Passagens intermunicipais ficam mais caras em Minas
Impacto é sentido por passageiros que fazem deslocamentos frequentes entre Divinópolis e municípios da região

Jorge Guimarães
Quem depende do transporte intermunicipal para se deslocar entre Divinópolis e outras cidades da região já sente no bolso o aumento das tarifas. Desde a última terça-feira, dia 8, as passagens de ônibus intermunicipais em Minas Gerais estão mais caras, após reajuste autorizado pelo governo do Estado.
O percentual varia conforme o tipo de serviço e as condições das vias. Nas linhas convencionais que circulam por estradas não pavimentadas, o reajuste pode chegar a 7,496%. Já nos trajetos realizados por rodovias asfaltadas, o aumento é de 6,705%.
Cálculos e metodologia
As novas tarifas são definidas pela Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra). Os valores, no entanto, não incluem as taxas de embarque cobradas nos terminais rodoviários, nem eventuais custos de pedágio existentes ao longo dos trajetos. Dessa forma, o valor final desembolsado pelo passageiro pode ser superior ao indicado exclusivamente pela tarifa da viagem.
O reajuste anual leva em consideração a variação dos principais custos das empresas responsáveis pelo transporte intermunicipal. Para esta atualização, foram considerados os valores registrados no período entre junho de 2025 e julho de 2026.
Entre os itens que entram na composição do cálculo estão os gastos com combustíveis, peças de reposição, manutenção e depreciação dos veículos, além de tributos e despesas relacionadas à mão de obra.
A metodologia busca acompanhar a evolução dos custos necessários para a operação do sistema, garantindo a atualização das tarifas diante das despesas enfrentadas pelas empresas.
Centro-Oeste
Na região, o reajuste das tarifas do transporte intermunicipal já aparece no dia a dia de quem depende dos ônibus para se deslocar entre as cidades. Em Divinópolis, uma das principais ligações é com Belo Horizonte, e a passagem passou de R$ 70,25 para R$ 74,95, um aumento de R$ 4,70 por trecho.
Para destinos mais próximos, os novos valores também já estão em vigor. A passagem entre Divinópolis e Carmo do Cajuru, por exemplo, passou de R$ 6,25 para R$ 6,65 no pagamento com cartão. Para quem opta pelo pagamento em dinheiro, o valor subiu de R$ 6,60 para R$ 7,00.
Quem parte de Divinópolis com destino a Itaúna passou a pagar R$ 27,05. Para Nova Serrana, a tarifa está em R$ 27,80, enquanto a viagem para Pará de Minas custa R$ 33,60. Já para Cláudio, o passageiro desembolsa R$ 35,55, e para Itapecerica, R$ 40,60.
Nas cidades mais próximas, os valores são menores, mas também tiveram atualização. A passagem de Divinópolis para São Gonçalo do Pará passou a custar R$ 11,35, enquanto o deslocamento até São Sebastião do Oeste está em R$ 12,30.
Impacto
Para quem utiliza o transporte intermunicipal regularmente, o aumento das passagens representa uma despesa a mais no orçamento. Trabalhadores e estudantes que fazem o trajeto de ida e volta entre Divinópolis e cidades da região precisam agora reorganizar os gastos para absorver os novos valores.
Para estudantes como André Luiz de Oliveira, que dependem dos ônibus para frequentar aulas em outras cidades, a preocupação é semelhante.
— A gente já precisa controlar bastante os gastos com alimentação, material e outras despesas. Com a passagem mais cara, o custo para estudar fora também aumenta — afirma o estudante que estuda na Universidade de itaúna.
Passageiros que precisam viajar para consultas médicas e outros compromissos também sentem o impacto.
— Nem sempre temos outra opção de transporte. Quando precisamos ir a outra cidade, temos que pagar a passagem, e agora o valor ficou ainda mais pesado — conta a aposentada Maria Olivia Santos.
Planejamento
Para o economista Leandro Maia, o reajuste das tarifas precisa ser analisado não apenas pelo valor pago em cada embarque, mas pelo conjunto de despesas que uma viagem pode representar para quem depende do transporte intermunicipal.
— Para quem utiliza o ônibus com frequência, o aumento da tarifa acaba tendo um efeito acumulado no orçamento. E é importante lembrar que o custo de uma viagem não se resume à passagem. Dependendo do destino e do tempo que a pessoa precisa permanecer fora de casa, podem entrar nessa conta alimentação e até pernoite — explica.
Segundo o economista, esse impacto tende a ser mais significativo para trabalhadores, estudantes e pessoas que precisam viajar regularmente para ter acesso a serviços ou oportunidades em outros municípios.
— Quando somamos ida e volta e multiplicamos isso pela quantidade de viagens realizadas durante o mês, percebemos que uma diferença aparentemente pequena por passagem pode representar uma despesa relevante no orçamento familiar — avalia Leandro Maia.
Conforme o especialista, para esses passageiros, o novo cenário reforça a necessidade de planejamento financeiro, principalmente em deslocamentos frequentes entre Divinópolis e outras cidades da região.
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