Cesta básica em Divinópolis acumula alta de 9,5% em um ano

Da Redação
O custo médio da cesta básica de alimentos em Divinópolis atingiu R$ 676,61 em fevereiro de 2025, registrando um aumento de 1,12% em relação ao mês anterior, quando o valor era de R$ 669,12. Os dados são de pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômico-sociais (Nepes), da Faculdade Una Divinópolis.
Itens essenciais
O levantamento considera os preços de produtos essenciais para a alimentação, refletindo a variação de custos que impacta diretamente o orçamento das famílias divinopolitanas.
— A alta pode estar relacionada a fatores como oscilações sazonais nos preços dos alimentos, custos logísticos e dinâmica da oferta e demanda no mercado — avalia o economista Lazaro Ribeiro.
Redução
Em fevereiro de 2025, o preço da carne bovina, chã de dentro e chã de fora, apresentou uma redução de 3,05%, conforme indicado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O item, que representa 39,05% da composição do conjunto de alimentos, foi influenciado pela maior oferta de animais para abate e também pela pressão exercida pelos frigoríficos.
A queda no valor da carne contribui para aliviar parte do impacto da alta da cesta básica no mês, proporcionando um pequeno intervalo ao consumidor. Ainda assim, o custo geral da alimentação segue em tendência de aumento, conforme indicam os dados do Nepes.
— O comportamento dos preços da carne reflete a dinâmica do mercado pecuário, que pode sofrer variações ao longo do ano, influenciado por fatores como demanda interna, exportações e condições climáticas que afetam a oferta de gado — pontua o economista.
Entre janeiro e fevereiro de 2025, além da carne, três dos 13 produtos que compõem a cesta tiveram queda nos preços médios.
— Sendo eles o óleo de soja (-7,56%), arroz (-5,64%) e pão francês (-2,10%). No caso do óleo de soja, o avanço da colheita da safra 2024/2025 resultou em queda na cotação da soja e derivados — explicou o coordenador do Nepes, professor Wagner Almeida.
Altas
Já as elevações foram registradas nos valores da banana (23,21%), leite (9,35%), café (7,64%), tomate (1,33%), farinha (1,24%), açúcar (1,05%), manteiga (0,16%), feijão (0,09%) e batata (0,06%).
— Sobre a alta no preço do café, os baixos estoques, consequência da menor produção de café no Brasil e no Vietnã, e a firme demanda internacional pressionaram os preços do grão (Dieese, 2025) — acrescentou Wagner.
Comparação
A comparação entre os valores da cesta básica em Divinópolis revelou um aumento de 9,5% entre fevereiro de 2024 e fevereiro de 2025. Já na análise do período de 12 meses, considerando março de 2024 a fevereiro de 2025, o custo da cesta básica apresentou alta de 8,3%.
— Os dados refletem o impacto da inflação sobre os alimentos essenciais. O aumento contínuo da cesta básica reforça os desafios enfrentados pelos consumidores, que precisam adaptar o orçamento diante da elevação dos preços. O acompanhamento desses indicadores permite avaliar o comportamento do custo de vida na cidade e auxiliar consumidores e comerciantes no planejamento financeiro — aponta Ribeiro.
Pesquisa
A pesquisa foi realizada entre os dias 21 e 26 de fevereiro de 2025 com o levantamento de preços em sete supermercados de Divinópolis, os quais possuem em sua estrutura açougue, padaria e hortifruti. Este kit, chamado Cesta Básica de Alimentos, composta por 13 produtos alimentícios, seria suficiente para o sustento e bem-estar de um trabalhador em idade adulta, durante um mês, contendo quantidades balanceadas de todos os nutrientes necessários à manutenção da saúde.
Salário mínimo
O trabalhador remunerado com um salário mínimo nacional precisa destinar, em média, 48,2% de sua renda líquida para a compra da cesta básica em fevereiro de 2025. O percentual representa um aumento em relação a janeiro, quando o comprometimento foi de 47,7%. O cálculo considera o salário mínimo após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social.
O avanço na participação da cesta básica sobre a renda reflete a alta no custo dos alimentos essenciais, o que impacta diretamente o poder de compra dos trabalhadores.
— Com a elevação dos preços, as famílias que dependem do salário enfrentam inúmeras dificuldade para equilibrar o orçamento e custear outras despesas, como moradia, transporte e saúde — define o economista.
Alternativas
A escalada dos preços provocou mudanças significativas nos hábitos de consumo da população, especialmente entre as famílias de baixa e média renda. Diante da alta dos alimentos, muitos consumidores buscam alternativas para equilibrar o orçamento, abrindo mão de produtos que antes faziam parte de seu cotidiano.
— Cortes de carne considerados de melhor qualidade, por exemplo, passaram a ser vistos como itens de luxo, sendo substituídos por opções mais acessíveis, como carnes processadas, enlatadas e até alternativas vegetarianas. Essa adaptação reflete não apenas uma mudança de hábito, mas uma necessidade imposta pelo cenário econômico — finaliza Ribeiro.
Mudança de hábito
O impacto da alta dos preços não se limita apenas à alimentação, mas também altera as escolhas dos consumidores em diversas categorias de produtos. Um reflexo claro desse cenário é a substituição de alimentos frescos, como frutas e vegetais, por opções industrializadas, que possuem maior validade e, muitas vezes, um custo menor. Essa mudança, embora possa parecer prática no curto prazo, pode ter implicações na qualidade nutricional das refeições, já que muitos produtos processados possuem conservantes.
Outro efeito dessa readequação do consumo é no setor de higiene e limpeza. Marcas tradicionais, antes predominantes nas compras das famílias, vêm perdendo espaço para alternativas mais baratas, muitas vezes de marcas menos conhecidas. Esse comportamento reforça a busca dos consumidores pelo melhor custo-benefício, priorizando produtos que ofereçam um equilíbrio entre qualidade
Diante desse contexto, especialistas apontam que a tendência é de que os hábitos de compra continuem sendo ajustados enquanto o cenário econômico permanece desafiador.
— O que a gente nota é que há uma mudança de hábito entre os consumidores. Muitos optando por produtos de menor custo para manter o poder de compra. Isso vale para alimentos, itens de higiene e limpeza, entre outros. Com isso, empresas e comerciantes precisam estar atentos às novas demandas do mercado para oferecer soluções que atendam ao consumidor sem comprometer a qualidade dos produtos — exemplifica o gerente de loja de supermercados, Sérgio Antônio de Oliveira.
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