Divinópolis fecha 2025 com emprego estagnado e indústria em retração

Jorge Guimarães
O mercado de trabalho em Divinópolis encerrou 2025 em um cenário de estabilidade crítica, segundo relatório que apresenta uma análise detalhada da dinâmica do emprego formal no município, elaborado pelo Instituto de Educação e Pesquisa Vitaltec, que tem a frente o economista Leandro Maia. Embora o saldo anual tenha permanecido positivo, o resultado revela fragilidade: foram criados apenas 18 novos postos de trabalho ao longo de todo o ano, o desempenho mais modesto registrado pelo município desde 2020.
Números
Os números, com base nos dados consolidados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), demonstram uma intensa movimentação no mercado formal. Ao todo, foram contabilizadas 36.983 admissões, praticamente equilibradas por 36.965 desligamentos. A diferença mínima entre contratações e demissões evidencia um ambiente de cautela por parte das empresas, que contrataram, mas também desligaram em proporção semelhante.
Esse equilíbrio tênue reflete um cenário econômico desafiador, marcado por incertezas, custos operacionais elevados e consumo moderado. Apesar de não ter havido retração no saldo final, o que poderia indicar perda líquida de empregos, o crescimento quase nulo acende um sinal de alerta para a economia local. A analise temporal indica que o resultado foi fortemente impactado pelo mês de dezembro, que historicamente apresenta saldos negativos devido ao encerramento de contratos temporários e ajustes sazonais na produção industrial.
Desempenho setorial
A economia de Divinópolis apresentou um cenário de forte contraste em 2025, evidenciando uma divergência marcante entre os principais setores produtivos. Enquanto o segmento de serviços se consolidou como o grande sustentáculo da empregabilidade no município, a indústria registrou retração significativa, comprometendo parte relevante dos avanços alcançados ao longo do ano.
O setor de serviços foi o único a encerrar 2025 com saldo positivo expressivo, criando 671 novas vagas formais de emprego. O desempenho reafirma a força do segmento na economia local, impulsionado por atividades ligadas ao comércio ampliado, saúde, educação, alimentação, tecnologia e prestação de serviços especializados.
Em contrapartida, a indústria enfrentou um ano desafiador, fechando com saldo de menos 593 vagas formais. A retração quase anulou os ganhos obtidos pelo setor de serviços, refletindo um ambiente de custos elevados, menor ritmo de produção e ajustes internos nas empresas.
Os demais segmentos também registraram retrações, embora em menor escala. A construção civil encerrou o período com menos 51 vagas, o comércio com redução de 5 postos e a agropecuária com saldo negativo de 4 empregos formais.
Industria
A retração na indústria não foi uniforme, afetando diferentes subsetores com intensidades variadas. A Indústria de Transformação, especificamente, registrou um saldo negativo de 590 vagas, concentrado em pilares históricos da economia local. Os dados revelam que a crise atingiu, em maiores números, os setores de vestuário, menos 256 vagas, o de produtos têxteis, menos 50, e metalurgia, com menos 226, que juntos respondem pela maior parte das demissões líquidas na indústria.
Lembrando que a soma dos saldos de confecção e produtos têxteis, totaliza uma perda de 306 postos, confirmando o impacto da concorrência de importados e da mudança nos hábitos de consumo digital.
Já a perda de 226 vagas na metalurgia sugere uma desaceleração em cadeias produtivas pesadas, possivelmente ligadas à demanda industrial nacional.
Saldos positivos
Apesar do cenário negativo, na indústria, alguns subsetores conseguiram expandir sua força de trabalho. Como foram os casos dos setores da fabricação de produtos alimentícios, positivo em 118 novas vagas e os setores de máquinas e materiais elétricos, e o de fabricação de Produtos de Madeira, com 32 e 12 novas vagas respectivamente.
Prestação de serviços
O setor de serviços criou 671 novas vagas, sustentado pela consolidação de Divinópolis como polo regional. O município liderou a abertura de novas empresas no Centro-Oeste mineiro em 2025, com crescimento de 24,81% no primeiro semestre, concentrado em serviços.
Perspectivas
Na avaliação do economista Leandro Maia, os números de 2025 revelam que Divinópolis atravessa um momento de transição estrutural em sua economia. Segundo ele, a tradicional dependência da indústria têxtil e metalúrgica vem sendo colocada à prova, ao mesmo tempo em que a indústria alimentícia e, principalmente, o setor de serviços começam a se consolidar como novos pilares de sustentação do mercado de trabalho.
Para Maia, o movimento não significa necessariamente o enfraquecimento definitivo da vocação industrial do município, mas indica uma mudança no eixo de dinamismo econômico.
— Há uma reconfiguração em curso. O setor de serviços tem demonstrado maior capacidade de absorção de mão de obra, enquanto parte da indústria tradicional enfrenta dificuldades relacionadas à competitividade e aos custos de produção — analisa.
O economista destaca que, para que a cidade retome um ciclo mais consistente de crescimento, será fundamental investir na requalificação profissional, especialmente voltada aos trabalhadores dos setores de confecção e metalurgia, que concentram as maiores perdas de vagas. A atualização de competências e a formação técnica alinhada às novas demandas produtivas são apontadas como estratégias essenciais para recolocar esses segmentos em trajetória de expansão.
Além disso, Leandro Maia defende a implementação de incentivos à modernização tecnológica das indústrias locais, permitindo maior ganho de produtividade e melhores condições de concorrência frente aos produtos importados.
— Sem inovação e eficiência, a indústria perde espaço. É preciso investir em tecnologia, processos e gestão para recuperar competitividade — ressalta.
Ele alerta ainda que, sem a recuperação dos subsetores industriais críticos, a economia de Divinópolis tende a permanecer excessivamente dependente da capacidade de absorção do setor de serviços, um segmento importante, mas que sozinho pode não sustentar, no longo prazo, um crescimento equilibrado e diversificado.
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