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Economia

Cesta básica fica mais barata em agosto

Por Bruno
Cesta básica fica mais barata em agosto

 Jorge Guimarães

A alta nos preços da cesta básica tem sido motivo de grande preocupação entre os consumidores em Divinópolis. Muitos moradores relatam que, mesmo quando o aumento é considerado pequeno, como o de julho passado, que ficou em 0,1%, o impacto no orçamento familiar é sentido de forma imediata, tornando cada vez mais difícil equilibrar as contas do mês. No entanto, para a tranquilidade de todos, os números de agosto trouxeram um certo alívio: foi registrada uma queda, de 4,27% em relação a julho, movimento que reacende a esperança de maior estabilidade nos preços e proporciona um respiro às famílias da cidade.

Números

Assim, em agosto último, o custo médio da cesta básica de alimentos em Divinópolis foi de R$ 633,25, registrando uma queda de 4,27% em relação a julho, quando o valor era de R$ 661,52. Apesar da redução mensal, a comparação anual mostra que, entre agosto de 2024 e agosto de 2025, a cesta básica teve um aumento de 13,7%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, de setembro de 2024 a agosto de 2025, o custo da cesta subiu 13,4%. Os dados são resultado da pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômico-Sociais (Nepes), da Faculdade Una Divinópolis, evidenciando o impacto contínuo da inflação alimentar no orçamento das famílias da cidade.

Acompanhamento

A pesquisa reforça a importância do acompanhamento mensal dos preços dos itens essenciais para o consumo das famílias, principalmente em um cenário econômico ainda marcado por oscilações no poder de compra. A redução observada alivia, ainda que de forma pontual, o orçamento dos consumidores, especialmente das famílias de menor renda que sentem mais diretamente o impacto das variações no custo dos alimentos.

— A pesquisa destaca que fatores sazonais, dinâmica da oferta e procura, influenciam diretamente na formação dos preços. Por isso, o monitoramento contínuo é fundamental para compreender o comportamento do mercado local e orientar tanto consumidores quanto comerciantes sobre as tendências nos preços dos produtos que compõem a cesta básica — avalia o economista

 Carne bovina

De acordo com o professor da Faculdade Una Divinópolis e organizador da pesquisa, Wagner Almeida, o preço médio do quilo da carne bovina de primeira apresentou uma queda de 7% em agosto em comparação a julho. Segundo ele, apesar do aumento das tarifas norte-americanas sobre o produto, as exportações continuaram a crescer e a oferta de abate foi menor. Mesmo assim, algumas cidades registraram redução nos preços no varejo, conforme dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A carne bovina, que representa o item de maior peso na composição da cesta básica de alimentos, com 40,9%, foi analisada considerando os cortes chã de dentro e chã de fora, mostrando um impacto significativo na composição do custo mensal da cesta.

Mediante ao preço, o economista reforça que o comportamento do preço da carne tem grande influência no custo geral da alimentação.

— Quando a carne bovina apresenta queda, o impacto no total da cesta é imediato, justamente pelo peso que ela carrega na composição — avalia Maia.

Para os consumidores, o momento foi visto com satisfação. A aposentada Amélia Mendes contou que conseguiu comprar mais carne no último mês.

— Fazia tempo que eu não comprava este tipo de corte. Aproveitei para variar os pratos em casa e ainda economizar um pouco — afirmou.

 Altas e quedas

A pesquisa também identificou aumentos nos preços de alguns itens da cesta básica, como o feijão, que subiu 4,61%, e o tomate, com alta de 4,51%.

— Em contrapartida, observou-se redução no preço da batata (-16,71%), do leite (-6,31%) e do arroz (-5,76%)  —  acrescenta o pesquisador, evidenciando variações significativas que influenciam diretamente o custo total da cesta e o orçamento das famílias de Divinópolis.

Consumidores

Os dados da pesquisa sobre a variação nos preços da cesta básica na cidade têm chamado a atenção tanto de consumidores quanto de comerciantes. Para muitos, as oscilações nos preços refletem diretamente no bolso.

— Percebi que o feijão e o tomate ficaram mais caros no último mês. A gente precisa planejar melhor as compras, senão o orçamento não fecha — comentou a dona de casa Izamara Silva, que acompanha de perto os preços do supermercado próximo de sua casa.

Já o gerente de um supermercado da cidade, Sérgio Antônio de Oliveira, destacou o impacto das altas e quedas nos produtos.

— O aumento do feijão e do tomate realmente pesa para os clientes, mas a queda na batata, no leite e no arroz ajuda a equilibrar o carrinho. É um desafio para a gente também, porque precisamos ajustar os preços conforme a oferta e a demanda, sem comprometer o abastecimento — explicou.

— As opiniões refletem a realidade do mercado local, em que pequenas variações nos preços de alimentos básicos podem influenciar significativamente o planejamento financeiro das famílias — pontua Maia.

Setor alimentícios

Os recentes aumentos nos preços do feijão e do tomate, observados na pesquisa de agosto, têm gerado reflexos diretos no setor alimentício da cidade, afetando tanto restaurantes quanto comerciantes de marmitex.

Para Ana Paula, proprietária de um restaurante no Centro da cidade, o aumento de itens essenciais como feijão e tomate pesam no custo do cardápio.

—  Eles são usados diariamente em nossas refeições. Quando o preço sobe, precisamos repensar o preparo e, às vezes, até ajustar o valor das porções, sem comprometer a qualidade — comentou. 

Pesquisa

A pesquisa foi realizada entre os dias 20 e 27 de agosto de 2025, com levantamento de preços em sete supermercados de Divinópolis, todos com estrutura completa de açougue, padaria e hortifruti. O estudo analisou a Cesta Básica de Alimentos, composta por 13 produtos essenciais. A cesta foi planejada com quantidades balanceadas de todos os nutrientes necessários à manutenção da saúde, oferecendo uma referência prática para avaliar o custo da alimentação básica na cidade.

Salário mínimo

Considerando o salário mínimo líquido de agosto, com desconto de 7,5% para a Previdência Social, um trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em média, 45,1% de sua renda para a compra da cesta básica em Divinópolis. No mês anterior, esse percentual havia sido de 47,2%, indicando uma leve redução na proporção da renda dedicada à alimentação.

Segundo a determinação constitucional, o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e de sua família. Com base nessa premissa, estima-se que, no mês passado, o valor necessário para manter uma família de quatro pessoas seria de R$ 5.319,93, ou aproximadamente 3,5 vezes o salário mínimo de R$ 1.518,00. Em julho, esse valor estimado era um pouco mais alto, chegando a R$ 5.557,43, refletindo o impacto das variações mensais nos preços dos alimentos.

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