Hortigranjeiros ficam 2,8% mais baratos em abril

Jorge Guimarães
O grupo dos hortigranjeiros ficou 2,8% mais barato no mês de abril, em comparação com março, no atacado do entreposto de Contagem da CeasaMinas. A queda é positiva para os comerciantes de Divinópolis e região, já que o entreposto é o principal fornecedor de frutas, legumes e verduras para o setor local.
Mercado
A redução nos preços reflete um momento de maior oferta e estabilidade climática, o que favorece a colheita e abastecimento dos mercados. A expectativa é de que a diminuição dos custos no atacado ajude a manter os preços mais acessíveis ao consumidor final e contribua para o equilíbrio do setor hortigranjeiro nos próximos meses.
— Essa movimentação é especialmente relevante para feirantes, sacolões, supermercados e mercearias da região Centro-Oeste de Minas, que têm no entreposto de Contagem um importante ponto de abastecimento — avalia o economista Lazaro Ribeiro.
Frutas
A redução nos preços dos hortigranjeiros em abril, teve forte influência das quedas nos setores de frutas (-3,3%) e ovos (-6,3%). Os reflexos já são percebidos por comerciantes e consumidores em Divinópolis e região, principais mercados abastecidos pela central.
Entre os produtos com maior queda destacam-se o mamão-formosa (-31,2%), a melancia (-12,8%), a banana-nanica (-7%) e a laranja-pera (-4%). Já entre as poucas altas, chamam atenção a uva vitória (24%), o morango (9,8%) e a maçã brasileira (5,2%).
Para a dona de casa Luciana Almeida, que faz compras semanais em sacolões do centro de Divinópolis, a diferença é visível.
— O mamão estava muito caro no mês passado, cheguei a pagar mais de R$ 8 o quilo. Agora encontrei por menos da metade. Isso ajuda muito no orçamento de casa — comemora.
Já o comerciante Antônio Silva, que atua há 18 anos no setor de hortifrúti, destaca a importância da queda nos preços para movimentar as vendas.
— Com fruta mais barata, o cliente compra mais variedade. Isso melhora o giro no estoque e aumenta o ticket médio. O mês de abril foi positivo nesse sentido — comemora.
Contudo, nem todos os produtos seguiram essa tendência. A uva vitória, por exemplo, teve uma alta de 24%, o que exigiu ajustes no ponto de venda.
— Tivemos que reduzir a quantidade exposta e buscar alternativas, como oferecer a uva comum. O consumidor percebe o aumento e muitas vezes deixa de levar — explica Sérgio Francisco de Oliveiras, gerente de uma loja de rede de supermercado.
Hortaliças
Já no grupo das hortaliças alguns itens registraram uma leve alta de 0,6% nos preços em abril. Apesar do aumento, alguns dos produtos mais consumidos pelas famílias mineiras ficaram mais baratos, como a cenoura (-18,4%), o tomate (-11%) e o repolho-híbrido (-10,4%). Por outro lado, itens como a batata (24,4%), a alface (4%) e a cebola (4%) encareceram no período.
Para a consumidora Marlene Duarte, que costuma frequentar feiras e sacolões em Divinópolis, a redução em alguns itens essenciais trouxe alívio.
— A cenoura e o tomate são indispensáveis aqui em casa. O preço estava puxado, mas agora senti diferença. Comprei tudo fresquinho e por um valor bem melhor — disse.
Já o comerciante João Carlos Pereira, que atua há mais de 20 anos no setor hortifrutigranjeiro, destaca que o comportamento misto dos preços exige atenção na hora de negociar com fornecedores.
— A batata deu um salto e isso preocupa, porque é um produto de muita saída. Precisei segurar a margem de lucro para não assustar a clientela. Em compensação, o tomate e a cenoura ajudaram a equilibrar — analisou o comerciante.
No setor de verduras, a leve alta da alface também foi notada. Segundo a feirante Paula Mendes, a demanda continua alta, mas os custos estão mais apertados.
— A gente tenta manter o preço competitivo, mas com o aumento do fornecedor, às vezes é difícil. Mesmo assim, nossos clientes são fiéis e entendem quando há variações — pontuou Paula.
Clima
Com a melhoria das condições climáticas neste mês de maio, a expectativa é de que os preços de boa parte dos produtos hortigranjeiros se tornem mais favoráveis ao consumidor. A regularidade nas chuvas e a estabilidade nas temperaturas ajudam a melhorar a produtividade no campo, especialmente de frutas, verduras e legumes mais sensíveis.
No entanto, a chegada do frio também provoca mudanças no comportamento de compra da população. Alimentos tradicionalmente usados em pratos quentes, como mandioca, batata-baroa, quiabo e inhame, tendem a registrar aumento na demanda, o que pode impactar os preços desses itens nas próximas semanas.
— Quando começa a esfriar, os clientes procuram mais produtos para caldos, sopas e cozidos. A mandioca, por exemplo, some das prateleiras rapidinho — comenta o comerciante Hélio Andrade, proprietário de uma mercearia em Divinópolis. Segundo ele, é comum esse movimento no início do outono e ao longo do inverno, exigindo atenção ao estoque e aos fornecedores.
A consumidora Ana Paula Lacerda também confirma a mudança nos hábitos da família.
— A gente passa a preparar mais caldos e comidas quentes. Essa época é perfeita para usar inhame e baroa. Quando o preço está bom, já levo bastante para congelar — definiu Ana Paula.
O clima favorável ajuda na oferta geral, mas o consumo de alimentos típicos de inverno cresce consideravelmente. É um movimento esperado e saudável do mercado.
— Assim, o mês de maio começa com boas perspectivas para produtores, comerciantes e consumidores, que devem aproveitar os bons preços em alguns itens e se preparar para possíveis variações em produtos mais procurados nos dias frios — observa rRibeiro.
Pesquisar
Mesmo com a redução no valor de alguns produtos, o consumidor segue cada vez mais atento às promoções. Em tempos de orçamento apertado, a busca por economia ganhou ainda mais importância no dia a dia das famílias. Para muitos, pesquisar preços semanalmente deixou de ser uma simples escolha e passou a ser um hábito essencial para manter o equilíbrio financeiro.
É o caso da dona de casa Lúcia Alves Costa, que compartilha sua estratégia para driblar os altos custos e garantir alimentos de qualidade para sua família.
— Toda semana pesquiso as promoções em cada supermercado e no sacolão do meu bairro. E, no meu caso, o sacolão sai mais em conta. Vou sempre aos domingos, apesar de enfrentar fila para entrar, mas vale a pena, pois os preços são geralmente mais baixos — relata.
A atitude de Lúcia reflete o comportamento de um número crescente de consumidores, que têm adotado a comparação de preços e o aproveitamento de ofertas como ferramentas fundamentais de planejamento doméstico.
— Em um cenário econômico ainda desafiador, a atenção aos detalhes e a disposição para garimpar as melhores condições de compra fazem toda a diferença no bolso — finaliza o economista.
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