Estudos apresentam estratégias para alavancar o polo calçadista

Jorge Guimarães
O Sebrae Minas e o Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Calçados de Nova Serrana (Sindinova) revelaram na semana passada, os resultados de um diagnóstico abrangente realizado com 19 empresas do polo calçadista local. Esse estudo detalhado não apenas identificou os principais desafios enfrentados pelas empresas, mas também delineou medidas estratégicas que poderão orientar o reposicionamento das marcas a médio e longo prazo.
A parceria entre as duas entidades evidencia um compromisso conjunto em fortalecer e desenvolver o setor calçadista de Nova Serrana. Com base nos dados coletados, foram propostas iniciativas que visam não apenas a superação das dificuldades atuais, mas também o aproveitamento de oportunidades emergentes no mercado.
Objetivo
O objetivo do diagnóstico é identificar soluções e perspectivas para consolidar Nova Serrana como um polo de referência em inovação e competitividade no setor calçadista, principalmente, em relação à concorrência com os produtos chineses. Entre as iniciativas sugeridas para apoiar o desenvolvimento do polo, nos próximos anos, estão estratégias para ampliar a conexão com os consumidores, a diferenciação dos produtos, aprimoramento do design e formação de preços mais competitivos.
— O diagnóstico propõe uma atenção maior às tendências globais, principalmente, em relação ao comportamento do consumidor, que está cada vez mais exigente e informado. As pessoas querem saber de onde vem e a história por trás daquele produto. Por isso, é tão importante trabalhar a identidade do polo calçadista, para que as empresas construam uma marca conectada com o mercado — explica o consultor e coordenador do estudo encomendado pelo Sebrae Minas, Carlos Tarrazón.
Mercado externo
Outro ponto levantado foi a participação no mercado externo. Muitas empresas do polo já estão estruturadas e com um nível avançado de maturidade, e poderiam ser estimuladas para aumentar suas exportações, inclusive para outros países além da América Latina.
A partir dessas análises, o diagnóstico, realizado em outubro de 2023 com os empresários do polo calçadistas, sugere atuação em frentes de trabalho como :
Moda rápida: desenvolvimento de produto com foco na captação de tendências internacionais, otimização da produção, desenvolvimento de semi marca, com presença digital e relacionamento com o cliente final;
Identidade de marca: construção da marca, plano de marketing, venda online e execução de ações de marketing;
Ações transversais: inovação na economia circular, Rodada de Negócios e participação em eventos do setor.
Ao focar no reposicionamento estratégico das marcas participantes, o diagnóstico não só oferece uma visão clara do panorama atual do setor, mas também abre caminho para a implementação de ações que promovam a competitividade e a sustentabilidade das empresas de calçados da região.
— Essas medidas estratégicas são fundamentais para garantir a adaptação às mudanças do mercado e para promover um crescimento sustentável a longo prazo. Em resumo, a apresentação dos resultados do diagnóstico representa um marco importante na colaboração entre instituições e empresas locais, buscando fortalecer a economia regional e posicionar o polo calçadista de Nova Serrana de forma estratégica no cenário nacional e internacional — avalia o economista, Lazaro Ribeiro.
Mudanças de mercado
Durante a apresentação do diagnóstico, o diretor técnico do Sebrae Minas, Douglas Cabido destacou a importância de percepção sobre as mudanças do mercado para o futuro do polo calçadista.
— A estratégia de reposicionamento no mercado estimula a criação de iniciativas inovadoras e, principalmente, incentiva a qualificação dos empreendedores do polo calçadista de Nova Serrana para que se tornem mais competitivos no mercado — destaca Cabido.
Principais desafios
Além de identificar oportunidades promissoras, o estudo recente também destacou os principais desafios enfrentados pelo polo. Entre as questões críticas mencionadas estão a escassez de mão de obra qualificada, os elevados custos associados à automatização de processos e à adoção de novas tecnologias, bem como a persistente informalidade no setor. Os especialistas também observaram atentamente as novas demandas dos consumidores, que impõem requisitos cada vez mais rigorosos em termos de qualidade, sustentabilidade e inovação. Além disso, as complexidades da tributação e a intensa concorrência advinda do mercado chinês foram identificadas como fatores significativos que afetam a competitividade das empresas locais.
— Diante desses desafios, torna-se evidente a necessidade de estratégias robustas e adaptativas que não apenas enfrentem essas questões de frente, mas também capacitem as empresas de Nova Serrana a se destacarem em um ambiente globalizado e dinâmico — define o economista.
Ações
As ações seriam lideradas pela Sindinova, com o apoio do Sebrae Minas, Fiemg, Prefeitura Municipal e Governo do Estado. O presidente do Sindinova, Ronaldo Lacerda, reforça que com o diagnóstico em mãos, os próximos passos será formar um grupo de trabalho para avaliar a viabilidade das sugestões apontadas.
— A partir dessas informações, vamos direcionar nossas ações e criar um projeto coletivo para ampliar nossa participação no mercado para nos tornarmos mais competitivos — afirma Lacerda.
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