Com mais de 5 mil projetos, Lei Rouanet bate recorde de captação no início de 2026

Da Redação
O investimento em cultura no Brasil começou 2026 em ritmo acelerado e com resultado histórico. Nos três primeiros meses do ano, a Lei Rouanet registrou a maior captação já contabilizada para o período, somando R$ 355,4 milhões em recursos viabilizados por meio de renúncia fiscal.
O número representa um avanço significativo em relação aos anos anteriores e consolida uma curva de crescimento que vem se intensificando. Em comparação com 2025, quando foram captados R$ 315,1 milhões no primeiro trimestre, o aumento foi de 12,7%. Já em relação a 2024, quando o volume chegou a R$ 178,7 milhões, o salto é ainda mais expressivo: 98,8%.
Na prática, os dados indicam não apenas maior volume de recursos, mas também um aumento na adesão ao mecanismo por parte de empresas e patrocinadores, além da ampliação do número de projetos culturais em execução. Atualmente, 5.024 iniciativas estão ativas em todo o país, distribuídas por todos os estados e pelo Distrito Federal.
Para a ministra da Cultura, Margareth Menezes, o resultado reflete uma mudança no papel da cultura dentro das políticas públicas.
— Esse resultado histórico mostra que a cultura voltou a ser tratada como política pública estratégica para o desenvolvimento do Brasil — afirmou.
Avanço em sequência
A evolução dos números ao longo dos últimos anos ajuda a dimensionar o crescimento. Em 2022, a captação no primeiro trimestre foi de pouco mais de R$ 107 milhões. Em 2023, subiu para R$ 162,6 milhões. Em 2024, chegou a R$ 178,7 milhões. O salto mais expressivo veio a partir de 2025, quando o volume ultrapassou os R$ 300 milhões, patamar agora ampliado em 2026.
O aumento acompanha também a expansão do número de projetos cadastrados e aprovados no Sistema de Acesso às Leis de Incentivo à Cultura (Salic), que organiza e acompanha todas as etapas — da inscrição à execução e prestação de contas.
Na avaliação do secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, Thiago Rocha, o cenário indica fortalecimento do mecanismo.
— Já demonstramos que o instrumento gera renda e emprego, além de retornar tributos para os cofres públicos — destacou.
Mais projetos, mais alcance
Outro fator que ajuda a explicar o crescimento é a ampliação das linhas específicas de incentivo criadas nos últimos anos. Programas como o Rouanet Norte, o Rouanet nas Favelas e o Rouanet da Juventude passaram a direcionar recursos para regiões e públicos historicamente menos contemplados.
Mais recentemente, iniciativas como o Rouanet Nordeste e o Rouanet no Interior reforçaram essa estratégia, ampliando o alcance territorial dos investimentos e estimulando a produção cultural fora dos grandes centros.
A descentralização, aliada à maior transparência e ao controle das informações por meio do sistema oficial, também tem contribuído para aumentar a confiança de patrocinadores no mecanismo.
Efeito na economia
O impacto vai além da produção cultural. Projetos financiados pela Lei Rouanet movimentam cadeias produtivas inteiras, gerando empregos diretos e indiretos em áreas como eventos, audiovisual, artes cênicas e patrimônio cultural.
Além disso, o investimento amplia o acesso da população à cultura, com a realização de atividades em diferentes regiões e contextos sociais.
Com o desempenho registrado no primeiro trimestre, a tendência é de que 2026 mantenha o ritmo de crescimento ao longo do ano. O resultado reforça o papel da Lei Rouanet como principal instrumento de financiamento cultural do país e indica um cenário de maior dinamismo para o setor.
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