Black Friday e Natal desafiam comércio de Divinópolis a equilibrar promoções e lucro
Empresários apostam em ofertas, divulgação nas redes sociais e fidelização para aproveitar as vendas de fim de ano

O bom desempenho das vendas no Dia das Crianças ainda repercute no comércio varejista, mas os lojistas já direcionam suas estratégias para as próximas datas comemorativas. Tradicionalmente, o último trimestre do ano concentra algumas das principais oportunidades de crescimento para o setor, impulsionado pela Black Friday, em novembro, e pelo Natal, em dezembro.
Características distintas
As duas datas movimentam o mercado, mas apresentam características distintas. Enquanto a Black Friday atrai consumidores em busca de descontos e oportunidades para antecipar as compras de fim de ano, o Natal reúne tradição e apelo emocional, estimulando a aquisição de presentes, artigos de decoração, alimentos e serviços.
— Para os comerciantes de Divinópolis, o desafio é aproveitar o potencial das duas campanhas sem comprometer a rentabilidade. A definição de estoques, preços, investimentos em publicidade e estratégias de fidelização passa a ser fundamental para transformar o aumento da procura em resultados positivos — avalia o economista Leandro Maia.
Onde investir
Diante da proximidade das duas datas, o desafio dos lojistas é definir como distribuir os investimentos entre a Black Friday e o Natal. A decisão depende do perfil do público, do segmento de atuação e dos objetivos de cada empresa. Eletrônicos, eletrodomésticos e moda encontram na Black Friday uma oportunidade para impulsionar as vendas, enquanto brinquedos, perfumes, joias e gastronomia ganham destaque no período natalino, marcado pela tradição de presentear.
Para o economista Leandro Maia, as duas datas devem ser vistas como complementares, e não concorrentes.
— Uma campanha bem planejada pode usar a Black Friday como porta de entrada, atraindo clientes e fidelizando-os para as compras natalinas. Assim, o empresário aproveita o melhor dos dois mundos: o apelo do desconto imediato e a magia da celebração familiar — analisa.
Mudanças nas estratégias
Os varejistas brasileiros estão revendo suas estratégias para a Black Friday de 2026 e demonstram maior cautela nos investimentos em publicidade e descontos. Em vez de apostar em grandes campanhas promocionais em novembro, a tendência é concentrar as ofertas em um número menor de produtos e preservar fôlego comercial para o Natal, período em que os lojistas conseguem trabalhar com margens de lucro mais favoráveis.
A avaliação é do gerente executivo da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Daniel Sakamoto. Segundo ele, o movimento reflete a busca por equilíbrio entre atrair consumidores com preços competitivos na Black Friday e garantir resultados mais consistentes em dezembro.
O Natal permanece como uma das principais referências do calendário comercial, tanto pelo volume de vendas quanto pelo apelo emocional, que estimula a compra de presentes, lembranças e produtos para a ceia. Por isso, a estratégia é reduzir a pressão dos custos promocionais em novembro e evitar que os consumidores antecipem todas as compras, comprometendo o movimento do comércio no mês seguinte.
A mudança, ressalta Sakamoto, não significa abandonar a Black Friday, mas ajustar a comunicação e a quantidade de ofertas para que a campanha não prejudique o desempenho das vendas natalinas.

Divinópolis
Entre os empresários de Divinópolis, há diferentes avaliações sobre como distribuir os investimentos entre a Black Friday e o Natal. Apesar das divergências quanto ao volume de promoções, a possibilidade de deixar de divulgar uma das datas não encontra respaldo entre os comerciantes ouvidos pela reportagem.
Para o comerciante de moda infantil Guilherme Vasconcelos, a Black Friday continua sendo uma oportunidade importante para atrair consumidores e impulsionar as vendas.
— Independentemente do porte do negócio, a Black Friday continua sendo uma oportunidade importante de atrair clientes e movimentar o comércio. Nenhum empresário quer abrir mão de divulgar a data — destaca.
O empresário do ramo de vestuário Carlos Alves avalia que concentrar as promoções em menos produtos e direcionar esforços para o Natal pode funcionar para grandes magazines e redes nacionais. Para os pequenos e médios comerciantes, entretanto, aproveitar cada oportunidade de venda é fundamental.
— Para nós, que atuamos de forma mais local e dependemos de cada oportunidade de venda, a palavra de ordem é aproveitar todas as datas possíveis para fazer o faturamento crescer. A Black Friday ajuda a atrair o cliente, gerar movimento e preparar terreno para as vendas de Natal. Abrir mão de uma dessas chances seria perder competitividade — afirma.
Estratégias
Em outros segmentos do comércio de Divinópolis, a estratégia é aproveitar a Black Friday sem perder de vista o potencial das vendas de Natal. O gestor de Operações do Somar Supermercados, Sérgio Antônio de Oliveira, afirma que a proposta para este ano é manter o modelo adotado em edições anteriores, com um mix variado de produtos em promoção durante toda a semana que antecede a data.
— A ideia é não concentrar todas as ações em um único dia, mas sim distribuir as oportunidades ao longo da semana. Assim, o consumidor consegue se planejar melhor e o fluxo de clientes é mais equilibrado dentro da loja — explica.
No setor calçadista, o empresário Dalmo Faleiro aposta na fidelização dos clientes, integrando as duas datas em uma estratégia para estimular novas compras. A proposta é atrair o consumidor em novembro e oferecer vantagens que incentivem seu retorno em dezembro. Para isso, as redes sociais terão papel central na divulgação das campanhas e no relacionamento com o público.
— A ideia é atrair o cliente na Black Friday e mostrar que ele pode ter ainda mais vantagens se retornar no Natal. Isso fortalece a relação com a marca e amplia as chances de vendas repetidas — afirma.
Planejamento é fundamental
Na avaliação do economista, as diferentes estratégias demonstram que não existe uma fórmula única para aproveitar o calendário comercial. A decisão deve considerar as características de cada segmento, o porte da empresa e o comportamento do consumidor.
— Cada segmento e cada porte de negócio têm suas particularidades. Enquanto grandes redes podem se beneficiar ao concentrar esforços no Natal, pequenos e médios comerciantes precisam aproveitar todas as oportunidades de venda disponíveis ao longo do ano. O importante é que a estratégia seja planejada de acordo com o perfil do cliente e a realidade do mercado — conclui.
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