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Política

Espino se defende contra pedido de cassação: ‘não é assunto do parlamento’

Por Portal Agora

 

Bruno Bueno

O vereador Diego Espino (PSC) enfrenta mais uma denúncia de infração político-administrativa com pedido de cassação de mandato. A admissibilidade será votada na próxima terça, 11, na Câmara. A ação parte de um cidadão natural de São Gotardo. Ele acusa o vereador de constrangimento e ameaça de morte.

Ao Agora, o parlamentar rebateu as acusações e disse que o assunto é de cunho pessoal e não deve ser tratado pela Câmara. Ele também reiterou que ações do seu mandato, como conquista de emendas e busca de empresas com geração de empregos para Divinópolis, são ocultadas por situações difamatórias.

 

Denúncia

 

De acordo com o denunciante, Espino teria atacado a prefeita de São Gotardo, Denise Abadia (PV), por conta de um decreto publicado sobre o horário de funcionamento no comércio do município devido ao aumento de ocorrências policiais. 

O vereador argumenta que recebeu ligações de pessoas que trabalham no comércio de São Gotardo solicitando que ele pedisse a exclusão do decreto. Espino afirma ter pedido “gentilmente” a mudança, sob alegação de prejuízo aos comerciantes da cidade, incluindo sua noiva, que tem uma loja no município.

— Eu tentei entrar em contato com a prefeita três vezes via WhatsApp e não recebi nenhum retorno. Aí fiz um vídeo que viralizou no sábado. Na segunda, a Câmara Municipal de São Gotardo extinguiu o decreto da prefeita — explica.

A discussão nas redes sociais começou naquele momento. Júnio César de Oliveira, o denunciante do caso, rebateu o parlamentar e defendeu o decreto. Espino alega que o homem o ofendeu.

— Esse cidadão começou a enviar mensagens me denegrindo na cidade inteira, ofendendo a minha honra. Eu enviei uma mensagem de grupo no telefone dele. Enfim, sem querer denegrir, foi um erro de mensagem — afirma.

 

Acusação

 

O “erro de mensagem”, alegado por Espino, é, segundo o denunciante, uma ameaça feita pelo vereador. Júnio César acusa o parlamentar de encaminhar um vídeo “assustador e sangrento” para intimidá-lo. As imagens, segundo o acusador, mostram um jovem sendo assassinado com vários tiros na cabeça. Documentos foram anexados à denúncia.

Júnio ainda acusa Espino de apagar os comentários no perfil administrado, conforme a denúncia, pela noiva do vereador, que é proprietária de uma franquia de loja de chocolates na cidade. 

 

Questão pessoal

 

Diego Espino acredita que o teor da denúncia não tem parâmetro legal para ser analisado pelo plenário da Câmara.

— Eu vou provocar exatamente sobre essa questão. Isso não cabe cassação. É uma questão pessoal, não é assunto do parlamento. É um problema pessoal — completa.

Essa é a segunda denúncia de infração político-administrativa protocolada contra Diego Espino. No ano passado, seu colega de Câmara, vereador Flávio Marra (Patriota), pediu a cassação de seu mandato. O documento terminou arquivado.

 

Como vai funcionar?

 

Agora os vereadores analisam a denúncia e votam se ela deve ou não ser investigada na Câmara. Diego Espino não vota. Seu suplente imediato, o advogado Eduardo Augusto, foi convocado e estará presente na reunião de terça-feira.

O presidente da Câmara Municipal de Divinópolis, Eduardo Print Júnior (PSDB), deu mais detalhes sobre o caso.

— O Plenário é soberano. Eu vou colocar para discussão e os vereadores que vão analisar se cabe abrir o processo contra o vereador ou não. O primeiro trâmite é a leitura e a votação — explica.

Print ainda disse não querer influenciar na votação, mas afirma já ter seu voto: “Prefiro não comentar, porém meu pensamento já está alinhado”.



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