Lei proíbe deixar cachorros acorrentados e sempre presos

Da Redação
Manter cães e gatos permanentemente acorrentados ou confinados em espaços inadequados pode se tornar crime em Minas Gerais. A Assembleia Legislativa do Estado (ALMG) aprovou, em segundo turno, um projeto de lei que classifica essa prática como maus-tratos, seguindo os passos de legislações já vigentes em outras cidades brasileiras, como Florianópolis. O texto, que aguarda sanção do governador Romeu Zema (Novo), amplia a proteção aos animais domésticos e estabelece penalidades para tutores que descumprirem as normas.
A proposta, de autoria do deputado estadual Noraldino Júnior, modifica a Lei 22.231/2026, que define maus-tratos contra animais no estado. A nova redação proíbe o "confinamento, acorrentamento e/ou alojamento inadequado" de forma permanente ou rotineira, garantindo que cães e gatos tenham direito à liberdade de movimento, condições dignas de vida e bem-estar.
Inspiração em Florianópolis
O projeto mineiro tem como referência a Lei nº 17.087/2017, aprovada em Florianópolis por iniciativa da vereadora Maria da Graça Dutra (MDB), conhecida por sua militância em defesa dos animais. A legislação catarinense foi uma das primeiras no país a proibir explicitamente o acorrentamento de cães, permitindo apenas o uso de guias retráteis (vai-e-vem) em casos específicos, como animais considerados agressivos.
De acordo com a lei de Florianópolis, considera-se "alojamento inadequado" qualquer forma de restrição que impeça o animal de se movimentar livremente, causando sofrimento físico ou psicológico. Entre as exigências estão:
- Uso de correntes apenas do tipo vai-e-vem, com no mínimo 8 metros de comprimento;
- A corrente não pode ultrapassar 10% do peso do animal;
- Proibição de cadeados na coleira;
- Espaço com luz solar, sombra, ventilação, água limpa e alimentação adequada;
- Acesso a atendimento veterinário quando necessário.
A parlamentar destacou que cães acorrentados desenvolvem comportamentos agressivos e estresse crônico, o que pode representar riscos não apenas para estranhos, mas também para a própria família.
— Não é natural que um cachorro passe a vida inteira preso. Eles precisam de espaço para se exercitar, socializar e viver com dignidade — afirmou.
Os impactos
Veterinários e especialistas em comportamento animal alertam que o confinamento excessivo prejudica a saúde física e mental dos pets. Cães que vivem acorrentados ou em espaços pequenos podem desenvolver:
- Problemas articulares (por falta de movimento);
- Estresse e ansiedade, levando a comportamentos destrutivos;
- Agressividade, devido à frustração e falta de socialização;
- Depressão, com perda de apetite e apatia.
— Um cão de guarda, por exemplo, não precisa ficar preso 24 horas por dia para ser eficiente. Pelo contrário: um animal equilibrado, que tem contato com a família e espaço para se exercitar, será mais seguro e menos propenso a ataques descontrolados — explica o veterinário Rafael Mendes.
Animais agressivos
A lei não impede a contenção de cães considerados perigosos, mas estabelece regras para que isso seja feito sem crueldade. Nos casos em que o animal apresenta risco, é permitido o uso de:
- Guias retráteis (vai-e-vem), que permitem movimento;
- Canis amplos, com espaço suficiente para locomoção;
- Coleiras de segurança, desde que não causem ferimentos.
Tutores que mantêm cães para guarda ou proteção devem garantir que o animal tenha horários de soltura, interação com pessoas e estímulos ambientais.
— Se o cachorro passa o dia todo preso, ele não está cumprindo o papel de guardião, está apenas sofrendo — ressalta a protetora animal Ana Lúcia Ferreira.
Multas e penalidades
Em Minas Gerais, o descumprimento da lei poderá resultar em:
- Multas (com valores progressivos em caso de reincidência);
- Apreensão do animal, se comprovados maus-tratos graves;
- Processo judicial, podendo levar a outras sanções penais.
A fiscalização ficará a cargo de órgãos ambientais, policiais e do Conselho Municipal de Proteção Animal. Denúncias podem ser feitas em delegacias comuns ou especializadas em crimes ambientais.
Como denunciar maus-tratos?
Qualquer pessoa que presencie um animal permanentemente acorrentado ou em condições inadequadas pode:
1. Registrar um Boletim de Ocorrência (BO) em uma delegacia;
2. Acionar a Polícia Militar Ambiental (em casos urgentes);
Fotos, vídeos e testemunhas ajudam a embasar a denúncia. Em Florianópolis, desde a vigência da lei, o número de casos de cães acorrentados caiu 40%, segundo dados da prefeitura.
Conscientização é o caminho
A aprovação da lei em Minas Gerais representa um avanço na proteção animal, mas especialistas destacam que a educação é fundamental. Muitos tutores mantêm cães presos por desconhecimento dos danos causados ou por acreditarem que essa é a única forma de controle.
Campanhas de adoção responsável, castração e orientação sobre cuidados básicos podem reduzir os casos de maus-tratos.
Agora, a expectativa é que o governador Romeu Zema (Novo) sancione a lei, transformando Minas Gerais em mais um estado a garantir dignidade e liberdade para os animais. Enquanto isso, protetores e amantes dos pets comemoram mais uma vitória na luta contra os maus-tratos.
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