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Economia

Gasolina sobe e diesel cai: variações impactam consumidores e transportadores

Por Bruno
Gasolina sobe e diesel cai: variações impactam consumidores e transportadores

Jorge Guimarães 

Os últimos dias foram marcados por mudanças significativas nos preços dos combustíveis no Brasil. Enquanto os consumidores enfrentaram um aumento no valor da gasolina, os transportadores receberam uma notícia mais positiva com a redução do preço do diesel.

Assim, a Petrobras anunciou, na última quinta-feira, 28, um reajuste de R$ 0,48 por litro no preço da gasolina vendida às distribuidoras. O aumento entrou em vigor na última sexta-feira, 29, e deve refletir gradualmente nos postos de combustíveis de todo o país. 

Por outro lado, a estatal divulgou, no domingo, 31, uma redução de R$ 0,35 por litro no preço do diesel em suas refinarias. A queda passou a valer a partir de segunda-feira, 1º, e representa um alívio para o setor de transporte de cargas e passageiros. Com a mudança, o preço médio de venda do diesel tipo A para as distribuidoras passou de R$ 3,65 para R$ 3,30 por litro.

Dinâmica de mercado

Segundo a Petrobras, os reajustes buscam acompanhar as condições do mercado internacional e garantir o equilíbrio econômico da companhia. A estatal afirmou ainda que continua monitorando as oscilações do petróleo e da taxa de câmbio, fatores que influenciam diretamente na composição dos preços dos combustíveis no país.

Apesar do reajuste anunciado pela Petrobras no preço da gasolina para as distribuidoras, o impacto direto para o consumidor pode ser bem menor do que o esperado. Isso porque o governo federal publicou, neste mês, um decreto que prevê uma subvenção de R$ 0,44 sobre os impostos incidentes na gasolina, medida criada para reduzir os efeitos da alta internacional do petróleo provocada pelas tensões no Oriente Médio.

Na prática, se, distribuidoras e postos de combustíveis repassarem apenas o reajuste definido pela Petrobras, o aumento final nas bombas deverá ser de apenas R$ 0,04 por litro. Considerando a mistura da gasolina A com o etanol nos postos, o resultado deve ser uma alta de R$ 0,03 por litro para o motorista. A iniciativa do governo busca evitar um impacto mais severo no bolso da população e conter possíveis reflexos na inflação, especialmente em um momento de pressão sobre os preços globais da energia.

Divinópolis

De acordo com a pesquisa mais recente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizada em Divinópolis durante a última semana, os preços da gasolina apresentaram variações consideráveis entre os postos da cidade. O levantamento foi feito em 14 estabelecimentos e apontou que o preço médio do litro da gasolina ficou em R$ 6,18.

Segundo os dados da pesquisa, o menor valor encontrado pelos consumidores foi de R$ 5,99, enquanto o maior preço registrado chegou a R$ 6,49 por litro. 

Já o levantamento realizado pela ANP aponta que o preço do óleo diesel apresentou variação significativa entre os postos pesquisados. Em nove estabelecimentos consultados, o valor médio do combustível foi encontrado a R$ 7,03 por litro. O menor preço registrado foi de R$ 6,69, enquanto o maior chegou a R$ 7,29, uma diferença de R$ 0,60 por litro. 

Fatores

De acordo com o economista Leandro Maia, as diferenças de preços da gasolina e do diesel observadas entre os postos de combustíveis são reflexo de diversos fatores que influenciam a composição do valor final repassado ao consumidor. 

Entre eles estão os custos de aquisição dos combustíveis junto às distribuidoras, despesas operacionais, logística de transporte, estratégias comerciais adotadas por cada estabelecimento e até mesmo o nível de concorrência existente em determinadas regiões.

O economista destacou ainda que o cenário internacional também exerce forte impacto sobre os combustíveis no Brasil. 

— O petróleo é uma commodity global. Quando há conflitos internacionais ou aumento da tensão geopolítica, como ocorre atualmente no Oriente Médio, o preço do barril sobe e isso acaba refletindo em toda a cadeia de combustíveis — afirmou.

Sobre a carga tributária, Maia ressaltou que os impostos continuam sendo um dos componentes mais relevantes no preço da gasolina. 

— Grande parte do valor pago pelo consumidor corresponde a tributos federais e estaduais. Qualquer alteração nesses impostos pode provocar mudanças imediatas no preço final — pontuou.

Pesquisa

O economista orienta os consumidores a pesquisarem os preços antes de abastecer, especialmente em períodos de reajuste e instabilidade no mercado de combustíveis. Segundo ele, a concorrência entre os postos pode provocar diferenças significativas nos valores cobrados, mesmo dentro de uma mesma cidade.

— A concorrência entre os postos pode gerar diferenças importantes no preço. Em muitos casos, o motorista consegue economizar apenas escolhendo melhor onde abastecer — destacou Leandro Maia.

Livre concorrência

Assim, a atenção é o ponto chave para o consumidor, pois a livre concorrência no mercado de combustíveis desempenha um papel fundamental na formação de preços e na oferta de serviços ao consumidor. Um dos aspectos mais notáveis desse cenário é a disputa entre os postos de bandeira, vinculados às grandes distribuidoras, e os postos independentes, também chamados de bandeira branca.

Os postos bandeirados costumam contar com contratos de exclusividade com distribuidoras, o que garante um abastecimento contínuo de combustíveis e, muitas vezes, programas de fidelização e diferenciais como combustíveis aditivados exclusivos. No entanto, essa relação pode limitar a flexibilidade dos vendedores na negociação de preços, já que os valores são fortemente influenciados pela política de preços das distribuidoras.

Já os postos sem bandeira têm maior autonomia para buscar fornecedores e negociar preços mais competitivos, o que pode resultar em valores mais atraentes para o consumidor. Apesar disso, a confiança dos clientes em relação à qualidade dos combustíveis pode ser um desafio, exigindo que esses postos invistam em transparência e boas práticas para garantir o crédito.

Conforme o economista, com a livre concorrência, as empresas são incentivadas a oferecer preços mais baixos para atrair clientes. 

— Isso cria um ambiente onde os consumidores podem comparar preços e escolher a opção mais vantajosa, o que pressiona as empresas a ajustarem suas estratégias de forma competitiva — pontuou o economista.

Consumidores 

O motorista de aplicativo Cézar Henrique da Costa contou que criou o hábito de comparar os preços antes de abastecer. 

— Hoje não dá para chegar ao primeiro posto e abastecer sem pesquisar. Muitas vezes encontro diferenças de até 30 centavos por litro entre bairros próximos. No fim do mês, isso faz muita diferença para quem depende do carro para trabalhar —  afirmou.

A comerciante Ana Paula Rodrigues também destacou a importância da pesquisa. 

— Eu acompanho grupos de mensagens e aplicativos que mostram os preços dos combustíveis. Já deixei de abastecer em um posto porque encontrei outro com valor bem mais em conta. É uma forma de economizar sem abrir mão da qualidade — disse.

Já a professora Fernanda Oliveira acredita que a informação é uma importante aliada do consumidor. 

— Quando a gente pesquisa, consegue identificar quem está cobrando preços mais competitivos. Isso estimula a concorrência saudável e beneficia toda a população.  Mas também não podemos esquecer de observar a procedência dos combustíveis e buscar estabelecimentos de confiança — definiu.

O empresário do setor de transportes, Ricardo Almeida, recebeu com otimismo a redução no preço do diesel e acredita que a medida pode trazer reflexos positivos para toda a cadeia produtiva.

— Qualquer redução no preço do diesel é muito bem-vinda, especialmente para as empresas que dependem do transporte rodoviário. Esperamos que esse movimento contribua para reduzir os custos logísticos e, consequentemente, beneficie também o consumidor final — destacou.

Repasse

Os postos de combustíveis tem autonomia para decidir, quando e como, vão repassar os reajustes aos consumidores. Pois, embora o repasse seja uma prática comum, a decisão final cabe a cada estabelecimento, que pode avaliar sua estratégia comercial e a concorrência local antes de definir os novos valores. 

A reportagem também ouviu um gerente de posto de combustível, que avaliou como deve ser o procedimento a partir desta semana. 

— Como o mercado é bastante competitivo vamos ver como serão as estratégias a serem aplicadas. Mas normalmente, a gente não repassa de imediato, geralmente essas alterações são repassadas a partir novas compras de combustíveis, o que deve dar um prazo de sete dias, se não acabar antes — definiu Fabricio Alexandre Fontes.

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