Otelo

O grande teatrólogo inglês William Shakespeare, escreveu inúmeras obras, incluindo tragédias que ficaram na história, demonstrando sua genialidade exuberante. Dentre elas, se destaca a tragédia Otelo. Otelo, o Moura de Veneza, foi escrita em 1603 e explora os perigos do ciúme, da manipulação e do preconceito. Ele se casa com Desdêmona, uma jovem lindíssima, filha do Senador Veneziano Brabâncio. O casamento foi secreto, devido à oposição do pai da noiva. O personagem Iago semeia inveja e ciúme doentio em Otelo, que mata e morre, sob os efeitos da injustiça. A famosa frase do autor, certamente nos traz uma lição para nossos dias: Cuidado, meu senhor, com o ciúme! É o monstro de olhos verdes que zomba da carne que devora.
Os ciumentos, não precisam de causa para o ciúme. Têm ciúme e nada mais. O ciúme mostra que gera em si mesmo e de si nasce. O principal vilão é Iago, que semeia discórdias e ódios, no jogo sinistro do poder. Os inocentes guerreiam no escuro da verdade aparente. Todos o consideram extremamente fiel, honesto e confiável, dando margem extrema para seus jogos de traições.
Por exemplo; Ele convence Otelo de que Desdêmona o traiu com Cássio. Otelo mata sua esposa, crendo no mentiroso, sem ouvir a versão dela. Que quadro perfeito para os dias de hoje. Tudo que é falado, infelizmente também é crido, sem uma checagem honesta das relações humanas. Consequentemente, o vilão se torna vencedor em uma batalha silenciosa e cruel. Podemos ver esse quadro entre as famílias, principalmente quando o assunto é Herança. Nas relações entre colegas de trabalho e grupos institucionais. "Meus inimigos terão que ser, também os seus!..."
As armas para esse jogo sujo, podem ser dinheiro, belezas, poder, sexo etc. A verdade que não quer calar é esta: os inocentes, sempre ficam por último, aguardando a salvação, pelo golpe final da verdade. Abrindo um parêntesis; (Não existe motivo justo para o invejoso, senão sua mente doentia, em busca do poder que o satisfaça. Uma pessoa boa, precisa se parecer má, para não conquistar e a alegre, precisa urgentemente, apagar o seu sol para que sua lua, também não apareça. Como diria o professor e conferencista brasileiro Karnal: A única pergunta do invejoso é: Porque ele e não eu?) ...E assim caminha a humanidade... Em todos os agrupamentos de pessoas, principalmente, onde o altruísmo é evidente e a bondade, encontra morada. Por fim, a verdade surge como o sol, após imensas trevas. O cruel Iago, foi desmascarado e toda a trama, veio a público. Só restou a ele, ser entregue às autoridades a fim de pagar o preço de suas maldades. Sua sentença foi de torturas severas e vergonha eterna.
Fica, a lição... A figura grotesca de Iago, não permanecerá inocente por muito tempo, pois cada dia tem o seu próprio sol.
Poderíamos citar também, dois famosos escritores brasileiros, cujas poesias amargas servem como alertas para tudo e para todos. Trata-se do famoso poeta paraibano Augusto dos Anjos, que diz em seu livro EU:
"A mão que afaga é a mesma que apedreja...". E também, o pai do simbolismo brasileiro, João da Cruz e Sousa;
(...Ó ódio sagrado! Ó ódio bom! Protegei-me, contra os vilões do Amor...) Por outro lado, poderíamos citar a frase famosa do Islã: "Está escrito". Ela se refere ao futuro, como inexistente, em vista da eternidade divina. Assim sendo, tudo que acontece conosco, já aconteceu no plano cósmico. Salomão, o grande sábio bíblico, também comunga com a mesma ideia no livro do Eclesiastes; "... O que já foi é e o que será, também, já foi..."
A meu ver, o livre-arbítrio é apenas uma estrada por onde caminha o destino.
A discussão, fica com as senhoras e senhores, leitores de minha grande jornada.
Deus vos ilumine!
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