Semana violenta em Divinópolis tem homicídios e tentativa de feminicídio

Elian Ozéias
Divinópolis voltou a registrar um período marcado pela violência. Em apenas três dias, duas mortes violentas e uma tentativa de feminicídio chamaram a atenção da população e aumentaram ainda mais os números já alarmantes deste ano. Com os últimos crimes, o município chega a 30 homicídios em 2025, superando com folga os índices de todo o ano passado, quando foram registradas 23 ocorrências. Além disso, já são contabilizadas 14 tentativas de homicídio, reforçando a sensação de insegurança.
Tentativa de feminicídio
A comunidade do Choro, na zona rural de Divinópolis, foi palco de uma brutal tentativa de feminicídio, na manhã da última sexta-feira, 15. Uma mulher de 39 anos foi covardemente agredida por um homem, suspeito de ser o autor do crime, que fugiu logo em seguida.
A Central de Regulação do Samu recebeu o chamado às 11h03. A equipe de resgate encontrou a vítima inconsciente, com traumatismo cranioencefálico (TCE) gravíssimo. Após atendimento de urgência, estabilização e imobilização, ela foi encaminhada em estado crítico para a Sala Vermelha do Complexo de Saúde São João de Deus.
Enquanto a vítima recebia socorro, a Polícia Militar iniciou buscas intensas pelo suspeito. Até o fechamento desta edição, às 12h de ontem, ele ainda não havia sido localizado. A PM reforça o pedido para que qualquer informação sobre o paradeiro seja comunicada pelos telefones 190 ou 181, com garantia de sigilo.
Corpo em linha férrea
Horas depois, na noite de sexta-feira, por volta das 21h, um homicídio foi registrado, na Travessa Contorno, no bairro Alto São João de Deus. Policiais militares foram acionados após a localização de um corpo próximo à linha férrea que liga os bairros Niterói e Porto Velho, em uma área conhecida como ponto de consumo e tráfico de drogas.
A vítima, um jovem de 23 anos, foi encontrada com disparos de arma de fogo na cabeça. Segundo familiares, ele havia deixado o presídio há apenas dois dias. A companheira entregou aos militares um carregador de tornozeleira eletrônica, relatando que o rapaz não dava notícias desde a tarde anterior.
Informações preliminares apontam que o jovem teria ligação com o tráfico de drogas na região. A PM já trabalha com um suspeito, também envolvido com o crime, mas até o momento não houve prisão.
Homicídio brutal
Um crime de extrema crueldade foi registrado na rua Guarani, bairro São Luís, dois dias antes, na última quarta-feira, 13. A vítima, um jovem de 24 anos, estava em frente a uma distribuidora de bebidas quando foi surpreendido por dois homens em uma motocicleta.
O garupa desceu com uma arma em punho e tentou disparar contra o rapaz, mas a arma falhou. A vítima conseguiu correr e se abrigar em uma oficina mecânica. No entanto, os autores o perseguiram até o local. Sem conseguir fazer a arma funcionar, pegaram duas marretas que estavam no interior da oficina e desferiram golpes violentos contra a cabeça da vítima, que morreu na hora, com exposição de massa encefálica.
O Samu confirmou o óbito e a perícia da Polícia Civil recolheu munições de calibre .380 e as ferramentas usadas no crime. O corpo foi liberado para a funerária.
Segundo a PM, a vítima tinha extensa ficha criminal, com passagens por roubo, lesão corporal, adulteração de veículos e até mesmo um homicídio contra um adolescente em 2019, também no bairro São Luís.
Estatísticas em alta
Com os casos mais recentes, Divinópolis chega a 30 homicídios em 2025, além de 14 tentativas. O levantamento feito pelo Agora, mostra a disparada da violência em comparação a anos anteriores.
Evolução mês a mês (2024 x 2025):
Janeiro: 0 x 2
Fevereiro: 2 x 6
Março: 4 x 5
Abril: 1 x 2
Maio: 2 x 6
Junho: 1 x 3
Julho: 1 x 3
Agosto: 2 x 3 (parcial)
Reflexo da violência
Para especialistas, os números expõem um problema estrutural. A psicóloga Eloiza Vieira ressalta que a violência se naturalizou.
— O agressor se vê apenas como executor técnico, sem refletir sobre o impacto humano. Há uma banalização perigosa, que se soma a um sistema de justiça incapaz de acompanhar a sofisticação do crime — disse.
Já o cientista social Genival Souza Bento Júnior aponta que a exclusão social e a falta de integração entre instituições também alimentam o ciclo de homicídios:
— Esses crimes são a ponta de um problema maior, marcado pela desigualdade, pela ausência de perspectivas e pela fragilidade das engrenagens que deveriam sustentar a sociedade, como família, escola e Estado — afirmou.
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