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PF fica mais caro para o bolso dos brasileiros

Por Bruno
PF fica mais caro para o bolso dos brasileiros

Jorge Guimarães 

O tradicional prato feito (PF), presença constante na mesa de milhões de brasileiros, já não é mais a alternativa econômica de outros tempos para quem precisa almoçar fora de casa. A combinação clássica de arroz, feijão, carne, salada e acompanhamentos continua sendo uma das preferidas dos consumidores, mas o preço tem subido de forma consistente, acompanhando o aumento dos custos da alimentação e da operação dos restaurantes.

Alta

A percepção de que o prato feito está mais caro é confirmada por números. É o que mostra o Índice Prato Feito (IPF), elaborado pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Faculdade do Comércio (FAC-SP). Segundo o levantamento, o preço médio da refeição, englobando todas as regiões do Brasil, chegou a R$ 31,90 em junho, registrando alta de 5,4% em relação a março e de 7,2% na comparação com janeiro.

Divinópolis

Em Divinópolis, quem depende do tradicional PF no dia a dia já percebe a diferença no bolso. O auxiliar administrativo José Carlos de Souza afirmou que precisou adaptar a rotina. 

— Antes eu almoçava todos os dias em restaurante. Agora levo marmita algumas vezes na semana para economizar. Quando compro o prato feito, pesquiso onde está mais em conta — contou.

A atendente Maria Julia Meneses também mudou os hábitos. 

— O preço aumentou bastante. Hoje procuro restaurantes com promoções ou escolho pratos menores. No fim do mês, qualquer economia faz diferença — relatou.

Para o economista Lázaro Ribeiro, o aumento do prato feito é consequência da pressão dos custos sobre toda a cadeia de alimentação. 

— Os restaurantes enfrentam sucessivos reajustes em insumos, energia, aluguel e despesas com pessoal. Como as margens de lucro costumam ser reduzidas, parte desse aumento acaba sendo repassada ao consumidor — explicou.

Pesquisa

Segundo o economista, a tendência é que os consumidores se tornem ainda mais criteriosos na hora de escolher onde almoçar. 

— A pesquisa de preços passa a fazer parte da rotina, assim como a busca por estabelecimentos que ofereçam melhor custo-benefício ou programas de fidelidade. Em momentos de orçamento apertado, pequenas economias no dia a dia representam um impacto significativo no fim do mês — destacou.

Embora o PF continue sendo uma das opções mais procuradas por trabalhadores, estudantes e consumidores que fazem as refeições fora de casa, o aumento acumulado já faz com que a refeição comprometa uma parcela maior do orçamento mensal. 

— Diante desse cenário, a tendência é que a busca por preços mais competitivos e alternativas para reduzir os gastos com alimentação continue crescendo nos próximos meses — pontuou. 

Restaurantes

O aumento no preço do prato feito também é reflexo da realidade enfrentada pelos restaurantes. Empresários do setor afirmam que manter um cardápio acessível tem sido um dos maiores desafios diante da alta dos custos de operação registrada nos últimos meses.

Segundo os proprietários, o reajuste no valor da refeição é uma medida adotada apenas quando se torna inevitável. A prioridade, dizem, é preservar a clientela, mas o aumento dos preços dos alimentos, da energia elétrica, do gás de cozinha, dos aluguéis e da folha de pagamento tem reduzido cada vez mais as margens de lucro.

— O cliente sente quando o preço aumenta, mas nós também sentimos quando compramos os insumos. Carnes, arroz, feijão, óleo e hortifrutigranjeiros sofreram reajustes frequentes. Durante muito tempo absorvemos esses aumentos, mas chega um momento em que não há alternativa —  afirmou o sócio proprietário de tradicional restaurante da região central de Divinópolis, Rolando Meneses.

Já a empresária Suzana Araujo destaca que a estratégia tem sido buscar eficiência para evitar repassar todo o aumento ao consumidor. 

— Renegociamos com fornecedores, reduzimos desperdícios e revimos processos internos. Mesmo assim, alguns reajustes foram inevitáveis para garantir a continuidade do negócio — disse. 

Há também quem tenha optado por diversificar o cardápio. 

— Passamos a oferecer opções com proteínas mais acessíveis e pratos executivos em diferentes faixas de preço. Dessa forma, conseguimos atender clientes com perfis variados sem comprometer a qualidade das refeições — explicou o gerente do setor, Gilberto Alves.

Apesar das dificuldades, os donos de restaurantes afirmam que o prato feito continua sendo o carro-chefe dos estabelecimentos. 

— A expectativa é que, com uma maior estabilidade nos preços dos alimentos e dos custos de produção, seja possível conter novos reajustes nos próximos meses e manter a refeição como uma alternativa de bom custo-benefício para trabalhadores e estudantes — concluiu Ribeiro.

Supermercado

O aumento é também reflexo de uma cadeia de custos que começa nas prateleiras dos supermercados. Segundo o gerente de supermercado Sérgio Antônio de Oliveira, diversos produtos básicos utilizados diariamente pelos restaurantes sofreram oscilações de preços nos últimos meses, impactando diretamente o custo das refeições.

— Os estabelecimentos que trabalham com alimentação acompanham de perto as variações dos alimentos. Itens como carnes, arroz, feijão, óleo, hortaliças e legumes passaram por reajustes em diferentes períodos do ano. Mesmo quando alguns produtos apresentam queda, outros continuam em alta, dificultando a redução do custo final das refeições — explicou.

De acordo com Sérgio Antônio, a sazonalidade da produção agrícola e fatores climáticos também exercem forte influência sobre os preços. 

— Produtos como tomate, cebola, batata e verduras costumam variar bastante conforme a oferta. Quando há redução na produção ou problemas climáticos, o impacto chega rapidamente ao consumidor e aos restaurantes — avaliou.

Alternativas 

O gerente ressaltou que os empresários do setor alimentício têm buscado alternativas para amenizar os efeitos dessas oscilações. 

— Muitos restaurantes pesquisam fornecedores, aproveitam promoções e negociam compras em maior volume para reduzir custos. É um trabalho diário de gestão para conseguir manter a qualidade das refeições sem elevar demasiadamente os preços — definiu.

Para os consumidores, a recomendação também é de atenção às oportunidades de economia. 

— Vale acompanhar as ofertas dos supermercados e, para quem prepara as refeições em casa, substituir alguns produtos quando há aumentos expressivos. Já para quem almoça fora, a pesquisa entre os restaurantes continua sendo uma boa estratégia para encontrar opções com melhor custo-benefício — alertou. 

Na avaliação de Sérgio Antônio de Oliveira, enquanto persistirem as oscilações nos preços dos alimentos e demais custos da cadeia produtiva, a tendência é que os restaurantes continuem enfrentando dificuldades para manter o valor do tradicional prato feito sem a necessidade de novos reajustes.

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