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Economia

Cesta básica implica quase  metade do salário mínimo 

Cesta básica implica quase  metade do salário mínimo 

Resultado é de novembro; preço tem alta de 4,18% em comparação ao mês anterior

Jorge Guimarães

A alta nos preços da cesta básica tem sido motivo de preocupação para os consumidores de Divinópolis, afetando diretamente o orçamento familiar. Diversos itens essenciais, como hortifrutis, óleo de cozinha e carne, registraram aumento significativo, dificultando o planejamento financeiro das famílias, especialmente no que diz respeito à baixa renda. E no mês de novembro não foi diferente, com o custo médio da cesta básica de alimentos alcançando R$ 628,17, representando uma alta de 4,18% em relação a outubro, quando o valor registrado foi de R$ 602,98. Dados que fazem parte de uma pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômico-sociais (NEPES), da Faculdade Una Divinópolis.

Números

A comparação anual entre novembro de 2023 e novembro de 2024 aponta uma elevação significativa de 12,9% no preço da cesta. Já no acumulado dos últimos 12 meses, de dezembro do ano passado a novembro de deste ano, a alta foi de 5,8%.

— Os números refletem as pressões inflacionárias enfrentadas ao longo do ano, impactadas por fatores como a variação nos custos de produção agrícola, transporte e insumos básicos. Esse aumento contínuo reforça a necessidade de estratégias que auxiliem o consumidor a lidar com o peso crescente no orçamento doméstico — analisa o economista Lazaro Ribeiro.

Altas

A pesquisa revelou  um aumento significativo nos preços de alguns itens da cesta básica em novembro. A batata registrou a maior alta, com um aumento de 15,95%. Segundo o coordenador do Nepes, professor Wagner Almeida, a colheita do produtor foi interrompida por alguns dias do mês, devido à chuva, o que prejudicou a oferta.

— Mesmo com a retomada da colheita e o aumento na quantidade disponível para venda, o preço médio não caiu e continuou  em alta no varejo — disse o professor.

Outro item que teve elevação expressiva foi o tomate, com um reajuste de 11,56%, causado principalmente pela baixa oferta do produto no mercado. Já o óleo de soja apresentou uma alta de 8,92%, resultado do aumento do volume exportado de óleo bruto e da menor oferta interna, fatores que impulsionaram os preços no varejo.

— As oscilações destacam os impactos de fatores climáticos e do mercado internacional nos preços dos alimentos, refletindo diretamente no orçamento das famílias. A pesquisa reforça a importância do monitoramento contínuo para compreender as dinâmicas de oferta e demanda que afetam o custo da cesta básica em todos os lares — avalia o economista.

Carne bovina

O  preço médio do quilo da carne, de primeira, também apresentou um aumento de 6,55% em relação a outubro, conforme levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Apesar da volta das chuvas e da melhoria nos pastos, condições que favorecem a engorda do gado, a oferta de bois para o abate ainda não foi plenamente normalizada.

— Além disso, a alta demanda interna e externa são  fatores que têm contribuído para os aumentos,  e afetando também a comercialização em Divinópolis. O envio desses índices é essencial para entender as tendências e desafios enfrentados pelos consumidores na composição da cesta básica no município — pontua Lazaro.

Redução 

Por outro lado, a pesquisa apontou reduções em outros produtos da cesta básica. O pão francês registrou queda de 5,61% no preço, enquanto a banana apresentou redução de 4,77%. Esses recuos serão atribuídos a fatores como maior oferta desses produtos no mercado e estabilidade nos custos de produção.

— As variações refletem os efeitos das dinâmicas de mercado e das condições sazonais na formação de preços, influenciando diretamente o poder de compra das famílias — pondera Ribeiro.

Pesquisa

A edição mais recente da pesquisa sobre a cesta básica de alimentos em Divinópolis foi realizada entre os dias 25 e 29 de novembro. O levantamento contemplou sete supermercados da cidade , todos com estrutura completa que inclui açougue, padaria e hortifruti.

O conjunto de alimentos é composto por 13 produtos alimentares essenciais, projetados para atender às necessidades nutricionais de um trabalhador adulto durante um mês. Sua composição inclui itens balanceados que fornecem os nutrientes indispensáveis ​​à manutenção da saúde e do bem-estar.

— A metodologia adotada pela pesquisa garante a representatividade dos preços coletados e reflete a realidade dos custos enfrentados pelos consumidores locais. Com isso, o estudo desempenha um papel crucial na análise das variações de preços e seu impacto no orçamento das famílias divinopolitanas — expressa o economista.

Salário mínimo

O trabalhador que recebe um salário mínimo, destinou, em média, 48,1% de seu rendimento líquido,  descontados os 7,5% referentes à Previdência Social, para adquirir os itens da cesta básica em Divinópolis, no último mês. Este percentual representa um aumento em relação ao mês anterior, quando 46,2% da renda foi necessária para a compra dos mesmos produtos.

— O aumento do comprometimento da renda reflete as recentes altas nos preços dos alimentos, registrados em itens como batata, tomate e carne bovina, que pressionaram o orçamento das famílias. Essa piora indica o impacto das oscilações de mercado no poder de compra dos trabalhadores, especialmente aqueles com rendimentos mais baixos — define Lazaro Ribeiro.

Foto/Jorge Guimarães

A batata registrou alta de 15,95% em novembro

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