Pesquisa aponta para o aumento de 5,28% no preço da cesta básica

Por Jorge Guimarães
O custo médio da cesta básica de alimentos em Divinópolis chegou a R$ 661,35 em dezembro de 2024, representando um aumento de 5,28% em relação ao mês anterior, quando o valor registrado foi de R$ 628,17. O levantamento foi realizado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômico-Sociais (Nepes), da Faculdade Una Divinópolis.
Anual
Na comparação anual, entre dezembro de 2023 e dezembro de 2024, a pesquisa apontou um aumento acumulado de 11,4% no preço da cesta básica. Esse aumento reflete a variação de preços dos principais itens que compõem a cesta, impactados por fatores como condições climáticas, custos de produção e transporte, além das flutuações no mercado interno.
Altas e baixas
A pesquisa revelou oscilações significativas nos preços de diversos itens essenciais em dezembro. Entre as altas, destaque para o tomate, com aumento expressivo de 42,40%, seguido do pão francês com 13,44% e do café em pó 12,40%. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/2025), a elevação no preço do café foi atribuída à baixa oferta mundial e ao aumento da demanda externa. Já a carne bovina registrou um aumento de 5,09% no preço médio do quilo.
— A pressão na demanda interna e a menor oferta explicam as altas no mês — explicou o professor Wagner Almeida, coordenador do Nepes.
Por outro lado, itens como a banana (-30,88%), o leite integral (-9,66%) e a farinha de trigo (-3,44%) tiveram queda nos preços, oferecendo alívio para o consumidor.
Comportamento dos preços em 2024
O professor destacou os desafios enfrentados pelo setor produtivo ao longo dos últimos 12 meses, marcados por uma série de dinâmicas de mercado. Segundo ele, embora itens como café, carne e óleo tenham sofrido impactos significativos nos custos, outros produtos, como banana, batata e feijão, tiveram queda nos preços, contribuindo para amenizar os efeitos sobre a cesta básica.
A análise dos últimos 12 meses dos preços da cesta básica em Divinópolis revela variações significativas, com itens apresentando tanto altas expressivas quanto quedas acentuadas.
— Essas oscilações refletem, em parte, as condições climáticas, a dinâmica de oferta e demanda e o impacto de custos produtivos ao longo do período analisado — observa Almeida.
Principais altas
O café em pó, com alta de 63,5%, foi o item com maior aumento no período. Isso pode ser atribuído à instabilidade na produção devido a condições climáticas desfavoráveis e a menor produção no Vietnã e no Brasil. Na sequência vem o óleo de cozinha (+38,4%), sendo que a alta no óleo segue a tendência global de aumento nos preços de commodities agrícolas, especialmente óleos vegetais. Já a carne bovina, com +35,1%, reflete fatores como a forte demanda interna e externa, restrições climáticas, que prejudicaram a formação dos pastos e oscilações no abate de bovinos.
Principais quedas
A banana prata (-52,4%) foi o item com maior redução de preço, em razão de uma safra mais abundante e da redução na demanda em algumas épocas do ano.
Outro item que teve queda foi a batata inglesa (-33,0%). A queda reflete a sazonalidade e o aumento na oferta. A boa produtividade das colheitas reduziu o preço, situação diferente da observada no final de 2023, quando o valor comercializado era mais alto, devido às chuvas intensas.
Já no caso do feijão (-22,0%) o aumento da área plantada e a maior oferta de grãos ao longo do ano reduziram os valores médios nos últimos 12 meses.
Pesquisa
A pesquisa foi realizada entre os dias 20 e 27 de dezembro, com o levantamento de preços em sete supermercados, os quais possuem em sua estrutura açougue, padaria e hortifruti. A Cesta Básica de Alimentos, composta por 13 produtos alimentícios, seria suficiente para o sustento e bem-estar de um trabalhador em idade adulta, durante um mês, contendo quantidades balanceadas de todos os nutrientes necessários à manutenção da saúde.
Salário
Os trabalhadores que recebem salários mínimos enfrentaram um cenário de maior pressão no orçamento doméstico em dezembro de 2024. Os dados apontam que, em média, 50,6% do rendimento líquido foi necessário para adquirir os produtos da cesta básica no mês, considerando o desconto de 7,5% destinado à contribuição para a Previdência. O percentual representa uma piora em relação ao mês anterior, quando 48,1% da renda líquida foi comprometida com a alimentação essencial.
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