Escolas municipais passar a ter vigias para aumentar segurança

Bruno Bueno
Os atentados ocorridos em escolas de Santa Catarina e São Paulo nas últimas semanas acenderam a preocupação de pais e responsáveis em todo país. O medo de novos ataques também trouxe insegurança para os alunos.
Os últimos dias em Divinópolis têm sido marcados por reuniões, muita ansiedade e preocupação. O aumento da cobrança junto à Prefeitura, principalmente por parte dos vereadores, foi imediata e parece ter surtido efeito. De acordo com a secretária de Educação, Andreia Dimas, o Executivo contratou uma empresa para realizar serviços de segurança nas escolas municipais. Um vigia será designado para cada unidade. A medida também inclui os CMEIs.
Detalhes
A secretária destaca a importância da medida e revelou detalhes sobre o processo de contratação. Ela explica que todas as 52 escolas municipais da cidade irão receber um profissional capacitado que será responsável pela segurança.
A empresa contratada é a Segpro, mais conhecida como Maxvel, com sede na cidade e escolhida em regime de menor valor. O gasto estimado é de R$ 4.832,17 por cada vigia, ou cerca de R$ 251 mil por mês. Os profissionais já começam a trabalhar hoje.
Necessidade
Andreia Dimas relata que o setor já tinha a intenção de implementar os vigias nas escolas, e os atentados nacionais aceleraram o processo.
— As nossas unidades escolares estão com uma necessidade de um profissional vigia, principalmente nos horários de entrada e saída das crianças. Diante de todo esse cenário nacional, essa necessidade se tornou latente — explica.
A expectativa é que os vigias continuem nas escolas mesmo após o fim do período emergencial.
— Realizamos uma contratação emergencial, que pode durar, pela legislação, de 30 a 120 dias. Durante este tempo, iremos realizar outro processo formal para realizar esse trabalho de forma contínua — acrescenta a secretária.
Restrições
Algumas restrições foram implementadas pela Secretaria Municipal de Educação (Semed) para aumentar a segurança.
— Amanhã os vigias já começam a chegar nas escolas e até quinta-feira todas já estarão com profissionais. Esse funcionário é treinado pela empresa para fazer a segurança, olhar a entrada e saída. Ninguém entra nas escolas, nem mesmo os familiares, sem autorização da comunidade escolar — pontua a secretária.
A exemplo do Estado, conforme determinação do governador Romeu Zema (Novo), apenas servidores e demais trabalhadores das unidades escolares têm livre acesso às unidades escolares. A Prefeitura anunciou a criação de um cadastramento da equipe escolar para controlar a entrada.
— Os servidores devem realizar um cadastro e serão identificados através de crachá eletrônico. O cadastro para emissão deverá ser feito através deste link http://servicos.prefeituradivinopolis.com.br/portal/servicos/cracha/ — explicou a Prefeitura de Divinópolis em nota.
Manifestação?
Antes do anúncio, pais e responsáveis articularam uma manifestação para a tarde de hoje na porta da Câmara. O objetivo é cobrar a contratação dos profissionais nas escolas. Após a medida da Prefeitura, os organizadores ainda não se pronunciaram se a decisão afetará o encontro.
— A manifestação será na terça-feira, 18 de abril, às 14 horas, na Câmara Municipal de Divinópolis. (...) É uma manifestação pacífica, cobrando da atual Administração uma segurança mais efetiva para nossos filhos. Convocamos todos que estão se sentindo inseguros a lutar por nossos filhos e filhas – disse uma das mães antes do anúncio.
O vereador Roger Viegas (Republicanos) é um dos principais adeptos à causa. O parlamentar anunciou seu apoio ao ato.
— É uma manifestação legítima. Não é um ato contra a Prefeitura ou contra a gestão, mas é um ato de pedido de socorro para que o Executivo tenha um olhar carinhoso com tudo isso que vem acontecendo — disse.
Roger argumenta que exemplos fora e dentro de Divinópolis indicam a necessidade do aumento da segurança nas escolas.
— Vale lembrar que na última sexta um pai entrou em uma escola e ameaçou o diretor. (...) E se não ficasse só na ameaça? A PM acabou agindo, mas se algo tivesse acontecido? Fica a reflexão — acrescentou.
Operação
Ainda dentro das medidas preventivas, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) deflagrou a operação “Escola Segura”. O objetivo é manter a segurança no ambiente escolar. Ações preventivas, como palestras nas escolas e reuniões com órgãos de segurança e Justiça, estão sendo realizadas.
— Também são adotadas medidas de investigação criminal, com identificação de suspeitos e indiciamento daqueles que estão compartilhando mensagens inverídicas nas redes sociais, na tentativa de propagar a sensação de insegurança. Vale destacar que a PCMG monitora redes sociais continuamente para garantir a antecipação a possíveis planos de ataques — ressalta a PCMG em nota.
A chefe da Polícia Civil de Minas Gerais, delegada Letícia Baptista Gamboge Reis, afirma que o momento é de união de esforços.
— Recomendamos que o cidadão não compartilhe quaisquer mensagens com conteúdo de violência ou de ameaças, e busque trabalhar em conjunto com a Polícia Civil no sentido de termos um ambiente com mais sensação de segurança e tranquilidade — orienta.
Propagar vídeos de ameaças a ataques nas escolas configura crime, de acordo com o artigo 41 da Lei das Contravenções Penais.
Orientações
A corporação também divulgou orientações sobre o que fazer em situações de possíveis ataques em escolas de Minas Gerais
— Em caso de ameaças direcionadas a pessoas específicas ou instituições públicas e/ou privadas, como as unidades de ensino, a PCMG orienta que as vítimas ameaçadas compareçam à unidade policial mais próxima de sua residência para o devido registro dos fatos e demais orientações de segurança — orientou.
Polícia Militar
A Polícia Militar (PM) já havia lançado, no último dia 10, a operação “Proteção Escolar”. O objetivo, conforme a corporação, é aumentar a segurança nos ambientes escolares. Toda escola do estado receberá visitas de equipes de militares, a chamada “Patrulha Escolar”.
Em Divinópolis, o lançamento ocorreu na porta da Escola Estadual Padre Matias Lobato, na Praça do Santuário.
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