Professores da UFSJ aderem greve por reajuste salarial

Ígor Borges
Após muitos dias de discussão entre docentes de seu corpo acadêmico, a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) paralisou suas atividades estudantis ontem, 22. A decisão oficial ocorreu por meio de uma assembleia geral dos professores na última semana.
Os servidores reivindicam reajuste salarial acima da inflação. Além de planos para reestruturar a carreira e revogação de instruções normativas. Outra instituição da cidade que aderiu à greve foi o Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet).
O Agora conversou com uma representante do Centro Acadêmico do curso de Farmácia. Ela revelou que os estudantes do curso apoiam a paralisação e defendem a luta pelos direitos dos professores.
Paralisação
Os docentes da UFSJ aprovaram, em assembleia, a adesão à greve nacional da educação federal. A interrupção das atividades ocorreram desde ontem.
De acordo com a Seção Sindical dos Docentes da UFSJ , mais de 200 docentes participaram da assembleia. O resultado da votação de adesão à greve foi de 171 votos favoráveis, 24 votos e 8 abstenções.
O Cefet também aderiu à greve na última quarta-feira, e as atividades estão paralisadas desde então.
Reivindicações
De forma geral, as principais reivindicações são para reajustes salariais, de forma que isso ocorra acima dos valores da inflação. Eles também querem reestruturação de carreira e revogação de instruções normativas, ou seja, melhorias de estrutura para trabalho.
Segundo a seção, a reunião aprovou, de forma simbólica, a adesão dos docentes à greve nacional da educação federal a partir do dia 15 deste mês. A adoção foi simbólica já que as votações ocorreram na base e cada instituição seguiu seu resultado.
Em Divinópolis, uma reunião para que as atividades fossem suspensas ocorreu ainda na quarta-feira.
O docente Cláudio Alberto dos Santos, membro do Comitê Local de Mobilização recordou aos presentes a realização da 8ª reunião da Mesa Nacional de Negociação Permanente (MNNP), em que o governo reforçou a proposta de zero por cento de reajuste salarial para 2024 e aumento dos benefícios, como auxílio alimentação, saúde e creche. Para ele, isso prejudica os aposentados.
— Nós defendemos a isonomia entre ativos e inativos — sinalizou.
Cláudio também apontou a tentativa do governo de inserir uma cláusula anti-greve no acordo, da qual o mesmo recuou na mesma noite, após pressão das entidades. Além disso, as negociações vão acontecer nas mesas setoriais. O governo retirou a proposta de reajuste linear de 9% em 2024 e 2025, com 4,5% em cada ano. Desta forma, cada categoria terá a possibilidade de negociar e aumentar seu percentual.
Estudantes
Em meio à paralisação, uma das principais dúvidas é quanto aos estudantes, que podem ficar defasados quanto ao calendário de ensino. No entanto, a reportagem conversou com a estudante de Farmácia e conselheira estudantil do curso, Gabriela Ferreira, ela afirmou o apoio dos alunos.
— O que os estudantes estão aderindo é a causa dos docentes, porque queremos garantir que o ensino gratuito de qualidade continue a ser ofertado a várias gerações. Mesmo que não seja um ataque direto, sabemos que os pequenos passos fazem diferença — apoiou.
Ela comentou ainda que, apesar da paralisação das atividades, alguns professores aplicarão provas nesta semana, para que os alunos não sejam prejudicados.
Docentes
A presidente da ADUFSJ, Carolina Ribeiro Xavier, realizou um resgate das atividades da diretoria da seção sindical nos primeiros meses de 2024.
Desde o começo do ano, atos, assembleias e outras ações foram elaboradas para reivindicar os direitos exigidos agora com o começo da greve.
A professora Tatiane Marina Pinto Godoy, 1ª secretária da ADUFSJ completou as falas durante a assembleia.
— Talvez não tenhamos consenso nessa assembleia no método de mobilização, mas temos consenso nas pautas e na defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade. Que o resultado nos unifique, independente de qual seja — completou.
Uma nova assembleia estava marcada para essa semana, para que seja constituído o comando local de greve, assim como a deliberação das pautas locais de greve e a adoção do “Fundo de Greve”.
A greve
Mais de 20 universidades federais de todo o Brasil aderiram à greve de professores no último dia 15. Do total, oito ficam em Minas Gerais Além da categoria, servidores técnico-administrativos (TAEs) já estão paralisados desde o dia 11 de março. Dentre as motivações da paralisação geral, estão reivindicações de direitos dos TAEs.
Informações do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), dão conta de que 21 instituições de ensino estão em greve no país.
Em Minas, são oito no total:
- Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ)
- Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
- Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet)
- Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG)
- Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM)
- Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)
- Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
- Universidade Federal de Viçosa (UFV)
Foto: Divulgação/ADUFSJ
Legenda: Votação ocorreu em assembleia na última semana
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