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Ousadia de criminosos chama atenção em homicídio 

Por Redação Jornal Agora
Ousadia de criminosos chama atenção em homicídio 

Da Redação

Um homem de 25 anos, identificado como João Vitor, foi assassinado a tiros a apenas um quarteirão da sede da 7ª Região da  Polícia Militar (7ª RPM), na noite deste domingo, 16.

A vítima, que havia deixado o sistema prisional há um mês, era conhecida por passagens relacionadas ao tráfico de drogas e furto. O crime ocorreu com extrema ousadia, em plena via pública, diante de testemunhas e em um local próximo a uma das principais bases de segurança da região Centro-Oeste.  

Crime

De acordo com relatos de testemunhas, dois homens em uma motocicleta circularam pelo quarteirão pelo menos quatro vezes antes de o garupa efetuar os disparos. Além de João, sua irmã, Sarah Vitória, de 24 anos, e um terceiro homem, de 46 anos, também foram atingidos. A perícia confirmou que os tiros foram disparados com uma pistola calibre 9mm. Sarah e o outro ferido foram socorridos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhados à Sala Vermelha do São João de Deus, em Divinópolis.  

Até o fechamento desta página, por volta das 15h30 de ontem, os ocupantes da moto não haviam sido identificados ou presos. A Polícia Civil investiga o caso, que já é o 11º homicídio registrado na cidade em 2025 e o terceiro apenas no mês de março. A proximidade da execução com o comando da PM chama a atenção para a audácia dos criminosos, que parecem não temer horários, locais ou a presença de pessoas nas ruas.  

Homicídios em 2025

| Mês      | Número de Homicídios |  

|----------|----------------------|  

| Janeiro  |  3 |  

| Fevereiro| 5 |  

| Março    | 3 |  

Engrenagem complexa 

Em entrevista ao jornal Agora, o cientista social e mestre em Educação pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), Genival Souza Bento Júnior, que também é doutorando em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), falou sobre o aumento dos homicídios e a falta de temor dos criminosos. Para ele, a violência é uma engrenagem complexa da sociedade, influenciada por múltiplos fatores.  

— A violência é um problema que funciona como uma das engrenagens da sociedade atualmente. Se pensarmos a sociedade como um motor que funciona com engrenagens bem encaixadas – essas engrenagens seriam as instituições, como escola, família, igreja, Estado e polícia –, temos visto uma fragilidade na maneira como cada uma delas opera. Talvez o aumento dos homicídios não seja um problema apenas da presença ou não do policiamento, mas uma consequência da falta de conexão entre as instituições —explicou.  

Genival destacou que a desigualdade social e os problemas econômicos são fatores cruciais para o crescimento da violência. 

— A violência aumenta, mas para quem? Em quais lugares da cidade? Em qual horário e quando? Com quem está na rua? Esses homicídios são a ponta de um problema que pode ser causado pela falta de emprego e renda, pelo desejo das pessoas de conseguir bens materiais, pelo crescimento das cidades, pelo mercado do crime – tráfico, armas – e pela ideia de impunidade vivida pela população como sinônimo da segurança pública — afirmou.  

O cientista social também comentou sobre a ousadia dos criminosos, que atiraram próximo a uma base policial. 

— Talvez os responsáveis pelo crime nem tenham se preocupado com o que havia naquele lugar. O crime é para eles algo tão comum que pode ser feito em qualquer hora e lugar. Eles estavam preocupados apenas em executar o homicídio — analisou.  

Para Genival, a redução da violência exige uma ação conjunta entre as instituições e investimentos em políticas públicas. 

— É muito equivocado pensar que poderíamos ter um índice de violência igual a zero. A redução exige uma ação conjunta entre as instituições, não é algo que será corrigido em uma ou duas semanas. É necessário investimento financeiro e melhoria nas condições de trabalho dos policiais e agentes de segurança pública. O crime aumenta porque é uma alternativa para quem não tem tido alternativas. E as vítimas desse aumento também são vítimas das lacunas que as instituições têm deixado na sociedade — concluiu.  

O que diz a polícia?

A Polícia Civil (PC) informou que as investigações estão em andamento e que esforços estão sendo concentrados para identificar e prender os responsáveis pelo crime. A corporação reforçou que a proximidade do local do crime com o comando da PM não significa que a área seja desprotegida, mas sim que os criminosos estão agindo com extrema ousadia. 

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