Redução no preço da gasolina não chega totalmente no bolso do consumidor

Jorge Guimarães
Depois do anúncio feito pela Petrobras, na última segunda-feira, 26, da primeira redução no preço da gasolina em 2026, com queda de R$ 0,14 por litro, o equivalente a 5,2% para as distribuidoras, válida a partir de terça-feira, 27, o impacto esperado no bolso do consumidor ainda não foi sentido de forma integral em Divinópolis.
Um levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aponta que a diminuição promovida pela estatal nas refinarias não foi totalmente repassada aos preços praticados nas bombas do município. Nos postos de combustíveis, a redução observada é tímida e, em alguns casos, inexistente, frustrando a expectativa dos motoristas que aguardavam um alívio maior nos gastos com abastecimento.
Preços
Assim, conforme pesquisa realizada em 14 pontos de venda de combustíveis em Divinópolis, na semana do anúncio feito pela Petrobras, o preço médio da gasolina no município era de R$ 6,11. Naquele período, o menor valor encontrado girava em torno de R$ 6,00, enquanto o maior chegava a R$ 6,19.
Já na última semana, os dados apontam uma leve redução no valor médio praticado, que passou para R$ 6,09, representando uma queda de 0,32%. O levantamento mostra ainda que o menor preço registrado foi de R$ 5,99, enquanto o maior valor encontrado subiu para R$ 6,29, evidenciando uma variação mais ampla entre os postos.
— Os números reforçam que, embora haja uma discreta tendência de queda no preço médio, o repasse da redução anunciada pela Petrobras ocorre de forma gradual, dependendo das estratégias comerciais e dos custos enfrentados por cada estabelecimento — avalia o economista, Lazaro Ribeiro.
Fatores
Especialistas do setor de combustíveis apontam que diversos fatores interferem diretamente no ritmo e na intensidade do repasse das reduções anunciadas pelas refinarias aos preços praticados nos postos. Entre eles estão os custos operacionais, as margens de distribuição e revenda, além da concorrência local, que varia de acordo com cada região.
Um dos pontos mais citados pelos empresários do segmento é a alta no preço do etanol. Como a gasolina comercializada no Brasil possui atualmente uma mistura obrigatória de 30% de etanol, o aumento desse biocombustível acaba limitando uma redução mais expressiva no valor final da gasolina nas bombas. Mesmo com a queda anunciada pela Petrobras, somente em Divinópolis, o preço médio teve um aumento de 4% em janeiro.
Cadeia complexa
Assim, diante das recentes reduções anunciadas pela Petrobras e da expectativa dos consumidores por preços mais baixos, representantes do setor de combustíveis reforçam que a formação do valor final nas bombas envolve uma cadeia complexa. Segundo o gerente de um posto de combustíveis em Divinópolis, Paulo Roberto Silva, diversos fatores interferem diretamente no preço pago pelo motorista.
— Quando a Petrobras anuncia uma redução, muita gente acredita que o desconto será automático na bomba, mas não é assim que funciona. O preço do combustível passa por toda uma cadeia, que envolve distribuidoras, impostos, custos operacionais e margem de revenda — explica o gerente.
Ele destaca ainda que questões tributárias e variações de mercado têm peso significativo nesse processo.
— Temos impostos estaduais e federais que impactam diretamente o valor final, além dos custos com transporte, funcionários, estoques cheios, energia e manutenção do posto. Tudo isso precisa ser considerado — afirma.
Essa semana
A reportagem percorreu sete pontos de venda de combustíveis no município nesta quinta-feira, 4, para acompanhar os valores praticados da gasolina comum. O levantamento apontou variação nos preços, com o menor valor encontrado sendo de R$ 5,85 por litro.
De acordo com a apuração, o preço médio do combustível ficou em R$ 6,09, enquanto em alguns estabelecimentos a gasolina era comercializada a R$ 6,05.
— A diferença entre os valores reforça a importância de o consumidor pesquisar antes de abastecer, já que a variação de preços pode impactar diretamente no orçamento dos motoristas — pontua Ribeiro.
Pesquisa
A variação nos preços da gasolina comum encontrada nos postos da cidade tem reforçado, na prática, a importância de o consumidor pesquisar antes de abastecer. Para o motorista João Batista Filho, que utiliza o carro diariamente para o trabalho, a pesquisa se tornou um hábito.
— Às vezes a diferença é de vinte ou trinta centavos no litro, mas quando a gente enche o tanque isso pesa. Hoje em dia não dá para abastecer no primeiro posto que aparece — relatou.
Situação semelhante é vivida pela motorista Maria Aparecida Oliveira, que afirma sempre comparar preços antes de decidir onde abastecer.
— Eu costumo rodar um pouco mais para economizar. No fim do mês, essa economia faz diferença nas contas de casa — destacou.
Já o autônomo Carlos Henrique da Silveira ressalta que a variação de preços afeta diretamente quem trabalha com o veículo.
— Para quem roda o dia inteiro, qualquer centavo conta. Pesquisar é uma forma de tentar equilibrar os gastos e não comprometer tanto o lucro — afirmou.
Bandeiras
Além da pesquisa de preços, olhar a bandeira do posto é outro fator importante. Os postos de combustíveis com bandeiras conhecidas como Petrobras, Shell, Ipiranga e outras, seguem diretrizes rígidas estabelecidas pelas distribuidoras às quais estão vinculados. Essas normas envolvem padrões de qualidade, identidade visual, procedimentos operacionais e controle do produto comercializado, oferecendo ao consumidor maior previsibilidade em relação à procedência e à qualidade do combustível.
Já os postos sem bandeira, também chamados de bandeira branca, atuam de forma independente no mercado. Eles têm a liberdade de negociar a compra de combustíveis com diferentes distribuidoras, escolhendo aquelas que oferecem melhores condições comerciais em cada momento. Essa flexibilidade permite, muitas vezes, a prática de preços mais baixos ao consumidor final.
Apesar das diferenças no modelo de operação, tanto postos bandeirados quanto os de bandeira branca devem cumprir as exigências legais e os padrões de qualidade fiscalizados pelos órgãos competentes. Assim, a escolha entre um e outro passa também pela pesquisa de preços e pela confiança do consumidor.
Entre os motoristas, a percepção sobre as bandeiras também é clara. Renato Silva, que abastece diariamente para trabalhar como motorista de aplicativo, opinou.
— Sempre observo a bandeira. Às vezes a gasolina é um pouco mais cara em um posto de marca, mas sei que não vou ter problemas com o carro. Já a bandeira branca pode ser tentadora pelo preço, mas só abasteço se o posto tiver boa reputação — avalia.
A consumidora Neusa Freitas reforça a importância da pesquisa.
— Gosto de comparar preços entre postos com e sem bandeira. Se o posto independente é confiável, vale a economia, mas se houver dúvida sobre a procedência, prefiro pagar um pouco mais e ficar tranquila — disse.
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