voltar com setor popular sem cadeiras no Mineirão

Lucas Maciel
A construção de novas arenas pelo Brasil modernizou o futebol, trouxe mais conforto para os torcedores e atendeu a exigências de segurança e acessibilidade. No entanto, junto com os benefícios, algumas mudanças também marcaram o fim de tradições históricas dos estádios, como a chamada “geral” — um espaço mais barato e sem cadeiras, especialmente em estádios como o Mineirão. Com as reformas, muitos desses espaços deram lugar a setores uniformizados, todos com assentos fixos.
Uma lei sancionada em Minas Gerais no ano de 2021 tentou resgatar parte desse ambiente, ao permitir que até 20% da capacidade dos estádios pudesse ser destinada a setores populares sem cadeiras. A medida, porém, não se aplica aos estádios sob regime de concessão — como é o caso do Mineirão —, o que limita o alcance da norma justamente em um dos palcos mais emblemáticos do futebol mineiro.
A permanência obrigatória de cadeiras também tem trazido prejuízos financeiros aos clubes. Só em 2022, mais de 5 mil assentos foram quebrados durante jogos no Mineirão, representando um prejuízo superior a R$ 400 mil, valor arcado pelas equipes mandantes.
Para alterar esse cenário, o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL) apresentou um projeto de lei que propõe estender a possibilidade de implantação de setores sem cadeiras também aos estádios sob concessão. Se aprovada, a proposta permitirá que o estádio mais conhecido do estado, além de outras arenas gerenciadas por empresas privadas, destinem até 20% de sua capacidade a esse tipo de setor.
Entenda
O projeto de lei apresentado por Eduardo Azevedo busca alterar a legislação estadual vigente para permitir a implantação de setores populares sem cadeiras também em estádios sob regime de concessão, como é o caso do Mineirão.
A legislação atual, sancionada em 2021, autoriza a criação de áreas com torcedores em pé em até 20% da capacidade dos estádios de Minas Gerais, mas exclui os estádios com contratos de concessão ativos. O novo projeto visa corrigir essa exclusão e garantir que todos os estádios, independentemente do modelo de gestão, possam adotar esse tipo de setor.
Através das redes sociais, o parlamentar argumenta que a medida tem potencial para democratizar o acesso ao estádio, viabilizando a venda de ingressos com preços mais baixos e aumentando a capacidade de público em dias de jogos.
— O Mineirão é do torcedor e grande parte deste público deseja um setor popular, que favoreça preços de ingressos mais baixos e aumento da capacidade de público — escreveu.
O tema foi discutido em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta última quinta-feira, dia 29. A reunião contou com a presença de representantes de torcidas organizadas do Cruzeiro — clube que atualmente manda seus jogos no Mineirão —, que manifestaram apoio à proposta.
A iniciativa dos torcedores teve origem com o movimento “Amarelo sem Cadeiras”, que defende a retirada dos assentos no setor Amarelo, ou seja, atrás de um dos gols do estádio.
Custos
Eduardo Azevedo também cita estudos e dados que apontam o alto custo de manutenção das cadeiras fixas, como forma de reforçar o argumento financeiro por trás da proposta. Segundo o deputado, a implantação de setores populares sem cadeiras pode significar uma economia significativa para os clubes, além de evitar prejuízos decorrentes de vandalismo e depredação.
— Um setor sem cadeiras também representa economia de despesas, já que os gastos com manutenção de cadeiras são altos — completou.
Estudo
Apenas em 2022, clubes mineiros desembolsaram mais de R$400 mil para consertar cadeiras danificadas no Mineirão, de acordo com um balanço divulgado pelo GE, à época.
Ao longo da temporada, foram 5.513 cadeiras quebradas em 54 partidas, o que dá uma média de 102 assentos danificados por jogo. Esse número representa 11,2% da capacidade total do estádio. O clássico entre Cruzeiro e Atlético, realizado em março daquele ano, lidera a estatística negativa, com 334 cadeiras quebradas em um único jogo. Os clubes, como manda o regulamento do estádio, são responsáveis por arcar com os prejuízos sempre que são os mandantes da partida.
O impacto financeiro, no entanto, não se limita aos assentos. Considerando também a quebra de portas, fechaduras, vidros e outros danos estruturais ocorridos durante os jogos, o valor total do prejuízo chegou a R$717.174,82 naquele ano.
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