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‘Setembro Verde’: CSSJD reforça protagonismo na doação de órgãos 

‘Setembro Verde’: CSSJD reforça protagonismo na doação de órgãos 

Da Redação

O mês de setembro ganha um significado especial no calendário da saúde com a campanha “Setembro Verde", que tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância da doação de órgãos e tecidos. Em Minas Gerais, o Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD) tem se destacado de forma expressiva nesta causa, não apenas como referência assistencial, mas também como protagonista na captação de córneas, sendo atualmente o maior captador do Estado em casos de coração parado.

De junho de 2024 a junho de 2025, o CSSJD registrou 131 doações de córneas, o equivalente a 31% de todas as captações realizadas em Minas Gerais nesse período. Esse número expressivo reflete o trabalho contínuo e comprometido da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT), composta por profissionais que atuam com sensibilidade, agilidade e responsabilidade em um processo que envolve técnica, respeito e, sobretudo, solidariedade. O diretor presidente do CSSJD, André Waller,  comentou sobre a excelência do hospital nesta área. 

— Nossa instituição possui uma equipe que se dedica à articulação de todo o processo de captação, desde a abordagem às famílias até a organização dos procedimentos com diferentes equipes médicas. A complexidade do processo exige que todos os profissionais envolvidos atuem de forma sincronizada, para garantir que os órgãos sejam captados dentro do tempo adequado e possam efetivamente salvar vidas — enfatizou.

Esse esforço conjunto e eficaz levou o CSSJD a ser agraciado, em 2024, com a Medalha Santos Dumont – Grau Ouro, honraria concedida pelo Governo de Minas Gerais como forma de reconhecimento à contribuição significativa da instituição para o desenvolvimento da saúde pública no estado.

Importância sobre o debate

Mas por trás dos números e das premiações, há histórias humanas — de dor, perda e, ao mesmo tempo, de esperança. Segundo o diretor técnico do Complexo, Eliseu Teixeira, a conscientização da população é fundamental, especialmente porque a decisão final sobre a doação de órgãos.

— Em casos de morte encefálica, cabe à família do paciente. Por isso, o diálogo dentro de casa, em momentos serenos, é essencial para que os desejos do doador sejam conhecidos e respeitados quando for necessário. Atualmente mais de 70 mil pessoas aguardam na fila para transplantes no Brasil, sendo cerca de 2 mil à espera de córneas. A falta de órgãos disponíveis continua sendo um dos principais entraves para o avanço dos transplantes no país, e o desconhecimento ou a recusa familiar são fatores que agravam ainda mais esse cenário — destacou o profissional.

Exemplos

Hermes Ferreira, que teve os órgãos do irmão doados, traz à tona a dimensão afetiva e a importância da conversa familiar sobre o tema.

— A doação de órgãos sempre foi uma pauta discutida em casa, em momentos de perda, mas com naturalidade. Meu irmão expressou claramente o desejo de ser doador, o que, no momento mais difícil, facilitou a decisão da família. Existe uma frase pequena, mas muito impactante, que fala o seguinte: “parte do que parte, fica”. Para nós, familiares, ficam as boas lembranças, a saudade, mas há uma parte maior dele que está viva em outras famílias —relatou.

A coordenadora médica do CIHDOTT, Ana Paula Israel, já esteve dos dois lados da realidade do transplante: viu pacientes lutando para sobreviver, enquanto aguardavam um órgão e hoje vive, com sua família, a perda de um ente querido cuja doação transformou a vida de outros.

— É um balanço entre uma tristeza imensa e uma alegria intensa a dor de uma família que perde alguém, e a esperança de outra que vê a vida renascer através de um transplante. Um único doador pode beneficiar até oito pessoas diferentes, dependendo dos órgãos e tecidos doados. Por isso, além de sua atuação técnica, a instituição se dedica a campanhas de sensibilização da comunidade, como o ‘Setembro Verde’, para lembrar que a doação de órgãos não é apenas um ato médico, mas um gesto de amor, empatia e humanidade — declarou.

Doação salva vidas

Durante a coletiva, os representantes da CIHDOTT também explicaram o papel da comissão na abordagem às famílias de pacientes com diagnóstico de morte encefálica. Nesse momento delicado, os profissionais têm a missão de esclarecer, acolher e oferecer a possibilidade da doação como uma forma de dar um novo significado à perda. A abordagem é feita com respeito e sensibilidade, levando em consideração o momento de dor que a família enfrenta.

A campanha do ‘Setembro Verde’, portanto, é mais do que uma ação simbólica: é um convite à reflexão e ao diálogo. É um chamado para que as pessoas compartilhem com seus familiares suas vontades sobre doação, garantindo que, no momento certo, essa decisão não seja mais um fardo para quem fica, mas sim um legado de vida para quem espera.

O CSSJD segue firme em sua missão de promover uma saúde pública de qualidade, sendo referência regional e estadual não apenas em assistência hospitalar, mas também em ações humanizadas e transformadoras, como a doação de órgãos e tecidos. A instituição reforça que, para além dos números, está o compromisso com a vida e a esperança de milhares de pessoas que aguardam por uma nova chance.Quem deseja ser um doador, a orientação é clara: comunicar à sua família. Afinal, a decisão que pode salvar vidas começa com uma conversa.

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