Divinópolis registra, em 2025, o maior número de casos de tuberculose dos últimos 10 anos

Gabriela Lara
O avanço da tuberculose em Divinópolis acende um alerta para a saúde pública. O município registrou, em 2025, o maior número de casos desde 2012 (ano com os primeiros dados disponíveis), com 62 confirmações da doença, segundo dados disponibilizados pela Prefeitura de Divinópolis. Em 2026, até o dia 3 de março, já são 10 casos registrados, indicando a manutenção de índices elevados logo no início do ano.
Crescimento dos casos
A série histórica mostra uma tendência de aumento recente após um período de relativa estabilidade. Entre 2012 e 2019, os registros oscilaram entre 21 e 53 casos anuais. Em 2020, houve queda para 37 casos, seguida por números próximos nos anos seguintes: 46 em 2021, 49 em 2022 e 45 em 2023. Em 2024, foram contabilizados 56 casos, até atingir o pico em 2025, com 62 confirmações.
O pneumologista Pedro Vilela destaca que esse crescimento não é um fenômeno isolado.
— Divinópolis, como uma das cidades mais importantes do estado, acompanha essa tendência e tem mostrado um aumento nos números de casos de tuberculose. Isso não é só no município, mas em todo o país, e Minas Gerais, infelizmente, está entre os estados com maior número de infectado — afirmou.
Pandemia
Pedro Vilela destaca que entre os fatores que ajudam a explicar o aumento, está o impacto da pandemia de Covid-19 sobre os serviços de saúde.
— A partir de 2022, 2023, com a recuperação da pandemia, a gente começa a ter também uma recuperação da capacidade do sistema de saúde, que foi muito sobrecarregada. As taxas de diagnóstico caíram naquele período e depois voltaram a subir com a retomada dos testes — explicou.
Além disso, ele ressalta que a doença está diretamente ligada a condições sociais.
— A bactéria da tuberculose vai atingir principalmente pessoas vulneráveis, como aquelas em situação de pobreza extrema, desnutrição, com doenças da imunidade ou privadas de liberdade — pontuou.
Perfil dos casos
Os dados de 2025 em Divinópolis mostram predominância significativa entre homens, que representam 80,65% dos casos, enquanto as mulheres correspondem a 19,35%. A distribuição por faixa etária indica maior concentração entre adultos: 16 casos entre 40 e 49 anos, 15 entre 30 e 39 anos e 10 registros tanto na faixa de 20 a 29 quanto entre 60 e 69 anos.
Entre os agravos associados, o tabagismo aparece como o principal fator, presente em 31 casos. Também foram identificados alcoolismo (16), uso de drogas ilícitas (12), além de diabetes e doença mental, com cinco casos cada, e aids, com dois registros.
Em 2026, os dados iniciais mantêm o mesmo perfil, com destaque novamente para o tabagismo, presente em sete dos 10 casos já confirmados, seguido por alcoolismo (5) e uso de drogas ilícitas (4).
O médico também alerta para o crescente número de usuários de cigarros eletrônicos.
— O uso destes dispositivos de cigarros eletrônicos está relacionado com o maior número de infecções respiratórias. Dentro dessas infecções respiratórias está a tuberculose — explicou.
Vilela ainda chama atenção para o crescimento do uso de cigarros eletrônicos, especialmente entre jovens.
— São dispositivos que fazem muito mal, são dispositivos que não são seguros, causam câncer e aumentam sim o risco de ter tuberculose. Então são dispositivos que não devem ser consumidos, não existe limite seguro para o consumo e que podem causar outras doenças — afirmou.
O que é a tuberculose
A tuberculose é uma doença infecciosa e transmissível causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch. A forma mais comum é a pulmonar, responsável pela manutenção da cadeia de transmissão, embora a doença também possa atingir outros órgãos.
A transmissão ocorre pelo ar, por meio de partículas eliminadas na tosse, fala ou espirro de uma pessoa com a doença ativa e sem tratamento. Estima-se que um indivíduo nessa condição possa infectar de 10 a 15 pessoas ao longo de um ano.
Sintomas e diagnóstico
O principal sintoma da tuberculose pulmonar é a tosse persistente por três semanas ou mais, que pode ser seca ou com catarro. Outros sinais incluem febre no período da tarde, suor noturno e emagrecimento.
O diagnóstico pode ser feito por diferentes métodos, incluindo avaliação clínica, exames laboratoriais, de imagem e testes específicos. A identificação precoce é fundamental tanto para o início do tratamento quanto para a interrupção da cadeia de transmissão.
Tratamento e cura
O tratamento da tuberculose é gratuito e disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A doença tem cura quando o tratamento é realizado de forma adequada até o final. Uma das estratégias adotadas pelos serviços de saúde é o tratamento diretamente observado (TDO), que busca garantir a adesão do paciente e aumentar as chances de sucesso terapêutico.
Prevenção
A prevenção envolve medidas como ambientes ventilados, exposição à luz solar, higiene ao tossir e evitar aglomerações, especialmente em locais fechados. A vacina BCG, aplicada na infância, protege contra as formas mais graves da doença. Pedro Vilela reforça a importância da atenção ao tema.
— A tuberculose é uma doença grave, é uma doença fatal, e é uma doença que tem cura. Apesar dela estar com a gente há milhares de anos, e hoje já temos disponíveis diversos tratamentos curativos para a doença, ainda temos uma taxa de infecção pela tuberculose muito mais alta do que deveríamos ter — afirmou.
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