Dengue avança em Divinópolis e casos crescem mais de 20% em uma semana

Jonny Reisle
O avanço dos casos de dengue segue em ritmo acelerado em Divinópolis, conforme aponta o comparativo entre os boletins epidemiológicos divulgados pela Prefeitura nos dias 20 e 27 de março de 2026. Em apenas uma semana, o número de notificações saltou de 632 para 780, um aumento de 148 registros. Já os casos confirmados passaram de 163 para 217, crescimento de 54 confirmações no período.
As hospitalizações também aumentaram, passando de 64 para 79 internações, enquanto os óbitos em investigação subiram de um para dois. O município mantém uma morte confirmada pela doença, o que reforça o alerta das autoridades de saúde.
Números que preocupam
Os dados evidenciam que a transmissão segue ativa em praticamente todas as faixas etárias, com maior concentração entre adultos jovens. A faixa de 20 a 29 anos lidera os registros, com 172 casos notificados no boletim mais recente, seguida pelas faixas de 30 a 39 anos (138) e 40 a 49 anos (118). Também chama atenção o crescimento entre idosos, com 111 notificações entre pessoas com 60 anos ou mais, grupo considerado mais vulnerável a complicações. Entre crianças e adolescentes, os números também aumentaram em relação à semana anterior.
Casos graves
Em relação à gravidade dos casos, o cenário também inspira atenção. Divinópolis passou a registrar um caso de dengue grave, além de sete ocorrências com sinais de alarme, que podem evoluir para quadros mais severos. Na classificação geral, os casos prováveis subiram de 157 para 209, enquanto os descartados passaram de 213 para 233. Já os casos em investigação tiveram aumento expressivo, saltando de 255 para 329, o que indica a possibilidade de novos acréscimos nos próximos boletins, mantendo a tendência de alta.
Maior frequência masculina
Outro ponto de destaque é a mudança no perfil dos pacientes. No boletim anterior, as mulheres representavam a maioria dos casos, com 56,8%. No levantamento mais recente, houve inversão, com predominância masculina, que passou a representar 55,38% das notificações. Especialistas apontam que esse tipo de variação pode estar relacionado a fatores comportamentais e de exposição ao mosquito.
A distribuição territorial também demonstra avanço da doença em diferentes regiões da cidade. O bairro São José segue liderando em número de notificações, passando de 46 para 53 casos. Em seguida aparecem Centro e São Roque, ambos com 42 registros, além de Catalão (34), Tietê (26) e Planalto (25). Bairros como Santa Lúcia, Orion, Bom Pastor, Afonso Pena e Belvedere também registraram aumento.
Mutirões a todo vapor
Diante do cenário de crescimento contínuo, a Prefeitura intensificou as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti. No último sábado, 28, foi realizado o sétimo mutirão de limpeza do ano, coordenado pela Vigilância em Saúde Ambiental. A ação contemplou 13 bairros das regiões Oeste e Sudeste, com o objetivo de eliminar possíveis criadouros do mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya, reforçando a estratégia de prevenção.
Durante o mutirão, equipes percorreram as ruas recolhendo materiais que podem acumular água, como pneus, garrafas, latas, plásticos, lonas, tambores e recipientes diversos. A orientação foi para que os moradores deixassem os objetos nas calçadas, facilitando o recolhimento pelas pick-ups disponibilizadas pela Prefeitura. A participação da população foi destacada como essencial para o sucesso da iniciativa, uma vez que a maior parte dos focos do mosquito está dentro das residências.
Resultado
O balanço do mutirão anterior, realizado no dia 21 de março, reforça a importância da ação contínua. Na ocasião, foram retirados diversos materiais com potencial de se tornarem criadouros do mosquito. Somente na região Norte, foram recolhidos três caminhões de móveis velhos, um caminhão de recicláveis, três pick-ups de resíduos diversos e 55 pneus. Já na região Oeste, foram dois caminhões de móveis velhos, um caminhão e uma pick-up de recicláveis, além de 44 pneus, números que evidenciam o volume de materiais acumulados nas residências.
Faça sua parte
A Prefeitura ressalta que, além de favorecer a proliferação do mosquito da dengue, o descarte irregular de resíduos também pode atrair outros vetores e animais peçonhentos, ampliando os riscos à saúde pública. Por isso, reforça que o combate à dengue depende de ações contínuas do poder público, mas também da colaboração direta da população, que deve manter quintais limpos e livres de água parada.
Com o avanço expressivo dos casos, o aumento das internações e a presença de casos mais graves, o município segue em estado de alerta. A recomendação é que os moradores mantenham atenção redobrada com possíveis focos do mosquito e procurem atendimento médico ao apresentar sintomas como febre alta, dores no corpo, manchas na pele e mal-estar. A tendência de crescimento reforça a necessidade de medidas imediatas para conter a disseminação da doença nas próximas semanas.
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