Mulheres, obediência e monoteismo

CREPÚSCULO DA LEI – ANO VIII – CCCXXXIII
A língua hebraica, na realidade, sempre foi um dialeto palestino, utilizado pelo povo que atravessou o rio Jordão para se estabelecer nas proximidades de Jericó, cidade palestina - a mais antiga do mundo.
Quando esse povo chegou à Palestina, ele ficou realmente conhecido por “hebreus”, cuja palavra significa “atravessadores do rio”. Ainda não havia nada de “Israel”, nem “judeu”, ou Judaísmo. Aliás, eram politeístas, com predominância para uma divindade conhecida por Baal.
Em 597 a. C., o rei Nabucodonosor conquistou aquela região, onde já havia uma cidade construída por todos os palestinos, e hebreus, chamada Jerusalém. Os hebreus foram deportados para a Babilônia (atual Iraque). Diga-se, somente a classe alta dos hebreus foi para a Babilônia, como decisão política de Nabucodonosor.
Entretanto, em 539 a.C., o rei persa (atual Irã) Ciro II ocupa a Babilônia e permite que os hebreus retornem para Jerusalém, caso quisessem. Aconteceu que muitos hebreus ainda permaneceram na Babilônia por mais de 15 anos, por quanto a vida por lá ainda lhes convinha.
Os últimos hebreus a saírem da Babilônia foram aqueles de Levi, ou levitas. Foram eles que chegaram a Jerusalém para estabelecerem “novas” regras para o templo da cidade. Eles, os levitas, estavam profundamente influenciados pela religião babilônica chamada Zoroastrismo-Maniqueísta, na qual havia um (único) deus soberano diante de um universo dividido entre o bem e o mal.
Foi assim, mediante influência do Zoroastrismo, que os levitas estruturaram o judaísmo e as regras do templo de Jerusalém, “acabando” com todas as demais religiões, deuses e profetas. Desta forma, o templo - somente o templo de Jerusalém - poderia a ser o centro religioso, social e político da nova ordem judaica e, para “ocupar” esse templo, se escolheram “povo escolhido”, devotos de seu único deus - YHWH – o deus guerreiro e vingativo.
Ocorre que ainda havia um grande problema: as incontáveis profetisas atuando. E como os levitas resolveram essa questão? Ora, declarando-as “impuras”, a impureza do sangue periódico. Ou seja, eis que a criação do deus único aconteceu conjuntamente com o entendimento do estado de “impureza” das mulheres, impedindo-as ao exercício profético da nova religião.
Sem embargo, ao final do século VI a.C. e começo do século V a.C., a situação das mulheres foi agravar-se ainda mais em Atenas, desde Péricles até Aristóteles. Lá, para os gregos, a inferioridade das mulheres só poderia ser “atenuada” de uma forma: com confinação e casamento, aptidão para partos de heróis helênicos.
Conclusão? O estigma da violência contra as mulheres passa pela religião.
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