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Saúde

Família autoriza doação de órgãos de paciente do HSJD

Por Portal Agora
Família autoriza doação de  órgãos de paciente do HSJD

 Rafael Camargos

Uma realidade que muitos brasileiros enfrentam com dificuldade: O transplante de órgãos. Pessoas esperam anos por um doador, e o número aumenta diariamente nas filas do Sistema Único de Saúde (SUS) ou em clinicas particulares. Ontem, 25, o MGTransplantes esteve em Divinópolis para recolher uma doação no Hospital São João de Deus (HSJD). Três profissionais, sendo dois médicos e uma enfermeira estiveram na cidade para a retirada de órgãos de um paciente de 38 anos que morreu na unidade.  A entrega do material ocorreu depois que a família foi orientada pela equipe sobre o procedimento e autorizou a doação.  De acordo com a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) do HSJD, após proceder com todo o protocolo para captação dos órgãos, o MG Transplantes foi acionado e seguiu até o bloco cirúrgico para a retirada do fígado e rins. Também foi realizada a doação de córneas, de outra paciente, retiradas pela equipe de enucleação do próprio São João de Deus. Os órgãos serão destinados aos potenciais receptores, conforme fila de espera.

 Números

 Atualmente em Divinópolis, 295 pessoas fazem tratamento de hemodiálise no HSJD, outros 70 fazem diálise por convênio ou SUS.

Em todo estado, a fila de espera é grande. Dados atuais mostram que os órgãos mais em que mais os pacientes necessitam em Minas Gerais são: Rim (2.294), seguido de córneas (712), pâncreas (51), fígado (47), coração (27), rim/pâncreas (1). Pelos números do Hemocentro de Divinópolis, boa parte  dos doentes renais, aguarda por um transplante. Num total de 3.112 pessoas.

— É alarmante o número de pessoas que precisam de um órgão. Trabalhamos com resultados, e o baixo índice tem a ver com a falta de informação que a sociedade tem sobre o fato — disse a assessoria do MGTransplantes por telefone.

Como doar órgãos

De acordo com o MGTransplantes que realiza a regulação das captações de órgãos e tecidos no estado de Minas Gerais, o processo se dá com a constatação da morte do paciente, que pode ser por parada cardiorespiratória (captação apenas das córneas que vão para dois receptores diferenciados) ou por morte encefálica (possibilidade de captar coração, fígado, pâncreas, rim, rim/pâncreas e córneas). Isso em Minas Gerais, pois em outros estados brasileiros há captações de pulmões, pele e ossos.

A morte encefálica é constatada após uma bateria de exames feita por médicos, inclusive por neurologista, obrigatoriamente. Se não houver nenhum tipo de atividade cerebral, será questão de horas para que o coração também pare. É nesse período, quando o cérebro já deixou de funcionar e o coração ainda bate, que as doações precisam ser feitas, porque o órgão tem de ser retirados enquanto há circulação sanguínea.

— O coração batendo não significa que o paciente esteja vivo — afirmam os especialistas.

De acordo com as leis 9.434/97 e 10.211/01 a doação de órgãos só pode ser efetivada mediante autorização familiar (parente de 1º e 2º grau): pais, filhos, irmãos, avós, netos e cônjuge oficial.

Dificuldades 

Segundo ainda o MGTransplantes, as principais dificuldades encontradas no processo de doação são: aspectos culturais e religiosos, falta de conhecimento, de documentação que identifique o paciente, responsável e testemunhas, negação ou não compreensão do diagnóstico, qualidade do atendimento hospitalar e desconhecimento sobre o desejo do paciente. 

 — É muito importante que o futuro doador manifeste em vida a sua intenção de ser um doador junto aos seus parentes. Apesar de todas as campanhas de esclarecimento, ainda há muita desinformação sobre o assunto, o que impede que a evolução do número de transplantes seja ainda maior. O atual momento vivido pelo país, com a crise econômica, desemprego e outras mazelas socioeconômicas pode estar influenciando a população, que não se sente encorajada a estimular a doação de órgãos — informou a unidade.

 

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