Institutos justificam diferenças entre pesquisas e resultado nas urnas
Bruno Bueno
O resultado do 1º turno das eleições pegou muita gente de surpresa, especialmente pela porcentagem do presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL). O político teve 43,2% dos votos e ficou bem à frente do esperado pelas pesquisas divulgadas antes da disputa.
O Ipec, antigo Ibope, mostrou Bolsonaro com 37%. Pela margem de erro, ele teria de 35% a 39%. Já o Datafolha registrou 36%. Pela margem de erro, ele teria de 35% a 39%. Em entrevistas, os institutos justificam as diferenças entre as pesquisas e o resultado nas urnas.
Ipec
A diretora da Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica (Ipec), Márcia Cavallari, disse que o resultado de Bolsonaro partiu dos indecisos.
— O presidente teve seis pontos a mais do que a pesquisa apontava e, analisando os resultados, nós vemos que houve uma migração dos 3% de indecisos que ainda tínhamos na pesquisa na véspera da eleição e o índice do Ciro e da Simone que ficaram menores — afirmou ao Jornal Nacional.
A responsável também disse que o resultado reflete uma tentativa dos eleitores em terminar a eleição no primeiro turno, algo que não aconteceu.
— Talvez com essa informação os eleitores tomaram uma ação estratégica de antecipar um possível voto no segundo turno neste primeiro para impedir que a eleição acabasse no primeiro turno — disse.
Datafolha
A diretora do Instituto Datafolha, Luciana Chong, tem uma avaliação parecida.
— O que a gente viu na pesquisa de véspera foi um índice ainda de 13% de eleitores que declararam que ainda poderiam mudar o seu voto. E entre os eleitores de Ciro esse índice era de 41%, e entre os de Simone Tebet chegava a 37% — pontua.
Ela ainda afirma que o voto útil foi crucial para a divergência dos resultados.
— A pesquisa de véspera foi finalizada no sábado, por volta da hora do almoço, e dali até o domingo, o dia da eleição, a gente viu um movimento de eleitores que votavam no Ciro, Tebet, branco e nulo indo para o presidente Jair Bolsonaro. Então o voto útil que não aconteceu a favor de Lula, aconteceu a favor de Bolsonaro nessa reta final — ressalta.
Outros resultados
Lula (PT) aparecia com 50% dos votos válidos no Datafolha divulgado na véspera da eleição. Pela margem de erro, tinha de 48% a 52%. A pesquisa Ipec indicava Lula com 51% dos votos. Na margem de erro, teria entre 49% e 53%. Nas urnas, Lula conquistou 48,43% dos votos e ficou na margem de erro de ambas as pesquisas.
No Datafolha da véspera da votação, Simone Tebet (MDB) aparecia com 6% dos votos válidos. 4% a 8% na margem de erro. E Ciro Gomes, do PDT, logo atrás, com 5%. Na margem, de 3% a 7%. Já no Ipec, Tebet e Ciro Gomes apareceram com os mesmos 5% de votos válidos. Na margem de erro, de 3% a 7%.
Tebet terminou com 4,16% dos votos nas urnas e ficou dentro da margem de erro. Ciro teve pouco mais de 3% dos votos e também ficou na margem.
Calendário
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou datas importantes para o 2º turno. O período em que nenhum eleitor poderia ser preso ou detido venceu ontem, assim como a validade de salvo-condutos. Hoje é o último dia para o mesário que abandonou os trabalhos durante a votação apresentar justificativa ao juízo eleitoral.
Amanhã começa o cadastramento de mesas receptoras de justificativas e alocação temporária de seções para o segundo turno. Na sexta, a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão volta a ser transmitida.
Mais datas
O dia 24 — segunda-feira — é a última data para o registro de pesquisas de opinião pública realizadas em data anterior ao dia das eleições. O dia seguinte — cinco antes das eleições — é marcado pela data a partir da qual nenhum eleitor pode ser preso ou detido salvo em flagrante delito, ou em virtude de sentença criminal condenatória por crime inafiançável, ou por desrespeito a salvo-conduto.
Além disso, os candidatos devem retirar o material da propaganda eleitoral gratuita nas emissoras, sob pena de sua destruição, contado o prazo de 60 dias após a respectiva divulgação.
Reta final
No dia 27, três antes do segundo turno, é a última data para propaganda política mediante reuniões públicas ou promoção de comícios e utilização de aparelhagem de sonorização fixa. O dia seguinte é o último para divulgação da propaganda eleitoral gratuita no rádio, televisão e imprensa escrita. Também é o último dia para a realização de debate no rádio e na televisão, não podendo ultrapassar o horário de meia-noite.
Os candidatos podem realizar propaganda eleitoral mediante alto-falantes ou amplificadores de som até sábado, dia 29. Além disso, a data marca o último dia para a distribuição de material gráfico, caminhada, carreata ou passeata, acompanhados ou não por carro de som.
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