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Fé que atravessa gerações: Divinópolis revive tradição na Paixão de Cristo

Fé que atravessa gerações: Divinópolis revive tradição na Paixão de Cristo

Da Redação

A fé tomou conta do ginásio poliesportivo Fábio Botelho Notini na última Sexta-feira Santa e transformou a noite em um dos momentos mais simbólicos do calendário cultural de Divinópolis. A 51ª edição da Encenação da Paixão de Cristo reuniu moradores, artistas e famílias em um espetáculo que, mais do que tradição, reafirma o papel da cultura como elo entre gerações.

Com mais de cinco décadas de história, a apresentação, conduzida pelo Grupo Teatral Nova Jerusalém, recriou os últimos momentos da vida de Jesus Cristo e voltou a emocionar o público. Em cada cena, silêncio, aplausos e lágrimas se misturaram em uma experiência coletiva marcada por espiritualidade e reflexão.

A força do evento não está apenas na encenação em si, mas na capacidade de mobilizar a comunidade. Ao longo dos anos, a Paixão de Cristo se consolidou como um dos principais símbolos culturais e religiosos da cidade, reunindo diferentes públicos em torno de uma mesma mensagem. Para muitos, é um reencontro com a fé; para outros, um momento de tradição familiar.

— Foi um momento muito lindo, emocionante e cheio de significado. A gente consegue sentir a fé em cada cena — afirmou Maria José dos Santos, que acompanhou a apresentação.

A cada edição, o espetáculo reforça seu caráter coletivo. Não se trata apenas de assistir, mas de vivenciar. A encenação cria um ambiente onde cultura, religiosidade e identidade local se entrelaçam, fortalecendo laços comunitários e mantendo viva uma tradição que atravessa décadas.

— É uma apresentação que nos faz refletir profundamente sobre a mensagem de Cristo — completou Carlos Duarte da Silva.

Tradição 

Embora consolidada em Divinópolis, a encenação da Paixão de Cristo tem raízes que remontam a uma das maiores experiências teatrais do país. O modelo que inspira apresentações como a da cidade nasceu no interior de Pernambuco, no município de Brejo da Madre de Deus, onde foi criada, em 1951, a famosa Paixão de Cristo de Nova Jerusalém.

Idealizada por Epaminondas Mendonça, a encenação começou de forma simples, nas ruas da vila de Fazenda Nova, com participação de moradores e familiares. A proposta surgiu após o contato com tradições europeias, como a encenação da cidade alemã de Oberammergau, e tinha um objetivo claro: unir fé e cultura, além de movimentar a economia local.

Com o passar dos anos, o espetáculo ganhou proporção e atraiu artistas profissionais, consolidando-se como referência nacional. Em 1968, a ideia evoluiu para a criação de uma cidade-teatro, concebida por Plínio Pacheco, que reproduz cenários bíblicos em uma estrutura monumental.

Hoje, o espaço é considerado o maior teatro ao ar livre do mundo, com cerca de 100 mil metros quadrados e cenários que simulam ruas, templos e palácios de Jerusalém. Ao longo das décadas, já recebeu milhões de espectadores e contou com a participação de grandes nomes da dramaturgia brasileira.

Reflexo local 

Em Divinópolis, a encenação segue esse espírito de continuidade. Adaptada à realidade local, mantém a essência da tradição: narrar, por meio da arte, uma das histórias mais marcantes da cultura cristã.

A cada ano, o espetáculo ganha novos elementos, mas preserva o compromisso com a mensagem original. A participação do Grupo Teatral Nova Jerusalém, responsável pela encenação há décadas, garante essa continuidade e reforça o caráter histórico da apresentação.

Mais do que um evento pontual, a Paixão de Cristo se tornou parte da identidade cultural da cidade. Ao reunir moradores em torno de um mesmo espaço, cria um momento de pausa em meio à rotina, convidando à reflexão sobre valores como fé, solidariedade e esperança.

— Ao apoiar iniciativas que atravessam gerações, a Prefeitura de Divinópolis reafirma seu compromisso com a preservação das tradições culturais e o fortalecimento da identidade do município — afirmou o secretário municipal de Cultura, Mardey Russo.

Cultura que permanece

A longevidade da encenação em Divinópolis evidencia a força da cultura como instrumento de conexão social. Em um cenário de constantes mudanças, manter tradições vivas exige envolvimento coletivo, algo que o espetáculo demonstra a cada edição.

Ao completar 51 anos, a Paixão de Cristo reafirma sua relevância não apenas como manifestação religiosa, mas como patrimônio cultural da cidade. Mais do que reviver uma história, o evento mantém acesa uma prática que une passado e presente.

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