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Minas registra 19 casos de violência doméstica por hora

Minas registra 19 casos de violência doméstica por hora

Elian Ozéias

Minas Gerais enfrenta um cenário preocupante quando o assunto é violência contra a mulher. Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que quase 14 mil mulheres foram vítimas de algum tipo de violência doméstica somente no mês de janeiro deste ano. Na prática, isso representa cerca de 19 casos registrados por hora em todo o estado.

Os números revelam a dimensão de um problema que, apesar dos avanços na legislação e nas políticas públicas de proteção, ainda atinge milhares de mulheres diariamente. Neste domingo, 8 de março, quando foi celebrado o Dia Internacional da Mulher, o sentimento predominante entre muitas vítimas ainda é o medo.

Feminicídios

Outro dado que chama atenção é o crescimento do feminicídio em Minas Gerais. Nos últimos cinco anos, o número de assassinatos de mulheres motivados por questões de gênero aumentou mais de 17% no estado, evidenciando a gravidade da violência que, muitas vezes, começa com agressões verbais, psicológicas ou físicas e pode terminar de forma trágica.

Especialistas apontam que o enfrentamento à violência doméstica exige ações integradas, que envolvem segurança pública, assistência social, saúde e educação. A conscientização da sociedade e o incentivo às denúncias também são considerados fundamentais para romper o ciclo da violência.

Violência precoce

Além dos casos de agressões dentro de casa, outro aspecto preocupante é a violência sexual contra crianças e adolescentes. No Brasil, cerca de 77% das vítimas de estupro registradas em 2024 tinham menos de 14 anos.

A analista judicial e psicóloga da Vara Especializada em Crimes contra Criança e Adolescente, Ana Flávia Santana, explica que os impactos desses crimes podem acompanhar as vítimas por toda a vida.

Segundo ela, crianças e adolescentes que sofrem violência sexual ou crescem em ambientes marcados por agressões domésticas desenvolvem traumas profundos, que podem afetar o desenvolvimento emocional, social e psicológico.

— Quando uma criança cresce em um ambiente de violência, ela aprende que aquele comportamento pode ser normal ou inevitável. Isso pode gerar consequências graves ao longo da vida, desde dificuldades de relacionamento até problemas de saúde mental — explica a especialista.

Divinópolis

Em Divinópolis, os registros de violência doméstica também preocupam. Somente no mês de janeiro, foram contabilizadas 10 ocorrências desse tipo de crime no município.

Apesar do número aparentemente menor em comparação ao cenário estadual, dois feminicídios registrados recentemente chocaram a população e evidenciaram a gravidade do problema.

Um dos casos foi o assassinato de uma mulher de 43 anos, morta a tiros dentro de um apartamento no bairro Sidil, na região central da cidade. O crime ocorreu no segundo andar do prédio, na cozinha do imóvel onde a vítima estava morando temporariamente para cuidar da avó.

Quando equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegaram ao local, a mulher já estava sem vida. O autor do crime, que era primo da vítima, alegou que o homicídio teria sido motivado por um desentendimento envolvendo o cachorro dele. O caso gerou grande repercussão na cidade.

Outro episódio que chamou a atenção ocorreu após o corpo de uma mulher ser encontrado às margens do Rio Itapecerica. A vítima apresentava cerca de dez perfurações provocadas por faca.

De acordo com a Polícia Militar, as investigações indicam que o crime teria sido encomendado de dentro de um presídio. Um homem de 33 anos, que já estava preso por tentar matar a mesma mulher em 2025, é apontado como o mandante. Segundo a polícia, ele teria pedido a um colega de cela, que havia deixado a prisão um dia antes do crime, para executar a vítima.

Além desses casos, a polícia ainda procura por Juarez Marques, de 51 anos, conhecido na comunidade como “Lázaro de Ermida”. Ele é acusado de matar a companheira, de 39 anos, na comunidade do Choro e continua foragido.

Combate à violência

Autoridades reforçam que denunciar é fundamental para interromper o ciclo de violência e evitar que agressões evoluam para crimes mais graves, como o feminicídio.

No Brasil, vítimas e testemunhas podem buscar ajuda por meio do telefone 180, canal nacional de atendimento à mulher, além de procurar delegacias, especialmente as especializadas no atendimento à mulher.

Para especialistas e órgãos de segurança, a mobilização da sociedade é essencial para enfrentar a violência de gênero. Mais do que números, os dados representam histórias interrompidas e famílias marcadas por tragédias que poderiam ser evitadas com denúncia, apoio e políticas públicas eficazes.

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