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Pastor de Divinópolis é alvo de novo inquérito que apura golpe de quase R$ 5 milhões

Pastor de Divinópolis é alvo de novo inquérito que apura golpe de quase R$ 5 milhões

Lucas Maciel

Um novo inquérito da Polícia Civil abriu mais um capítulo no caso do pastor Jesiel Júnior Costa Oliveira, já condenado a 33 anos de prisão por estelionato e lavagem de dinheiro em Divinópolis. Desta vez, a apuração, que tramita em Belo Horizonte, aponta para um prejuízo ainda maior: cerca de R$ 4,9 milhões, segundo relato de uma das vítimas.

O documento, ao qual o Agora teve acesso, descreve a atuação de um suposto grupo criminoso liderado pelo pastor, com participação de outros envolvidos. A investigação indica que os golpes teriam ocorrido de forma continuada entre 2019 e 2025, com base em promessas de investimentos, abertura de contas bancárias e negócios que não se concretizavam.

A vítima que formalizou a denúncia é proprietária de uma empresa do setor de turismo e afirma ter sido levada a acreditar em propostas financeiras estruturadas, que resultaram em perdas milionárias. O inquérito determina a apuração detalhada da vida financeira e patrimonial dos investigados, além da expedição de intimações e produção de relatórios técnicos.

Condenação anterior

O avanço das investigações ocorre após a defesa ter recorrido da condenação aplicada em outubro de 2025, levando o caso ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Na ocasião, a Justiça reconheceu que o pastor cometeu uma série de golpes entre 2017 e 2019, utilizando sua posição religiosa para atrair vítimas com promessas de altos lucros.

A sentença, proferida pela 3ª Vara Criminal da Comarca de Divinópolis, apontou que os crimes foram praticados de forma independente, em diferentes contextos e com vítimas distintas. Ao todo, ele foi condenado por sete casos de estelionato e três de lavagem de dinheiro, além de ser obrigado a pagar indenizações que somam R$ 288 mil.

Histórico

O caso teve início em 2019, quando o pastor foi preso preventivamente durante investigações conduzidas pela Polícia Civil. À época, ele foi apontado como responsável por um esquema que envolvia a venda de franquias de uma empresa de recursos de multas de trânsito, sem autorização legal para operar como franqueadora.

Segundo as investigações, vítimas eram convencidas a investir grandes quantias com a promessa de retorno garantido. Muitas relataram ter vendido imóveis e veículos ou utilizado economias pessoais para aderir ao suposto negócio. Após os pagamentos, os contratos não eram cumpridos e não havia retorno financeiro.

Outro ponto central do esquema, conforme apurado, era o uso de contas bancárias da igreja liderada por Jesiel para movimentar os valores obtidos, simulando doações e dificultando o rastreamento do dinheiro, prática que configurou o crime de lavagem de capitais.

As investigações também apontaram que o pastor se apresentava como advogado, sem possuir registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o que resultou em acusações adicionais por falsidade ideológica e exercício ilegal da profissão.

O Ministério Público denunciou o caso em 2025, destacando a existência de provas como contratos considerados falsos, comprovantes de depósitos e depoimentos de vítimas. Na época, o prejuízo identificado ultrapassava R$ 550 mil — valor significativamente inferior ao apontado no novo inquérito.

Desdobramentos

Ao longo dos anos, o processo foi marcado por uma série de episódios, incluindo pedidos da defesa para flexibilização de medidas cautelares, adiamentos de audiências e tentativas de liberação para viagens internacionais, negadas pela Justiça.

Durante o andamento da ação penal, o pastor manteve presença ativa nas redes sociais, onde atuava como influenciador e coach financeiro, utilizando o nome “Dr. Dâmaso”. Segundo relatos recentes, os perfis foram desativados.

Agora, com a abertura de um novo inquérito e a ampliação dos valores investigados, o caso ganha novos contornos e pode resultar em desdobramentos judiciais adicionais, inclusive com a inclusão de outros investigados.

Posicionamento

Até o momento, não houve manifestação pública da defesa de Jesiel sobre as novas acusações. O espaço segue aberto para posicionamento dos citados.

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