Carregando clima…
Política

Projeto sobre ponto biométrico mofa na Câmara

Por Portal Agora
Projeto sobre ponto biométrico mofa na Câmara

Maria Tereza Oliveira

Aguardando há meses para ser apreciado em plenário, o Projeto de Lei (PL) 05/2019 visa incluir a obrigatoriedade do ponto biométrico para os assessores parlamentares que prestam serviços diretamente aos gabinetes dos vereadores. A proposta é de autoria da Mesa Diretora. Conforme a Câmara informou à reportagem, a ida do projeto ao Plenário depende da Mesa Diretora, em acordo com os vereadores, pautá-lo. 

Cada parlamentar conta com quatro assessores, que trabalham 150 horas mensalmente. Só com os salários dos assessores, a despesa da Casa Legislativa chega a R$ 18 mil por gabinete.

No caso do projeto, a biometria altera a forma pela qual a fiscalização dos horários é realizada. Atualmente, cada vereador faz o controle de entrada e saída dos seus assessores através da folha de ponto manual. Ao incluir a obrigatoriedade da biometria para todos os comissionados do Legislativo, incluindo os assessores de gabinete, o controle de entrada e saída dos servidores sai das mãos do vereador e fica a cargo do departamento de Recursos Humanos da Câmara.

O ponto biométrico é utilizado em diversas empresas. A ferramenta serve para medir com mais precisão a carga horária dos funcionários. Além disso, quando ele é utilizado no funcionalismo público, ajuda a coibir a existência de funcionários fantasmas. Os gabinetes dos vereadores Janete Aparecida (PSD), Matheus Costa (CDN) e Raimundo Nonato (PDT) já contam com biometria, todavia, por não ser obrigatório, nem todos possui o sistema.

Projeto

A PL tem como intuito alterar a Lei Municipal (LM) 8.298, de 3 de julho de 2017, incluindo os assessores parlamentares da Casa na obrigatoriedade de registrar suas entradas e saídas no sistema de ponto eletrônico biométrico.

Conforme cita o texto do projeto, “todos os servidores da Câmara, ocupantes de cargos efetivos ou em comissão, inclusive assessores parlamentares, devem registrar suas entradas e saídas no sistema de ponto eletrônico biométrico”.

Na justificativa do documento, a Mesa Diretora afirma que a proposta busca estabelecer tratamento uniforme para todos os servidores.

— O projeto estabelece que todos os servidores da Câmara deverão registrar o ponto biométrico, incluindo os assessores parlamentares, e revoga o dispositivo que faculta aos vereadores a possibilidade de optar pela folha de ponto manual para controle de pontualidade e assiduidade de seus assessores — salienta.

Ainda conforme a justifica, o ponto biométrico não permitirá diferenças de jornada de trabalho no âmbito da Câmara para os servidores regidos pelo mesmo Estatuto e mesma Organização Administrativa.

— Isso pode conflitar com interesses particulares de alguns. No entanto, a Câmara está priorizando o interesse público. A população paga, através de impostos, para movimentar a máquina administrativa — explicou.

Dificultando fraudes

Outra justificativa para o projeto, de acordo com o que defende a Mesa Diretora, é que a falta do ponto biométrico trouxe aos vereadores diversas dificuldades com o controle de ponto, bem como risco ao gestor de ocorrência de servidores fantasma.

— O modelo de controle de frequência manual não se mostrou adequado, pois favorece a existência de erros ou fraudes. Grande parte dos gabinetes apresentou controle de frequência com registros britânicos, sendo que alguns controles com jornada britânica de maneira integral e outros de forma parcial — revelou

“Jornada britânica” é quando o servidor marca saídas e entradas sempre no mesmo horário, repetindo-se, inclusive, os minutos.

Salários generosos

Em média, o salário de assessor é R$ 4,5 mil. A remuneração para esta função varia entre R$ 2 mil e R$ 7 mil. Por ano, a Câmara gasta cerca de R$ 3,672 milhões apenas com assessores parlamentares.

Mas estes não são os únicos cargos que chamam atenção pelos vencimentos elevados. Os próprios vereadores, com remuneração de R$ 11.572,41, se destacam, mas, além deles, há servidores na Casa com salários de quase R$ 20 mil.

De acordo com a Administração, atualmente a folha de pagamento do Município custa R$ 22 milhões. A folha da Câmara, por outro lado, representa um gasto mensal de, em média, R$ 950 mil aos cofres públicos.

 

Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…