Simões promete pagar 13º e salário de janeiro antes de deixar governo de MG
Governador afirma que quitará a folha de dezembro e antecipará o pagamento de janeiro para o dia 4, antes da posse de Cleitinho Azevedo

O pagamento do 13º salário dos servidores estaduais, previsto para meados de dezembro, e a quitação antecipada da folha de janeiro de 2027 estão entre os compromissos anunciados pelo governador Mateus Simões (PSD) antes de deixar o cargo. Segundo ele, os depósitos serão realizados ainda durante sua gestão, antes da transmissão do governo a Cleitinho Azevedo (Republicanos), eleito governador e natural de Divinópolis. A mudança de comando está marcada para 6 de janeiro, enquanto o salário de janeiro será depositado no dia 4.
Contas em dia
Em entrevista à Rádio Itatiaia, publicada nesta terça-feira, 27, Simões garantiu que o Estado dispõe de recursos para cumprir os pagamentos e que pretende entregar a administração com as obrigações financeiras regularizadas. A declaração ocorre em meio às discussões sobre a situação fiscal de Minas Gerais, que acumula dívida bilionária com a União.
— Todo o pagamento da folha de janeiro será feito ainda no meu mandato. Eu vou entregar um estado com contas em dia, com dinheiro na conta, com nenhum fornecedor atrasado, com fluxo de pagamento absolutamente redondo — afirmou.
A previsão é que o 13º salário seja pago em meados de dezembro e os vencimentos de janeiro sejam depositados no dia 4 do mês seguinte, antes da transmissão do cargo ao sucessor.
Cleitinho promete diálogo
Questionado pelo Agora sobre a situação dos servidores estaduais e a preocupação com os salários, Cleitinho afirmou que pretende manter o diálogo com as categorias e trabalhar pela valorização do funcionalismo.
— Não me preocupa, eu tenho que dialogar com os servidores, são um patrimônio do Estado, é o que faz a máquina funcionar, para poder valorizar cada um deles — declarou.
A folha de pagamento representa uma despesa permanente e significativa para os cofres estaduais. A nova gestão precisará conciliar a valorização dos servidores com a manutenção dos serviços públicos e os limites do orçamento.
Simões explicou que as projeções anteriores de dificuldades financeiras estavam relacionadas às propostas apresentadas por Cleitinho durante a campanha. Na avaliação do atual governador, algumas medidas anunciadas pelo sucessor não seriam compatíveis com a disponibilidade de recursos do Estado.
Outro ponto de atenção é a proposta de redução do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), uma das principais bandeiras de Cleitinho. Simões esclareceu que o projeto encaminhado à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) não reduz automaticamente o imposto, mas autoriza o próximo governador a conceder o desconto, caso decida fazê-lo.
— O projeto de lei autoriza o governador a dar quando ele quiser — afirmou Simões à Itatiaia. A eventual redução dependerá de uma decisão da nova gestão e da avaliação dos impactos sobre a arrecadação estadual.
Dívida
Apesar da previsão de pagamentos em dia na transição, o endividamento histórico de Minas Gerais continuará sendo um dos principais desafios do próximo governo. De acordo com a Secretaria de Estado de Fazenda, o saldo devedor com a União, apurado em 1º de dezembro de 2025, era de R$ 179,3 bilhões.
O valor foi renegociado por meio do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), com prazo de pagamento de 360 meses, equivalente a 30 anos. Minas aderiu à modalidade que prevê juros reais de 0% ao ano, com atualização pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Para ingressar nessa condição, o Estado ofereceu ativos suficientes para amortizar 20% da dívida. O acordo também prevê aportes anuais equivalentes a 1% do saldo devedor ao Fundo de Equalização Federativa (FEF) e investimentos em áreas estratégicas na mesma proporção.
A renegociação melhora as condições de pagamento, mas não elimina o endividamento nem os compromissos de longo prazo. Segundo a Secretaria de Fazenda, entre janeiro de 2019 e 15 de outubro de 2026, o governo mineiro desembolsou R$ 13,95 bilhões em pagamentos relacionados à dívida com a União. Desse total, R$ 6 bilhões foram pagos sob as regras do Regime de Recuperação Fiscal (RRF), que vigorou até o fim de 2025.
Desde o início da adesão ao Propag, Minas havia transferido aproximadamente R$ 1,03 bilhão ao Tesouro Nacional até outubro deste ano. A décima parcela, paga em 15 de outubro, foi de R$ 104,5 milhões. Até aquela data, o Estado também desembolsou R$ 2,47 bilhões referentes a operações de crédito com garantia da União.
Desafio de longo prazo
A transição ocorre em um momento em que Minas busca reorganizar o endividamento e preservar a capacidade de financiar os serviços públicos. O Propag oferece condições mais favoráveis para o pagamento da dívida, mas estabelece obrigações que ultrapassarão o mandato do próximo governador.
A promessa de quitar salários e fornecedores antes da transmissão do cargo favorece a continuidade administrativa, mas não resolve o endividamento acumulado nem elimina a necessidade de planejamento fiscal.
A partir de janeiro, Cleitinho terá de demonstrar como pretende executar as propostas apresentadas aos eleitores, manter o diálogo com os servidores e preservar investimentos sem perder de vista os compromissos financeiros herdados. O desafio será administrar as contas de um dos Estados mais endividados do país e responder às expectativas criadas durante a campanha eleitoral.
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