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Polícia

Fraude alimenta produção irregular de 3,6 milhões de pares de calçados por mês na região, diz delegado

Fraude alimenta produção irregular de 3,6 milhões de pares de calçados por mês na região, diz delegado

Bruno Bueno

Detalhes sobre a operação Resina Dura, deflagrada pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira) com apoio de diversas autoridades, foram divulgados em coletiva realizada na manhã de ontem.

Empresas de Nova Serrana e Araújos que fornecem resina para fabricação de calçados são acusadas de sonegar aproximadamente R$ 40 milhões em impostos. A investigação também inclui lavagem de dinheiro. 

De acordo um dos delegados responsáveis pelo caso, a fraude alimenta a produção irregular de 3,6 milhões de pares de calçados por mês na região.

Investigação

O  promotor Rodrigo Storino explicou o papel do Cira na investigação. 

— É formado por diversas instituições, dentre elas o Ministério Público, a Receita Estadual e a Polícia Civil. Ficamos responsáveis por investigar essa fraude — afirmou.

De acordo com o profissional, a associação criminosa se utilizou de diversas empresas de fachada e laranjas para a compra ilegal de resina em São Paulo

— A operação investiga uma fraude estruturada no setor de fornecimento de insumos calçadistas, onde a resina é trazida através de fraude tributária, como subfaturamento e emissão de notas fiscais falsas — disse.

Mandados

De acordo com o delegado de Polícia Civil, Gustavo Xavier, 14 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Nova Serrana, Araújos e duas cidades de São Paulo. A Justiça ainda sequestrou 21 veículos e 55 bens imóveis dos investigados. 

Além do crime de sonegação fiscal, os investigados podem responder por associação criminosa, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

— Foram alvo as residências dos gestores do grupo econômico que se beneficiaram da fraude e dos membros da associação criminosa, bem como as empresas utilizadas no esquema criminoso —  informou o Ministério Público (MP).

Datas

O superintendente regional da Fazenda, Eduardo Mendonça, deu detalhes sobre o início da investigação.

— O trabalho começou em 2020, quando identificamos que mercadorias estavam sendo trazidas de São Paulo sem nota fiscal — explicou.

Os R$ 40 milhões podem ser parte de um rombo ainda maior.

— O valor da fraude tributária é referente ao  período de 2017 a 2020. Novas investigações estão em andamento para os anos de 2021 e subsequentes — concluiu.

Irregular

O delegado da Receita Estadual, Montovany Faria, relatou o impacto da fraude no comércio local. 

— Essa fraude pode estar alimentando a produção irregular de 3,6 milhões de pares de calçados por mês na região — alertou.

Trabalho

Além do CIRA, a força-tarefa ainda contou com o apoio do MP, por meio do Centro de Apoio Operacional de Defesa da Ordem Econômica e Tributária (Caoet), Receita Estadual, Advocacia-Geral do Estado, Tribunal de Justiça e polícias Civil e Militar.

As investigações contaram com a participação de três promotores de Justiça, 30 auditores da Receita Estadual de Minas Gerais, dois delegados de polícia e 43 policiais civis e militares.

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