Hospitais públicos e particulares registram superlotação de pacientes

Bruno Bueno
Um levantamento feito pelo Agora mostra que hospitais públicos e particulares de Divinópolis registram superlotação. A análise foi feita por meio de informações fornecidas pelas assessorias da UPA, Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD), Hospital Santa Mônica, São Judas Tadeu e Santa Lúcia.
Na UPA, por exemplo, 34 pessoas aguardam transferência para outros hospitais. O principal motivo do aumento é a epidemia de dengue enfrentada na cidade.
CSSJD
A assessoria do São João de Deus informou que a enfermaria adulta do hospital na área SUS está com 100% de ocupação. A área de AVC SUS também não tem vagas disponíveis. No geral, a ocupação do SUS está em 95,24%.
O Complexo explicou que alguns leitos não podem ser destinados para outras pessoas.
— A área de pediatria, por exemplo, é destinada para crianças. Esse setor está tranquilo. Às vezes, o setor de AVC fica com 25% de ocupação, mas a gente não pode colocar outro paciente. Tem que ser alguém com a doença. Isso explica a porcentagem de 95,24% — explicou.
Santa Lúcia
O Agora conversou com uma funcionária do Hospital Santa Lúcia, que preferiu não se identificar. À reportagem, ela detalhou que a situação na unidade é preocupante.
— Nós estamos totalmente lotados, tanto no pronto atendimento, quanto na internação. Também não temos vagas no CTI. Estamos esperando os pacientes ganharem alta para colocarmos outros. A demanda está muito alta — disse.
O Hospital Santa Lúcia tem 120 leitos de internação, sendo 100 na enfermaria e 20 na UTI.
O aumento nos casos, segundo a funcionária, tem um motivo claro.
— A maioria que chega está com sintomas de dengue — relata.
São Judas Tadeu
A reportagem procurou a equipe técnica do hospital São Judas Tadeu, mas não recebeu os números da ocupação de leitos até o fechamento desta página.
Em contato com o Agora, uma funcionária da unidade confirmou que o hospital enfrenta um aumento no número de casos.
Parente de uma paciente internada na unidade, revelou à reportagem que no andar onde ela está os quartos estão todos lotados.
Santa Mônica
Em nota, a assessoria da Hapvida, empresa responsável pela gestão do Hospital Santa Mônica disse que a “companhia avalia diariamente as demandas de cada unidade para oferecer um serviço humanizado e uma assistência completa”.
Ainda ressaltou que os atendimentos seguem sendo realizados normalmente no hospital e que não há ocorrência de falta de leitos para os pacientes na cidade.
UPA
A assessoria do Instituto Brasileiro de Políticas Públicas (Ibrapp), empresa que administra a UPA Padre Roberto, informou que 34 pacientes aguardam transferência para outra unidade hospitalar.
Nesta semana, uma paciente que estava internada na UPA precisou ser transferida para Santo Antônio do Amparo, há 114 km de Divinópolis.
A UPA está com 100% de ocupação na urgência.
Ambulatório
A Prefeitura de Divinópolis informou ontem que o ambulatório da dengue já atendeu mais de 1.435 pessoas. Mais de 5 mil procedimentos foram realizados em pouco mais de um mês de funcionamento.
O ambulatório irá funcionar em outro lugar a partir de segunda-feira. Atualmente, o espaço está localizado no Centro da cidade. Na próxima semana, os pacientes devem procurar a rua Nova Serrana, nº 140, bairro Afonso Pena, próximo a unidade de Estratégia Saúde da Família (ESF).
— A mudança de local se deve ao fato de a Policlínica estar em reforma, sendo necessária a utilização do espaço, hoje ocupado pelo ambulatório, para remanejamento dos serviços de rotina da referida unidade — explicou a Prefeitura.
O ambulatório passa a atender em horário estendido, das 7 às 19h, inclusive aos finais de semana.
Custos
O ambulatório começou a funcionar no início do ano. A intenção, segundo o Município, é desafogar os postos de saúde e, principalmente, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Padre Roberto.
O espaço para atendimento aos casos suspeitos de dengue, é custeado pelo Município. Sheila explica que Divinópolis ainda não atingiu os números necessários para receber auxílio financeiro do Estado.
— A gente percebeu que as unidades de saúde, que já têm a sua rotina normal de atendimento, a mesma coisa a UPA, estavam tendo as suas rotinas intensificadas com o aumento do número de pacientes com o quadro de dengue — comenta a secretária.
Epidemia
Dados do primeiro Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa) de 2024, realizado no período de 8 a 11 de janeiro, apontam Divinópolis com “alto risco de epidemia” de dengue, conforme os parâmetros do Ministério da Saúde.
— A pesquisa foi feita em 168 bairros, com 6.070 imóveis vistoriados. O índice de infestação médio do município resultou em 8,3%.O 1º LIRAa demonstrou que 91% dos focos foram encontrados em residências e 9% em lotes vagos — explicou a Prefeitura.
Os divinopolitanos podem notificar e denunciar locais com focos e reservatório do mosquito no número (37) 3229-6823.
Números
De acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), Divinópolis tem 3.880 notificações e 2.234 casos confirmados da doença. Três registros de chikungunya também foram contabilizados.
Os números ainda apontam para 520 casos descartados, 163 hospitalizações e sete mortes em investigação. Uma morte por dengue já foi confirmada.
O Centro (225) lidera o ranking de bairros com mais notificações da doença. São José (98), Planalto (82), Tietê (68) e Porto Velho (61) seguem a lista. O posto de saúde do Catalão já atendeu 131 casos suspeitos de dengue e é o primeiro no ranking. As unidades do Ipiranga (114), Afonso Pena (83), Belvedere (61) e Ermida (61) completam o top 5.
A faixa etária de 20 a 29 anos é a que registra maior número de registros. 55% dos casos foram registrados em mulheres e 45% em homens. Os números foram atualizados no dia 12 de março.
Mutirão
Quatro bairros recebem neste sábado um mutirão de limpeza da dengue. São eles: Planalto, Santa Luzia, Tietê e Dr. Dulphe Pinto de Aguiar. A ação acontece das 8h às 12h.
— Os agentes de endemias estão panfletando os imóveis dos bairros que serão contemplados com a atividade, com intuito de orientar quais os materiais serão recolhidos pelos agentes — afirmou a Secretaria Municipal de Saúde.
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