Entrega do Hospital Regional gera embate entre lideranças políticas da cidade

Da Redação
A entrega oficial do imóvel do Hospital Regional de Divinópolis reacendeu o debate político entre lideranças com vínculos diretos com a cidade. A cerimônia realizada na terça-feira, 10, que marcou a transferência da unidade para gestão federal, foi seguida por manifestações públicas com críticas à condução do processo e respostas de aliados do governo estadual e municipal.
Críticas da oposição
A deputada estadual Lohanna França (PV) destacou a conclusão da obra física, mas enfatizou que o hospital ainda não está pronto para operar.
— A obra do nosso Hospital Regional de Divinópolis finalmente foi entregue. Isso não quer dizer que o hospital está pronto para funcionar. Ainda existem etapas burocráticas para serem vencidas ainda — destacou.
A parlamentar cobrou agilidade na assinatura da escritura do terreno e fez um apelo ao governo estadual.
— Assina logo, governador. Não gaste o prazo todo. Você tem a oportunidade de colocar seu nome na história como alguém que deixou as questões políticas de lado e concentrar naquelas que realmente mudam a vida das pessoas — completou.
Horas depois do vídeo, o governador Romeu Zema (Novo) assinou o documento de formalização do imóvel.
Fortes aspas
Críticas contundentes também vieram da secretária nacional de Finanças do PT, Gleide Andrade, que questionou em publicação nas redes sociais a entrega da estrutura sem funcionamento imediato.
— Inauguração fake? Temos! Zema levou quase dois governos para entregar só a obra física do Hospital Regional. Sem médico, sem equipamento. Prédio vazio não cura ninguém. Se isso aqui funcionar, será graças ao esforço de muitos e aos recursos do Governo Lula. Menos marketing, governador — disparou Gleide.
Saída em defesa
Em contraponto, o prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Novo), defendeu que a cerimônia marcou o encerramento das etapas sob responsabilidade municipal e estadual.
— Temos que deixar claro que isso aqui não é uma inauguração. A partir de agora está executando e colocando o hospital totalmente pronto. Está tudo pronto. Agora só depende do Governo Federal — disse o prefeito.
Mudança de responsabilidade
Ele ressaltou que o município cumpriu as exigências necessárias para viabilizar o projeto e demonstrou confiança no início das atividades.
— Tenho certeza de que eles vão executar, sim. Tenho convicção de que, mais ou menos no meio do ano, isso já estará funcionando. Ainda não em 100%, mas em torno de 30% a 40% — ressaltou.
O deputado federal Eduardo Azevedo (PL) também se posicionou sobre o processo de conclusão do hospital e destacou a participação de lideranças regionais.
— Tivemos deputados, lideranças e o governo trabalhando para pegar o recurso e executar a obra. Agora o hospital está totalmente pronto e isso mostra o esforço conjunto para entregar essa estrutura para a população — afirmou o deputado.
O deputado federal Domingos Sávio (PL) também relembrou a trajetória da obra, destacou os recursos já investidos ao longo dos anos e reforçou o compromisso com a abertura da unidade.
— Eu nunca parei de lutar por essa obra, nunca desisti dela. Agora precisamos garantir orçamento federal para que o hospital funcione de portas abertas, atendendo a demanda do SUS. Estou à disposição para ajudar a aprovar suplementação orçamentária — destacou.
Expectativas de funcionamento
Apesar das divergências políticas, há convergência quanto à relevância estratégica da unidade para a saúde pública regional. O hospital, anunciado em 2009 e marcado por anos de paralisação, passa a ser administrado pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), por meio da Ebserh, com previsão de início gradual dos atendimentos até o fim do primeiro semestre de 2026.
Enquanto o funcionamento não começa, a repercussão política da entrega evidencia como o Hospital Regional permanece no centro do debate público em Divinópolis — tanto como promessa de avanço na assistência à saúde quanto como tema de disputa narrativa entre representantes locais.
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