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Política

Vereadoras ainda são exceção na Câmara de Divinópolis

Por Bruno
Vereadoras ainda são exceção na Câmara de Divinópolis

Da Redação

Divinópolis completa hoje 113 anos de história, assim como a Câmara Municipal. Nos dias 24, 25 e 26 de maio de 1912, aconteceram as primeiras reuniões preparatórias da Câmara Municipal da Vila de Henrique Galvão. A diplomação dos eleitos aconteceu no dia 1º de junho, assim como a instalação do Município.

No entanto, o Legislativo ainda carrega uma lamentável marca: somente oito mulheres chegaram a exercer um cargo de vereança na cidade, e nenhuma delas chegou a ser presidente.

Ivone Gomes 

A primeira vereadora eleita foi Ivone Gomes Guimarães, em 1976, pelo partido Arena. Ela teve 930 votos. Seu mandato durou seis anos, participando das Comissões Permanentes de Justiça e Redação e de Educação e Cultura e da Comissão Especial de Direitos Humanos, em 1981. Em 1977, foi primeira-secretária da Mesa Diretora. Servir ao bem comum, contra as injustiças sociais, foi seu lema de vereança.

“Dorzinha”

Eleita pelo PSB em 1988, com 548 votos, em 1996, com 807 votos, e 2000, com 816 votos, destacou-se por ser a vereadora com mais mandatos. Atuou efetivamente na Comissão de Educação, Ciência e Cultura. Alcançou o posto de vice-presidente da Mesa Diretora e, por três vezes, foi primeira-secretária. Teve atuação destacada na função de secretária do processo de elaboração da Lei Orgânica Municipal. 

Eliana Piola

Foi eleita pelo PTB em 1988, com 714 votos, e pelo PDT em 2000, com 1.024 votos. Em seu primeiro mandato, foi relatora do processo de elaboração da Lei Orgânica do Município e vice-presidente da Mesa Diretora. No segundo mandato, participou das Comissões Permanentes de Administração, Obras Públicas, Serviços Urbanos, Habitação, Indústria e Comércio. Tinha discurso forte de combate à corrupção e fiscalização do dinheiro público.

Heloísa Cerri

Foi eleita em 2008 pelo PV com 2.094 votos. Suas atuações como vereadora foram duramente hostilizadas por seus colegas devido ao trabalho para acabar com privilégios administrativos que achava incorretos. A atuação da vereadora foi predominantemente fiscalizadora, incluindo alteração em legislação, matérias polêmicas de controle social e segurança pública.

Janete Aparecida 

Eleita no pleito de 2016 pelo PSD com 1.778 votos, Janete destacou-se em Divinópolis como líder comunitária, trabalhando por melhorias no bairro Alto São Vicente e Alvorada. Também atuou pela conduta moral, ética, transparente com sua humildade para servir ao próximo. Seu mandato foi marcado pela atuação fiscalizadora. Tamanho sucesso lhe concedeu a chance de disputar o cargo de vice-prefeita em 2020, quando foi eleita na chapa com Gleidson Azevedo (PL). Em 2024, foi reeleita para o mesmo posto.

Lohanna França

Lohanna foi eleita pelo Cidadania em 2020 com 5.462 votos. É a vereadora mais votada da história, incluindo homens e mulheres, na história de Divinópolis. Pautou seu mandato em pautas educacionais e ideológicas, especialmente em defesa das mulheres, estudantes e das classes menos favorecidas. Em 2022, foi eleita deputada estadual com mais de 67 mil votos pelo PV.

Ana Paula do Quintino

Ana Paula do Quintino foi eleita pelo PSC com 957 votos em 2020. Líder comunitária há quase 40 anos, pautou seu trabalho em busca de melhorias para as regiões periféricas da cidade, além da defesa das mulheres, deficientes e idosos. Foi reeleita pelo Avante com 2.487 votos em 2024. Foi a vereadora responsável por reabrir o Restaurante Popular e  ajudou na construção da nova sala de espera da UPA Padre Roberto. 

Kell Silva

Historiadora formada pela UFSJ, Kell Silva foi eleita pelo PV com 2.195 votos em 2024. Pauta seu mandato na defesa pela educação, cultura e inclusão. Mesmo com pouco tempo de Câmara, já conseguiu aprovar a “Lei Pilar”, projeto que determina separação de leitos em maternidades públicas e privadas para mulheres que sofreram perdas gestacionais.

Desafios

Em toda a história, apenas duas vereadoras ocuparam cargos na mesma Legislatura em Divinópolis. Isso ocorreu tanto em 1988 quanto em 2020.  De acordo com o cientista político e sociólogo Antonio Faraco Jr., a candidatura feminina, por si só, é mais complexa.

— As mulheres enfrentam mais barreiras na política do que os homens. Têm uma tripla jornada: ela é mãe, cuida da família, fora do trabalho. Enfim, ela tem mais responsabilidades, levando em consideração o padrão da nossa cultura — relatou.

Ele ainda citou as diferenças existentes, e justificou as dificuldades da mulher em montar uma candidatura eficiente. 

— Além disso, o ambiente partidário é um ambiente ainda muito masculinizado. Você pode ver que agora está melhorando, mas a quantidade de investimento normalmente feito em candidaturas masculinas é bem maior em relação às femininas — completou.

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