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Por Jornal Agora· 5 min de leitura


Recentemente uma senhora foi resgatada após 55 anos de trabalho escravo que havia começado quando se encontrava com apenas sete anos de idade. Ela trabalhava ininterruptamente desde a infância, sem acesso à educação, iniciando seus afazeres às 4h30 da manhã. A vítima nunca teve carteira assinada nem recebeu salário regular ou folgas, prestando serviços domésticos e atuando como cuidadora de pessoas da família. Ela aparecia em fotos da família nas redes sociais como “Mãe Preta”. A Lei do “Ventre Livre” (Lei nº 2.040, também chamada de Lei Rio Branco) foi promulgada em 28 /09/1871. Ela determinava que todos os filhos de mulheres escravizadas nascidos a partir daquela data no Brasil seriam considerados livres. A família escravocrata recebeu a criança e a tornou escrava exatos 100 anos após a promulgação da “Ventre Livre” e  era propriedade que foi repassada por gerações sucessivas, tal qual era até meados do século XIX. Pode isso?

  

Absurdo


Sônia Maria de Jesus, uma mulher negra e surda, encontrada por auditores fiscais do trabalho em junho de 2023, na casa do desembargador Jorge Luiz de Borba, em Santa Catarina. Ela foi mantida em condições análogas à escravidão por quase 40 anos, sem remuneração ou documentos. Sônia perdeu o vínculo com a família biológica aos nove anos de idade. O caso gerou grande repercussão nacional e internacional quando o Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou o retorno de Sônia à casa da família investigada. Ana Cristina Gayotto de Borba, foi incluída pelo Ministério do Trabalho na "lista suja" de empregadores que utilizaram mão de obra análoga à escravidão.  O desembargador e a família dificultam o contato com a família biológica. Mas ele tudo pode, não é?

 

Escravista pleno e professor nas horas vagas

Em 2020, Madalena Gordiano foi resgatada após viver em condição análoga à escravidão por 39 anos em Patos de Minas, Alto Paranaíba, na casa do professor universitário Dalton Cesar Milagres Rigueira que juntamente com sua família foram condenados a penas superiores a 14 anos de prisão, além de multas e indenizações à vítima que se aproximaram de R$ 1,3 milhão pelos crimes de redução à condição análoga à escravidão, furto qualificado e lesão corporal. Ela chegou à casa da família aos nove anos de idade e foi repassada de geração para geração. Em meados de 2026, a possível nomeação e posse de Dalton Cesar Milagres Rigueira como professor no Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) gerou forte indignação e protestos de entidades de direitos humanos e sindicatos.

 

 

Promessas


Assim como a vítima acima, a grande maioria de mulheres resgatadas trabalhando em regime análogo à escravidão foram entregues ainda na infância com a promessa de "estudos", mas acabam sendo privadas de educação formal, socialização e renda. Muitas vezes, os empregadores utilizam a justificativa de que ela era tratada "como da família" para encobrir a falta de direitos.

 

Vergonha


No último ano consolidado (2025), o governo federal resgatou 2.725 pessoas em condições de trabalho análogas à escravidão no Brasil.  Isso representou um aumento de cerca de 38% em relação ao ano anterior.  Pela primeira vez na série histórica,  em 2025, o meio urbano concentrou a maioria dos resgates (68%). Os setores com mais resgates foram obras de alvenaria e edifícios, administração pública, cultivo de café e extração mineral. Em números absolutos, os estados com o maior número de trabalhadores resgatados no ano passado foram Mato Grosso (607), seguido por Bahia (482), Minas Gerais (393), São Paulo (276) e Paraíba (253). Minas Gerais figura vergonhosamente. Lastimável!

 

Mulheres escravizadas


Dos 2.725 resgatados, 395 eram mulheres e 87% se autodeclararam negras. A exploração em áreas urbanas, incluindo o comércio, serviços e o trabalho doméstico, tem tido grande destaque nas fiscalizações recentes. No entanto, historicamente, o meio rural (como a pecuária e a colheita de café) concentra a maior parte dos resgates de mulheres.

 

O homem é o lobo do homem


A escravidão exige raciocínio abstrato, linguagem complexa e estruturas de poder para subjugar o outro a longo prazo. Embora exista parasitismo ou subjugação na natureza, a "escravidão" intencional é uma invenção exclusivamente humana. O  ser humano é o maior inimigo de si mesmo, capaz de grande violência contra sua própria espécie.

 

Notícia boa


Assim como existem grupos de apoio aos alcoólatras, aos drogaditos, estão surgindo os de  apoio aos portadores de ludopatia. Grupos de jogadores anônimos já são uma realidade e as pessoas se apoiam, sem julgamento. Mais um passo na luta contra a jogatina.

 

Merecia mais


Segundo o ator Samuel L Jackson, a Argentina é o país mais racista do mundo. Esta colunista entende que no primeiro gesto de racismo da torcida durante os jogos, a Federação Internacional de Futebol (Fifa) já deveria tê-la desclassificado, mas parece que deixou chegar à final para que o tombo fosse maior e pelas mãos da nação colonizadora. A Argentina não merecia ser apenas vice-campeã, merecia ser expulsa inclusive das próximas Copas até que seus jogadores abracem a causa contra o racismo no futebol. "¡Viva España!"

 

Precisam estudar História

A heroína argentina negra mais famosa é María Remedios del Valle (c. 1766–1847), conhecida como a "Mãe da Pátria". Ela foi uma militar, capitã, e enfermeira afrodescendente que lutou na Guerra da Independência da Argentina. A liberdade deles dependeu de uma mulher negra. Ah, o tango possui forte influência das comunidades afro-argentinas. Acorde, Argentina!

 

Anistia já!

 

 

 

 

 

 

 


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