Investigado por corrupção, vice-prefeito de Itaúna tem salário cortado

Da Redação
A Prefeitura de Itaúna decidiu suspender o salário do vice-prefeito, Hidelbrando Canabrava Rodrigues Neto (PL). A medida foi tomada porque ele está ausente das funções desde o dia 15 de setembro, sem apresentar justificativa ou previsão de retorno. A suspensão do pagamento passou a valer no dia 1º de outubro e só será revertida caso a situação dele seja regularizada.
De acordo com a Administração Municipal, Hidelbrando viajou em compromisso particular, sem ligação com o cargo público que ocupa, e não apresentou nenhum comunicado oficial sobre sua ausência.
Segundo o Portal da Transparência, o vice-prefeito recebe R$ 15.543,67 por mês. Em nota, a Prefeitura informou que sem a presença dele nas funções de vice-prefeito, o Executivo considerou que não havia como manter o pagamento do subsídio mensal. A decisão, segundo o comunicado, busca resguardar os cofres públicos e manter a transparência da gestão.
A Prefeitura também reforçou que Hidelbrando terá direito à defesa, mas que, enquanto não apresentar justificativa ou retornar às atividades, continuará sem receber.
Operação ‘Rejeito’
O caso acontece em meio às investigações da operação “Rejeito”, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em setembro para apurar um esquema bilionário de corrupção no setor de mineração em Minas Gerais.
O nome de Hidelbrando aparece na investigação como um dos articuladores de contratos suspeitos ligados à exploração irregular de minério. Ele também foi alvo de pedido de prisão, mas não foi localizado porque estava fora do país.
Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado teria causado danos ambientais e movimentado ao menos R$ 1,5 bilhão em transações ilegais. Estima-se ainda que projetos ligados à organização poderiam gerar receitas de até R$ 18 bilhões.
Envolvimento do vice-prefeito
Conforme a decisão judicial, Hidelbrando Neto aparece como sócio e operador em empreendimentos suspeitos ligados à exploração irregular de minério. Entre as sociedades citadas, está a HCRN Assessoria e Consultoria Ambiental Ltda., constituída em abril de 2021, da qual ele é proprietário.
O relatório da PF também destaca ligações dele com o lobista Gilberto Henrique Horta de Carvalho, preso na operação. Hidelbrando é citado como sócio de Carvalho na empresa Ursa Maior e em outras, como Brava e Verdecál, estas vinculadas à GMAIS Ambiental.
Os vínculos empresariais levantam suspeitas sobre a participação do vice-prefeito em esquemas de concessão de licenças ambientais fraudulentas e favorecer mineradoras investigadas.
Segundo a decisão, Hidelbrando desempenhava atividades operacionais, atuando como elo entre empresários e gestores públicos. Ele teria articulado contratos e participado de reuniões estratégicas relacionadas aos negócios investigados.
O material reunido pela PF aponta ainda que a empresa ligada ao grupo foi inserida em contratos com potencial econômico superior a R$ 3 bilhões.
Hidelbrando possui histórico de atuação no Executivo do Estado. Entre 2014 e 2020, ele ocupou funções na Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad), incluindo os cargos de superintendente regional, coordenador, subsecretário de Regularização Ambiental e, por último, secretário executivo da pasta.
Exoneração
Além de vice-prefeito, Hidelbrando também comandava a Secretaria Municipal de Meio Ambiente. No entanto, em setembro, foi exonerado do cargo após ser citado pela Polícia Federal. Na época, a Prefeitura informou que a decisão tinha caráter preventivo até que os fatos fossem esclarecidos.
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