Secretaria de Saúde já se prepara para crescimento de doenças respiratórias

Matheus Augusto
O governo de Minas já se prepara para vivenciar, ainda neste mês, uma sobreposição entre o “pior cenário da dengue” com a crescente de casos por doenças respiratórias. O alerta foi divulgado pelo secretário de Estado de Saúde (SES-MG), Fábio Baccheretti, em coletiva concedida ontem.
Segundo o chefe da pasta, já são mais de 500 mil casos prováveis de dengue no estado. O número é quase a totalidade registrada em todo o ano de 2016, considerado até então o pior período da história em relação à doença.
Além disso, são 66 mortes confirmadas - um sendo em Divinópolis -, além de 308 óbitos ainda em investigação.
O pico de casos deve continuar em março, com posterior desaceleração. A queda, no entanto, não significa alívio da pressão sobre o sistema de saúde. Conforme explicou o secretário, devido à sazonalidade, é esperado o crescimento de doenças respiratórias.
— Em termos práticos, não estamos tendo sossego e fôlego nos atendimentos de emergência — lamentou.
Com isso, a expectativa é de “sobreposição” entre a queda de casos por arboviroses e o aumento de notificações por doenças respiratórias.
— Grande pressão nessa transição de sazonalidade — avalia.
Baixa letalidade
Apesar do cenário crítico da dengue, Baccheretti enalteceu a baixa letalidade. A incidência em Minas, segundo ele, pode ser comparada à do Distrito Federal. Os dados comparativos, porém, apontam para um índice de mortes três vezes menor.
O resultado, em sua avaliação, é consequência de uma organização de atendimentos bem executada. Outro ponto considerado fundamental para esse processo é a capacitação dos profissionais em Saúde no interior.
— Dengue consideramos mortes evitáveis — ressaltou.
Baccheretti voltou a ressaltar, uma vez mais, que o combate à proliferação do mosquito Aedes aegypti é um esforço conjunto entre poder público e comunidade. Enquanto, por outro lado, cabe aos gestores oferecer um diagnóstico ágil e o tratamento adequado aos pacientes.
O 2º Dia D de combate à dengue será no próximo dia 23.
Doenças
Apesar da dengue ainda ser a principal preocupação, a SES-MG já discute as ações do plano de enfrentamento às doenças respiratórias. Dentre as medidas, as vacinações contra a influenza e a aplicação da bivalente da covid-19.
— Não teremos sossego. (…) Estamos saindo da maior epidemia de dengue para uma sazonalidade esperada — pontua.
A principal preocupação é com as crianças, mais vulneráveis a fatalidades, especialmente com o acometimento de bronquiolite.
— A pediatria vai sofrer muito em março — antecipa o secretário.
O maior período de notificações costuma ser, em geral, de março a julho.
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