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Educação

Escolas têm até 18 de julho para votar adesão ao modelo cívico-militar

Por Bruno
Escolas têm até 18 de julho para votar adesão ao modelo cívico-militar

Lucas Maciel

Com prazo apertado para decisão, o futuro do modelo cívico-militar em escolas estaduais de Divinópolis começou a ser debatido oficialmente na noite da última terça-feira, 8, com uma audiência pública, realizada na Câmara Municipal, que discutiu a possível implantação do programa nas unidades estaduais pré-selecionadas - em Divinópolis, 13 estão na lista. O modelo é defendido pelo governador Romeu Zema como uma alternativa para melhorar a disciplina, a segurança e o desempenho educacional.

Mesmo antes da audiência, o tema já gerava debates acalorados entre diferentes setores da sociedade. Políticos de variadas correntes expressaram seus posicionamentos em redes sociais, dividindo opiniões sobre os benefícios e os riscos do programa. Até mesmo o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) se manifestou e reforçou a posição contrária, argumentando que a militarização não soluciona os problemas estruturais da educação e pode prejudicar a autonomia das escolas e dos profissionais.

O prazo para que as escolas e suas comunidades decidam se aderem ou não ao modelo cívico-militar vai até o dia 18 de julho. Até lá, as unidades pré-selecionadas devem promover assembleias para que pais, alunos, professores e funcionários possam votar e opinar sobre o futuro das escolas. 

Debate

A audiência pública marcou o início oficial do debate sobre a implantação do programa do em Divinópolis. O encontro contou com a participação de vereadores, representantes da educação, militares da reserva, membros da comunidade escolar, além de autoridades estaduais e convidados de cidades vizinhas.

Durante a sessão, foram apresentadas informações sobre o funcionamento do programa e seu histórico em outras regiões de Minas Gerais, com destaque para o aumento nos índices educacionais em unidades que já adotaram o programa. 

Em entrevista ao Agora, o vereador Matheus Dias (Avante), responsável pelo pedido da audiência, comentou sobre a necessidade de discussão do tema no plenário. 

— O motivo de convocar a população para a Câmara, a “Casa do Povo”, é esclarecer de forma honesta, séria e com compromisso, o que é essa possível adesão à escola cívico militar — explicou. 

O vereador também defendeu o modelo e a implantação dele no município.

— Hoje nós vivemos um momento de violência dentro das escolas, hoje [terça-feira] mesmo tivemos um caso de uma adolescente que entrou na escola, matou um aluno e feriu outro. Será que se tivéssemos a presença de um militar dentro da escola, este adolescente faria isso? — questionou Dias.

O subtenente Jonathan Pedro de Oliveira, do Tiro de Guerra local, também defendeu a iniciativa durante a audiência, ressaltando a importância da disciplina, do respeito e dos valores cívicos para os estudantes.

— Muitos dos jovens estão perdendo os valores da nossa Pátria, não sabem a fundo a história da cidade e do Brasil, não sabem cantar o Hino Nacional, e não praticam a fundo o respeito, a hierarquia e a disciplina. Por isso, vejo a implantação deste sistema cívico-militar nas escolas de Divinópolis como um grande benefício à população — opinou. 

Por outro lado, representantes da área da educação expuseram preocupações quanto ao prazo curto para discussão e decisão sobre a adesão ao programa, bem como questionaram a legalidade e o impacto do modelo nas escolas públicas. 

Professora da rede estadual há mais de 25 anos, Sidneia Hermes conversou com o Agora e criticou a proposta. Para ela, a implantação das escolas cívico-militares representa um desvio das prioridades educacionais

— Eu posso te garantir que essa não é a solução. O que nós precisamos é de investimento  na educação. Nós temos uma lei de alguns anos atrás que permite a presença de assistentes sociais e psicólogos dentro da escola que nunca foi cumprida — lembrou. 

O debate ainda contou com manifestações de vereadores de diferentes partidos, que trouxeram opiniões favoráveis e contrárias, refletindo a divisão que o tema provoca na sociedade local. 

Ampliação?

Através das redes sociais, o prefeito Gleidson Azevedo (Novo) declarou apoio à implantação do programa e criticou políticos que são contrários a medida.  

— Pasmem, tem político que é contra. Eles estão fazendo uma audiência pública para discutir se ‘sim’ ou se ‘não’, é claro que tem que ter! — afirmou. 

O prefeito foi além e destacou que é favorável a ampliação do modelo. 

— Eu estou pedindo aqui ao Zema que se ele quiser fazer um projeto piloto dentro das escolas municipais, a Prefeitura está à disposição — propôs. 

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