“Não é somente sobre uma caminhada”: ato de Nikolas Ferreira divide lideranças políticas da região

Da Redação
A caminhada organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL) em direção a Brasília provocou ampla repercussão política entre lideranças da região, reunindo manifestações públicas de apoio e críticas contundentes ao movimento. A mobilização, que teve início em Paracatu, em Minas Gerais, e segue por cerca de 240 quilômetros até a capital federal, passou a ser acompanhada de perto por autoridades e gerou posicionamentos claros de parlamentares aliados e opositores, evidenciando a polarização em torno do ato.
A iniciativa começou na última terça-feira, 20, e, ao longo do percurso, deixou de ser um ato individual para reunir centenas de apoiadores, parlamentares e lideranças políticas alinhadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo o próprio Nikolas Ferreira, a caminhada é um gesto político em defesa de Bolsonaro e de pessoas condenadas em decorrência dos atos de 8 de janeiro de 2023, além de um protesto contra decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). O movimento tem sido amplamente divulgado nas redes sociais, onde aliados incentivam a adesão e reforçam o discurso de mobilização popular.
Apoio de lideranças políticas
Entre os apoiadores da mobilização está o deputado federal Domingos Sávio (PL), que atribuiu à caminhada um significado simbólico e espiritual. Em seu posicionamento, o parlamentar relatou conversas anteriores com Nikolas Ferreira e descreveu o ato como uma resposta à angústia vivida por aliados diante do atual cenário político.
— Na véspera do Nikolas tomar essa decisão e começar essa caminhada até Brasília, nós conversávamos e falávamos da angústia que estávamos sentindo, da nossa impotência perante tanta injustiça contra o presidente Bolsonaro, contra centenas de pessoas, injustiça contra o nosso país — declarou.
Domingos Sávio afirmou ainda que a caminhada de Nikolas é uma missão.
— Você está cumprindo uma missão, e você está fazendo muito mais do que uma caminhada de 240 quilômetros, você está nos inspirando a todos — completou.
Outro apoio explícito veio do deputado estadual Eduardo Azevedo (PL), que confirmou presença no ato. O parlamentar chegou à cidade de Cristalina, em Goiás, na manhã desta quinta-feira, 22, para se encontrar com Nikolas Ferreira e se juntar ao grupo que segue rumo à capital federal. Em sua fala, Eduardo Azevedo destacou o caráter patriótico da mobilização.
— Não é somente sobre uma caminhada, é sobre um país. Um país que precisa lutar pela sua liberdade. É sobre um senso de missão — afirmou.
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) também já se encontrou com Nikolas Ferreira durante a caminhada. Em seu posicionamento, Cleitinho manifestou apoio irrestrito ao movimento e afirmou que a motivação principal é a defesa da liberdade e da justiça.
— Quero aqui deixar meu total apoio incondicionalmente ao Nikolas, que fez esse movimento, e a todos que estão aderindo — disse.
O senador afirmou que, em sua avaliação, o país vive um cenário de injustiça e citou decisões judiciais que considera desproporcionais.
— Por liberdade e por justiça — resumiu, ao justificar sua adesão ao ato.
Posições contrárias
A mobilização também foi alvo de críticas severas por parte de lideranças políticas da região. A deputada estadual Lohanna França (PV) se manifestou de forma contundente contra a caminhada e questionou o que classificou como caráter espetacular do movimento. Em sua declaração, ela criticou o desempenho parlamentar de Nikolas Ferreira e a forma como o ato é apresentado ao público.
— O Brasil não precisa de messias, gente, precisa de político que respeite a democracia e que seja chegado no serviço, coisa que o Nikolas não é — afirmou.
Segundo a deputada, a caminhada tenta assumir um tom épico e messiânico, mas não entrega resultados concretos.
— No fim do dia é uma busca por engajamento e não entrega nada objetivo pra ninguém — declarou.
Lohanna França também afirmou que o ato não produz impactos práticos na vida da população.
— Não entrega escola, não entrega asfalto, não entrega diminuição de fila do SUS, não gera emprego e não melhora a vida de ninguém — disse.
Outra crítica partiu de Gleide Andrade, secretária nacional de Planejamento e Finanças do Partido dos Trabalhadores (PT). Em seu posicionamento, ela associou a caminhada à defesa de pessoas envolvidas em atos golpistas e criticou duramente o deputado federal Nikolas Ferreira.
— Tudo isso pra defender golpista. O Lula agiu certo, vetando anistia, porque lugar de quem quebra o país não é sendo perdoado, é na cadeia. O Nikolas é contra o PIX, é contra o fim da escala 6x1, contra a democracia. O cara faz de tudo, só não consegue trabalhar — afirmou.
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