Nada é para sempre

“Nós que aqui estamos por vós esperamos”. Esta frase é uma inscrição que aparece na porta de um cemitério, em um documentário que vi recentemente. Com a proximidade do Dia de Finados, o tema deste documentário me veio à cabeça: a fugacidade da vida, a luta para se viver em meio a tantas dificuldades. Com isso, aparece outra questão: todo ser vivo morre; eu sou um ser vivo, então vou morrer. Por que tem de ser assim, se em toda regra há exceção? Por que não posso ser a exceção?
Vou conversar seriamente com Deus, embora transbordante de medo. Se Ele me atender diretamente, ótimo. E se Ele me encaminhar para tratar disso com a própria Morte, que é a responsável pela área? Não quero conversa com essa “senhora”, é muito traiçoeira. De certas pessoas, o melhor é a gente manter distância. Rogo a Deus todos os dias para que aumente a minha fé. Apesar disso, em certos momentos, são tantas as dúvidas! Não entendo por que tudo tem de ser tão misterioso, tão incerto, às vezes tão tenebroso.
No seu artigo “Entendendo a morte como parte da vida”, publicado no Jornal de Opinião, nº 752, Dirlene Ferreira salienta que a “aceitação da morte é diferente de acordo com a crença religiosa e até mesmo com a filosofia de vida de cada cultura. Porém, o sentimento de angústia que a morte traz é inerente a todo ser humano. O que faz a diferença é a forma como cada religião ou cultura lida com essa angústia, na tentativa de superá-la”. No Ocidente, sendo uma sociedade consumista, a ideia de morte é apavorante devido ao apego excessivo às coisas materiais.
Na mesma edição, em “Finados – O olhar do teólogo”, padre João Batista Libânio alerta que “todas as palavras das ciências calam-se diante da morte. A medicina luta até o último instante de vida do paciente. Quando os sinais vitais se apagam, ela amarga a derrota. Nesse momento entra a religião”. A sabedoria evangélica consola: “Se o grão de trigo não morrer, não dará frutos”. Assim, todo aquele que nasce deve morrer. Alguns vão mais cedo, outros mais tarde. A morte é a única certeza que temos na vida.
Diante de um problema tão grande e sem solução, há a necessidade de o ser humano cultivar outros valores. Viver na opulência é ótimo, mas não pode ser a única meta do ser vivente. É preciso plantar amizade, concórdia, amor e paz entre os semelhantes. É preciso dar de comer a quem tem fome; dar de beber a quem tem sede. Se é verdade que existe um tribunal celeste, onde as almas são julgadas segundo os seus atos, são esses pobres que vão dar testemunho a favor do condenado. Por outro lado, as boas obras servirão para pavimentar o caminho de quem anda na Terra a caminho do céu. Assim, quando chegar o momento, tomara que seja o mais tarde possível, partirei sem rancores, sem mágoas. Nesta vida, tudo passa; não restarão a vaidade nem o orgulho. Talvez seja melhor assim.
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