Empresariado confia na redução de juros

Jorge Guimarães
O mercado financeiro brasileiro vive dias de euforia, em meio a chamada “crise”. Na semana passada, o governo baixou a taxa da Selic e os juros despencaram nas instituições financeiras. E depois do alinhamento das questões básicas o mercado financeiro projeta que a inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), terminará 2017 em 4,71%. Para a Selic, taxa básica de juros da economia, a previsão caiu de 9,75% para 9,5% ao ano. As estimativas foram divulgadas nesta segunda-feira, no boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central (BC) com instituições financeiras. A projeção para a inflação aproxima-se do centro da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional, que é 4,5% com margem de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Mas mesmo assim, a projeção das instituições financeiras para o crescimento da economia, Produto Interno Bruto (PIB), este ano permanece em 0,50%.
Selic
No caso da Selic, o mercado continua confiante de que a taxa básica de juros cairá para um dígito ainda este ano. No início do mês, as instituições financeiras previam Selic de 10,25% ao ano ao fim de 2017. Os bancos passaram a demonstrar mais otimismo após a primeira reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Em lugar da queda de 0,5 ponto percentual projetada pelo mercado, o Copom reduziu a Selic em 0,75 ponto percentual, para 13% ao ano.
Euforia
E toda essa euforia esta contagiando também o empresariado, que vê possibilidades maiores de manter estratégias dentro de uma nova possível realidade de juros, que deve aquecer o mercado consumidor. Para o economista Leandro Maia, esta cadeia evolutiva só trás benefícios para todos os segmentos.
— Se os números baterem ao final de 2017, significará que estamos no caminho certo. Com inflação sob controle e juros baixos a tendência é que o consumidor volte às compras, dando o start para toda uma cadeia evolutiva da economia. Apesar de que, o consumidor ainda está cauteloso quanto à situação, acreditando que as previsões devem se firmar ao longo do ano. Assim, estaremos prontos para seguirmos em frente em 2018 —analisa o economista.
Consumidor
E para aumentar ainda mais os pensamentos positivos dos consumidores sobre a desaceleração da inflação, a Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgou ontem pesquisa que mostra que eles estão cada vez mais otimistas com o custo de vida para os próximos 12 meses.
— Vamos torcer para que tudo dê certo, pois assim poderemos voltar aos tempos de consumo. Lá em casa ainda estamos na mesma, só compramos o necessário e dentro de um limite e sem usar cartão de crédito. Temos que aguardar, quem sabe, a partir do segundo semestre as coisas realmente melhorem — disse o comerciário Euclides Pereira.
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