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Polícia

Polícia Civil lança operação ‘Escarlate’ para combater tráfico e homicídios em Divinópolis 

Polícia Civil lança operação ‘Escarlate’ para combater tráfico e homicídios em Divinópolis 

Elian Ozéias

A Polícia Civil com o apoio da Polícia Militar, deflagrou, na madrugada desta segunda-feira, 9, a operação “Escarlate”, uma ação estratégica para combater uma onda de homicídios e o tráfico de drogas na cidade. A investigação, que já dura meses, mira uma organização criminosa responsável por assassinatos na cidade.

Operação

Dois suspeitos de 35 e 36 anos foram presos temporariamente no bairro Afonso Pena, enquanto mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados ao grupo, incluindo dentro do presídio Floramar, onde agentes buscaram provas de que ordens criminosas estariam partindo de dentro da unidade prisional. 

Investigação

O delegado Hans Baía, responsável pelas investigações, detalhou que a operação surgiu após a apuração de um homicídio qualificado, mas, no decorrer das diligências, outros três crimes foram conectados ao mesmo grupo – dois homicídios consumados e uma tentativa contra uma mulher.  

— Conseguimos elementos suficientes para comprovar que os presos hoje têm relação direta com esses crimes. A motivação é a disputa por poder no tráfico de drogas — afirmou Baia.  

Segundo as apurações, um dos investigados, já preso no Floramar, estaria coordenando ações criminosas de dentro da prisão, incluindo mandados de execução. Houve busca por aparelhos celulares que  estariam com um detento no Floramar, mas, segundo Baia, nada foi encotrado. 

Casal é exucado no Choro

A violência em Divinópolis ganhou contornos ainda mais dramáticos na madrugada da última sexta-feira, 6, quando um casal foi assassinado a tiros na Estrada dos Lopes, na comunidade do Choro. O homem, de 39 anos, e a mulher, de 25, foram encontrados por moradores perto de um mata-burro, com marcas de disparos de pistolas calibre .40 e 9mm, e acionaram a Polícia Militar.  

Apesar das vítimas terem passagens pela polícia – ele por furto, ela por uso de drogas –, o caso ainda não teve motivação definida. A Polícia Civil segue com as investigações. No entanto, especialistas não descartam ligação com a guerra entre facções.  

Com esse crime, Divinópolis atingiu a marca de 22 homicídios em 2025, quatro em um período de seis dias. O número já supera o registrado no mesmo período de 2024, quando a cidade contabilizava dez assassinatos até junho.  

2024 x 2025

| Mês      | 2024 | 2025 |  

|--------------|---------|---------|  

| Janeiro  | 0       | 3       |  

| Fevereiro| 2       | 5       |  

| Março    | 4       | 4       |  

| Abril    | 1       | 2       |  

| Maio     | 2       | 4       | (Inclui 1 feminicídio) |  

| Junho  | 1       | 2       |  

Além disso, o município já registrou 11 tentativas de homicídio em 2025.

Perfil das vítimas

Dos 22 assassinatos neste ano, 15 vítimas eram jovens entre 18 e 29 anos, um dado que reflete o possível recrutamento de adolescentes e adultos jovens pelo tráfico. A violência concentra-se em bairros periféricos, onde o crime organizado disputa território.  

Pobreza, exclusão e criminalidade

Em entrevista ao Agora, o cientista social Genival Bento Júnior analisou o cenário de violência em Divinópolis. Para ele, falta de políticas públicas empurra muitos jovens para a marginalidade.  

— Não se trata de justificar o crime, mas de entender que a exclusão social facilita a entrada nesse ciclo. Quando não há emprego, educação ou saúde, o tráfico pode parecer a única saída — explica.  

Bento Júnior também critica a desumanização do outro em uma sociedade desigual.  

— Quando deixamos de ver o próximo como parte da comunidade, a violência vira resposta. O que leva alguém a matar? Que ‘dívida’ justifica um assassinato? — indaga. 

O que esperar 

A Polícia Civil afirma que as investigações continuam em andamento e que novas prisões podem ocorrer. A operação visa desarticular a rede de comando do tráfico e reduzir os índices de homicídios na cidade.  

Enquanto isso, a população de Divinópolis vive sob tensão, esperando que ações como a “Escarlate” tragam não apenas prisões, mas também políticas de prevenção que ataquem as raízes da violência.  

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