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Política

Lula vira eleição pela primeira vez na história e segue para quarto mandato

Presidente reverte vantagem de Flávio Bolsonaro no segundo turno e alcança votação recorde; em Divinópolis, petista cresce mais de 13 mil votos

Por Jonny Reisle · Redação· 6 min de leitura
Lula vira eleição pela primeira vez na história e segue para quarto mandato

A eleição presidencial de 2026 entrou para a história da democracia brasileira. Depois de terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu reverter o resultado e conquistar a reeleição neste domingo, 25. Com 64,2 milhões de votos, equivalentes a 51,79% dos válidos, o petista garantiu seu quarto mandato à frente do Palácio do Planalto e estabeleceu um novo recorde de votação em uma disputa presidencial no Brasil. Flávio recebeu 59,8 milhões de votos, ou 48,21%, e terminou a disputa com uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos.

O resultado representa um marco inédito desde a redemocratização. Pela primeira vez, um candidato que terminou a primeira etapa da eleição em desvantagem conseguiu superar o adversário no segundo turno. Lula também se tornou o primeiro político brasileiro a vencer quatro eleições presidenciais desde a retomada das eleições diretas, em 1989. 

Virada nas urnas

A recuperação de Lula foi resultado de uma combinação de fatores políticos, econômicos e eleitorais. Após o primeiro turno, a campanha petista intensificou a mobilização nas ruas e nas redes sociais, assim como o PL, e ampliou a articulação com aliados e buscou conquistar eleitores que não haviam votado no presidente na primeira etapa.

O cientista político Antônio Faraco avalia que a virada não pode ser atribuída a um único acontecimento. Para ele, a articulação política, a avaliação das ações do governo e a mobilização eleitoral foram determinantes para a mudança no cenário.

— A virada de Lula parece ter resultado da combinação de articulação política, avaliação das ações do governo e mobilização eleitoral. Depois de terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, ele precisava alcançar eleitores que estavam fora de sua base — analisa.

A campanha também apostou em uma comunicação mais direta com o eleitorado. A intensificação das publicações nas redes sociais, a criação do “Exército de Lula” e as manifestações presenciais contribuíram para ampliar a circulação das mensagens da candidatura.

Faraco destaca que a mobilização digital e presencial pode ter sido importante para estimular a participação de eleitores que não estavam diretamente ligados à base histórica do PT.

Medidas implementadas

Outro elemento apontado pelo cientista político é a avaliação das medidas adotadas pelo governo. Durante a campanha, Lula apresentou realizações da gestão e iniciativas relacionadas à renda e ao custo de vida, como o reajuste do Bolsa Família e benefícios destinados aos microempreendedores individuais.

— Lula também pôde apresentar realizações e implementar medidas como o reajuste do Bolsa Família e os benefícios para microempreendedores, entre outras medidas, iniciativas que podem ter favorecido sua recuperação entre pessoas preocupadas com a renda e o custo de vida — avalia.

O especialista acrescenta que parte dos votos pode ter sido motivada pela rejeição ao adversário. Nesse contexto, o segundo turno apresentou uma dinâmica diferente da primeira etapa, quando os eleitores tinham mais opções de candidatos.

— O segundo turno colocou o eleitor diante de uma escolha diferente. Quem havia votado em outra candidatura precisou se posicionar entre os dois finalistas, e mesmo quem não compareceu ou anulou no primeiro turno pôde reconsiderar sua decisão. Por isso, a mudança não pode ser explicada apenas pela transferência dos votos dos candidatos eliminados — explica.

Recorde e virada

Lula alcançou a maior votação absoluta já registrada em uma eleição presidencial no Brasil. Os mais de 64,2 milhões de votos superaram os 60,3 milhões recebidos pelo próprio petista em 2022. O resultado, entretanto, não representa o maior percentual de votos válidos já obtido por um presidente eleito. Em 2002, Lula alcançou 61,27% no segundo turno.

Minas Gerais teve papel importante no resultado nacional. Após Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno à frente no estado, Lula conseguiu reverter a disputa e venceu por 50,43% a 49,57%. A diferença ficou próxima de 100 mil votos.

O petista venceu em 76 municípios mineiros nos quais havia sido derrotado na primeira etapa, movimento que contribuiu para a virada estadual. Minas Gerais mantém, assim, a tradição de acompanhar o candidato eleito presidente desde a redemocratização. 

A votação também evidenciou a divisão política do país. Lula manteve força no Nordeste e conquistou Minas Gerais, enquanto Flávio Bolsonaro predominou no Sul, no Centro-Oeste e em parte do Sudeste. O resultado demonstra a permanência de diferenças regionais expressivas na escolha dos candidatos.

Divinópolis 

Em Divinópolis, o resultado acompanhou o crescimento de Lula observado nacionalmente, mas sem alterar a preferência majoritária do eleitorado pelo candidato do PL. Flávio Bolsonaro terminou o segundo turno com 76.540 votos, correspondentes a 55,05% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 62.494 votos, ou 44,95%.

A diferença entre os dois candidatos foi de 14.046 votos. No primeiro turno, a vantagem de Flávio era de 22.075 votos. Lula passou de 49.403 votos na primeira etapa para 62.494 no segundo turno, um acréscimo de 13.091 votos. Flávio também cresceu, passando de 71.478 para 76.540 votos, uma ampliação de 5.062 votos.

A participação eleitoral também apresentou mudanças. A abstenção caiu de 18,64% para 16,09%, enquanto os votos brancos e nulos diminuíram. O movimento aponta para uma maior participação dos eleitores e uma concentração mais expressiva dos votos nos dois candidatos que disputaram a etapa final.

Para Faraco, o resultado local representa uma recuperação significativa do presidente reeleito, mas também evidencia a permanência de uma preferência majoritária por Flávio Bolsonaro.

— Divinópolis acompanhou o crescimento de Lula observado nacionalmente, mas manteve a preferência majoritária por Flávio Bolsonaro. Lula passou de 37,31% para 44,95% dos votos válidos, enquanto Flávio chegou a 55,05%. Houve, portanto, uma recuperação importante, embora insuficiente para vencer no município — analisa.

Questionamentos e reações

Além da disputa política, o segundo turno foi marcado por questionamentos sobre a prorrogação do horário de votação em algumas seções eleitorais. A decisão foi tomada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, após relatos de dificuldades no transporte de eleitores.

A determinação inicial previa a extensão do prazo em todas as seções, mas, após informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de que diversas urnas já haviam sido encerradas, o ministro esclareceu que a medida deveria ser aplicada apenas às seções que ainda estavam abertas.

Flávio Bolsonaro contestou a decisão e anunciou que pretende recorrer à Justiça Eleitoral e pedir a anulação do pleito.

— É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Vamos usar nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições. A gente não está aqui para brincadeira. Não vou aceitar que essa regra tenha mudado em cima do jogo — declarou. 

O questionamento, contudo, não altera o resultado oficial divulgado pela Justiça Eleitoral, que confirmou a vitória de Lula.

Pronunciamento

Em seu primeiro discurso após a reeleição, o presidente agradeceu aos eleitores e destacou a participação popular na votação. Lula também mencionou a mobilização da juventude e de pessoas idosas, que, segundo ele, foram importantes para garantir a vitória.

— Eu queria agradecer ao povo brasileiro a generosidade que eles têm comigo há muito tempo. E, neste segundo turno, agradecer a generosidade da juventude brasileira que foi para rua para defender a democracia. Essa eleição me ensinou muitas lições. Quero dizer que vamos mudar o jeito de governar este país — declarou. 

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