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Preto no Branco

Preto no Branco

Conchavos 

Não resta dúvida que exprimir sobre a política praticada no Brasil, é falar em conluios. Lamentável, triste? Sim. Mas esta é a realidade no país desde o início de tudo. Em qualquer época do legado como como nação — e olha que já se vão mais de cinco séculos, e a mancomunação sempre faz parte das principais jogadas de um povo que herdou essa prática deplorável do nosso descobridor. Não por acaso, só não levou as florestas daqui para Europa porque não tinha como transportar. O tempo passou e tudo segue como antes, só evoluiu, em especial na política. No país, no Estado, em Divinópolis... É um tal de troca de favor. "Faço isso, mas me dá aquilo"! A última legislatura da Câmara mostrou bem isso. E essa, então, que nem começou e os "acordos" seguem a todo vapor. O curioso é que quem faz, acha que ninguém fica sabendo. É como diria minha mãe, exemplo de honestidade, se viva estivesse: "Quem vê cara, não vê coração"! Simples assim. 

Potencial 

E por falar em tratos políticos, o ex-presidente  Bolsonaro (PL) citou o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), como um dos nomes com potencial de disputar a Presidência da República em 2026. Em entrevista à Folha de S. Paulo, na sexta, 28, Bolsonaro afirmou: “O Zema é uma pessoa que fez uma boa gestão lá em Minas”. No passado? Porque até onde se sabe,  até o ano que vem, ele segue à frente do Executivo mineiro. O nome de Zema foi citado em uma pergunta sobre o governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas. Bolsonaro foi questionado se o apoiador, do Republicanos, despontava como principal nome da direita para concorrer às eleições presidenciais, caso continue inelegível. Na resposta, o comandante do Executivo em SP, foi elogiado e Zema citado como outro exemplo de gestor que poderia ser uma alternativa. Isso, claro, se o ex-presidente estiver impedido ainda pela Justiça de concorrer. Visto que ele já deixou evidente que sua intenção é disputar novamente a principal cadeira do país. A situação é bem complexa. Mas, em se tratando de Brasil, leis e mais uma vez "conchavos", não é nada difícil.

Reverter 

Tanto é possível que o ex-presidente afirmou na entrevista que buscará reverter sua situação jurídica para viabilizar sua candidatura. Caso isso não ocorra, mantém suas "cartas nas manga", como citou os dois governadores.  Zema, por mais que seja visível que é isso que ele quer, tem adotado uma postura cautelosa em relação a uma possível candidatura presidencial. Chegou a dizer em entrevista há pouco mais de um mês, que não tem esta pretensão. No entanto afirmou: “mas, para mim, missão dada é missão cumprida”. Ou seja: "não quero ainda por falta de um convite oficial". E não está muito longe disso, visto que informações de bastidores garantem que ele não quer ser um mero coadjuvante no processo, nem mesmo vice. Apenas o papel principal lhe serve. Presunçoso o moço, hein! 

As cartas 

A interação recente nas redes sociais entre o governador e o ex-presidente, e a demonstração de apoio e admiração mútua, mostram bem que as peças já estão sendo postas, aguardando apenas o início do jogo.  A decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que tornou Bolsonaro réu por tentativa de golpe de Estado, pode ser citada como o último exemplo da troca de afeto. Zema usou as redes sociais para chamar o ex-presidente de "maior liderança da direita do Brasil". Do lado de lá: “governador, muito obrigado pelas palavras, consideração e deixo aqui também minha consideração e grande carinho por Vossa Excelência"! Resumindo: "Para um bom entendedor, assovio é fala"!

Decepcionada

Ainda na seara conspiração, a deputada federal Carla Zambelli,  também PL, disse em entrevista à Folha de S. Paulo publicada neste domingo, 30, estar vivendo um dos momentos mais difíceis de sua trajetória política. Investigada por perseguir um homem com uma arma de fogo, ela revelou também estar decepcionada com a falta de apoio de Bolsonaro, a quem sempre esteve ligada politicamente. A relação entre os dois sofreu um baque e esfriou recentemente, quando Bolsonaro declarou que a deputada teve responsabilidade pela derrota da direita nas eleições de 2022.  Para Zambelli, a fala foi um golpe duro e  não  esconde o sentimento de abandono. E foi além, ao afirmar que não só ela, mas outras pessoas também perderam a amizade do presidente no momento que precisaram. Horrendo. Porém, impressionante! Mesmo sendo uma pessoa tão experiente na política, ainda se surpreende com atitudes como essa. Logo em um meio onde prevalece o jogo de interesses. A partir do momento que não serve mais, o "parceiro", que tinha seu "guia" como um ídolo, simplesmente é descartado. 

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