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Saúde

Hospital Regional inicia funcionamento em junho e terá operação completa até 2027

Por Bruno
Hospital Regional inicia funcionamento em junho e terá operação completa até 2027

Lucas Maciel

Depois de mais de duas décadas desde o início das obras e cerca de dez anos com intervenções paralisadas, o Hospital Regional de Divinópolis finalmente tem data para começar a funcionar. A unidade inicia as atividades em 1º de junho de 2026, aniversário do município, com atendimento à população previsto para a segunda quinzena do mês, entre os dias 15 e 27.  A definição marca um avanço aguardado há anos e reposiciona a rede de saúde do Centro-Oeste mineiro, ao introduzir uma estrutura de média e alta complexidade voltada exclusivamente ao Sistema Único de Saúde (SUS). 

O cronograma detalhado de implantação foi apresentado nesta segunda-feira, 23, durante reunião no Ministério da Educação (MEC), em Brasília, com a presença de representantes do Governo Federal, da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), prefeitos da região e lideranças políticas. A unidade será administrada pela Ebserh e vinculada à Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), combinando assistência, ensino e pesquisa.

Funcionamento por etapas

A entrada em operação do hospital ocorrerá de forma progressiva, em quatro fases, ao longo de aproximadamente um ano. A estratégia, segundo a Ebserh, busca garantir segurança assistencial e qualidade no atendimento desde o início das atividades.

Na primeira fase, entre junho e agosto de 2026, o hospital inicia com 41 leitos e 196 trabalhadores. Neste momento inicial, entram em funcionamento leitos clínicos e de decisão clínica, além do ambulatório, da Central de Material e Esterilização (CME) e dos primeiros serviços de apoio.

Na segunda etapa, entre setembro e novembro, a capacidade será ampliada para 97 leitos e 538 profissionais. A estrutura passa a contar com leitos cirúrgicos, 10 leitos de UTI adulto e área de recuperação pós-anestésica, consolidando o início das cirurgias.

Entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, na terceira fase, o hospital alcança 122 leitos e 733 trabalhadores, com a ampliação da pediatria, abertura de UTI pediátrica e início da realização de exames como tomografia.

Já na quarta e última etapa, entre março e maio de 2027, a unidade atinge sua capacidade plena: 198 leitos e 1.096 trabalhadores. Neste momento, entram em operação serviços como hemodinâmica, estrutura obstétrica completa, UTI neonatal, leitos materno-infantis e novas unidades de terapia intensiva.

Estrutura 

Quando estiver totalmente em funcionamento, o Hospital Regional contará com uma estrutura robusta, incluindo seis salas cirúrgicas, duas salas obstétricas, duas salas para endoscopia e colonoscopia, além de uma sala de hemodinâmica.

Na área de diagnóstico, a unidade terá equipamentos de radiografia, densitometria óssea, tomografia computadorizada (com dois aparelhos), ressonância magnética, mamografia e ultrassonografia.

Ao todo, serão 156 leitos de internação distribuídos entre clínica médica, cirúrgica, pediatria, obstetrícia e UTIs (adulto, pediátrica e neonatal), além de 42 leitos em áreas complementares, como pronto atendimento interno, unidade de decisão clínica e setores de apoio.

Atendimento regulado

O modelo de funcionamento do hospital não prevê pronto-socorro aberto à demanda espontânea. O acesso será totalmente regulado pelo SUS, por meio de encaminhamentos realizados pelas centrais de regulação e pelo Samu, com o objetivo de organizar o fluxo e evitar superlotação.

As exceções serão os atendimentos de urgência obstétrica e pacientes oncológicos já em acompanhamento na unidade.

Contratações e preparação

A formação do quadro de pessoal será feita de forma gradual, acompanhando as fases de implantação. A previsão é que o primeiro edital de convocação contemple 195 trabalhadores, com publicação em abril, admissão em maio e início das atividades já em 1º de junho.

Ao longo do processo, novas contratações serão realizadas até atingir o total de 1.096 profissionais, incluindo médicos, enfermeiros, técnicos e equipes administrativas.

Paralelamente, o cronograma operacional prevê a contratação de serviços essenciais, como vigilância, limpeza, alimentação, manutenção, gestão de resíduos, lavanderia, suporte laboratorial e tecnologia da informação. A entrega de equipamentos médico-hospitalares e mobiliário está programada a partir de abril.

Desde o dia 16 de março, a Ebserh já assumiu a vigilância patrimonial do hospital, e equipes atuam no local no recebimento de equipamentos e montagem da estrutura. O recebimento técnico do prédio, envolvendo Ebserh, Estado e construtora, está previsto para o dia 30 de março.

Mobilização regional

A apresentação do cronograma reuniu prefeitos de diversos municípios que serão diretamente beneficiados pela unidade, evidenciando o impacto regional do hospital. Entre eles, o prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Novo), destacou a importância da obra.

— Esse hospital é um presente gigantesco que a nossa cidade vai ganhar próximo ao aniversário dela. É um avanço para todo o Centro-Oeste mineiro e vai trazer um alívio enorme para a população que tanto precisa de atendimento de média e alta complexidade — afirmou.

Também participaram representantes do Governo Federal, como o presidente da Ebserh, Arthur Chioro, que ressaltou o papel da unidade no fortalecimento do SUS.

— A apresentação deste cronograma reafirma o compromisso em garantir atendimento 100% SUS, de alta qualidade e complexidade, além de fortalecer a formação de novos profissionais de saúde — disse.

Já a secretária nacional de Finanças e Planejamento do PT, Gleide Andrade, pontuou a dimensão histórica do momento. 

— Conheço de perto a realidade das famílias. Esse hospital não é apenas um prédio com 198 leitos, é a concretização de um sonho coletivo, fruto da luta de muita gente que acreditou que o SUS pode e deve chegar com qualidade ao Centro-Oeste Mineiro. O Governo do presidente Lula está provando, mais uma vez, que investir em saúde pública não é gasto, é investir na vida do povo — celebrou .

Papel estratégico 

Além da assistência hospitalar, o Hospital Regional terá função acadêmica, contribuindo diretamente para a formação de estudantes e profissionais da área da saúde por meio da UFSJ. A integração entre ensino, pesquisa e atendimento é apontada como um dos diferenciais da unidade.

A expectativa é que o hospital se torne referência para dezenas de municípios do Centro-Oeste mineiro, ampliando o acesso a serviços especializados e reduzindo a necessidade de deslocamento de pacientes para outras regiões.

Longa espera

A definição de datas concretas para o funcionamento do hospital encerra um período marcado por incertezas e paralisações. Iniciada há cerca de 20 anos, a obra passou por diferentes fases, incluindo longos períodos sem avanço.

Agora, com cronograma estabelecido, estrutura em fase final de preparação e início das contratações, o foco passa a ser a execução das etapas previstas e a abertura efetiva dos atendimentos.

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