Supermercados estudam contratação por hora para enfrentar o fim da escala 6x1
Consumo nos lares de Minas Gerais cresce 3,34% em setembro, e região registra alta de 2,96% no acumulado do ano

Os supermercados de Minas Gerais ainda não têm uma estratégia definida para se adaptar ao fim da escala 6x1, previsto para começar em 16 de dezembro. A mudança exigirá das empresas uma reorganização das jornadas de trabalho e das equipes, mas, por enquanto, não há discussão sobre alterações nos dias e horários de funcionamento das lojas, como deixar de abrir aos domingos.
A avaliação foi feita pelo presidente da Associação Mineira de Supermercados (Amis), Alexandre Poni, durante a abertura da 38ª Superminas Food Show, realizada na última semana, no Expominas, em Belo Horizonte. Segundo ele, cada rede deverá buscar soluções próprias para enfrentar os desafios relacionados à disponibilidade de mão de obra e à manutenção das atividades.
— Nós vamos ter que nos reinventar em relação à mão de obra — afirmou.
Proposta
Entre as alternativas em discussão está a contratação de funcionários por hora trabalhada, no regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), modalidade conhecida como contrato horista. A proposta permitiria que os supermercados contratassem profissionais para períodos específicos, de acordo com a necessidade de cada estabelecimento.
Segundo o presidente da Amis, esse modelo poderia ajudar a preencher lacunas nos horários de maior movimento, além de atrair trabalhadores que tenham disponibilidade apenas em determinados períodos do dia. A medida também é vista como uma possibilidade para enfrentar a dificuldade de contratação de funcionários.
Sem definição
A modalidade, entretanto, ainda está em discussão e não há definição sobre sua aplicação. Entre os pontos que precisam ser avaliados estão a regulamentação e a possibilidade de acordos coletivos.
A preocupação do setor é conseguir manter as lojas funcionando nos mesmos dias e horários, com equipes suficientes para atender aos consumidores. O desafio ganha ainda mais importância com a aproximação do fim do ano, período tradicionalmente marcado pelo aumento das vendas e do movimento no comércio.

Consumo cresce
Em meio às discussões sobre a reorganização do trabalho, os supermercados mineiros registraram desempenho positivo nas vendas. O consumo nos lares de Minas Gerais cresceu 3,34% em setembro deste ano, na comparação com o mesmo mês de 2025. No acumulado de janeiro a setembro, a expansão foi de 3,10%.
Os dados fazem parte do Índice de Consumo dos Lares Mineiros, pesquisa mensal realizada pela Amis com empresas supermercadistas de diferentes portes em todo o estado. Os resultados são deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os números foram apresentados pelo presidente executivo da entidade, Claret Nametala, a lideranças estaduais e nacionais do setor, também durante a programação da 38ª Superminas Food Show.
Na comparação com agosto, entretanto, setembro apresentou retração de 3,12%. Segundo Nametala, a queda já era esperada e está relacionada principalmente às características do calendário, não representando necessariamente uma redução no ritmo de consumo das famílias.
O executivo explica que agosto teve cinco sábados e cinco domingos, enquanto setembro contou com quatro de cada. Esses são os principais dias de movimento nos supermercados. Além disso, o feriado prolongado contribuiu para reduzir a circulação de consumidores, especialmente nas cidades maiores.
Regiões
A região vem apresentando crescimento do consumo ao longo do ano, com avanço acumulado de 2,96%.
Já as regiões do Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba e Central lideram o ranking, com crescimentos acumulados de 3,74% e 3,34%, respectivamente.
Trajetória de crescimento
Para Claret Nametala, o varejo supermercadista mineiro mantém uma trajetória de crescimento sustentado, favorecida, entre outros fatores, pelo ambiente econômico estadual e pelas baixas taxas de desemprego.
A Amis mantém a previsão de crescimento de 3,45% para o setor em 2026. A expectativa considera o desempenho tradicionalmente mais forte do último trimestre, especialmente em dezembro, quando as festas de fim de ano impulsionam o consumo.
Até setembro, o avanço acumulado era de 3,10%.
— Esse último trimestre do ano costuma registrar o maior crescimento no setor. Logo, estamos confiantes em atingir a nossa previsão quando apurados os resultados de outubro, novembro e, principalmente, dezembro — projeta Nametala.
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