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Economia

Saldo no emprego em Divinópolis é baixo, mas positivo após 2 meses

Saldo no emprego em Divinópolis é baixo, mas positivo após 2 meses

Jorge Guimarães 

Após dois meses seguidos de resultados negativos, o mercado de trabalho em Divinópolis apresentou um pequeno alívio em julho. Segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), foram registradas 3.203 admissões contra 3.202 desligamentos, resultando em um saldo de apenas uma vaga positiva.

Mercado

Nos meses anteriores, a cidade acumulou perdas: -26 vagas em maio e -207 em junho, refletindo a dificuldade do mercado em sustentar contratações. O saldo praticamente nulo de julho, embora positivo, indica que a economia local ainda enfrenta desafios para retomar um ritmo mais consistente de geração de empregos.

Especialistas destacam que o comportamento do mercado de trabalho em Divinópolis tende a variar conforme a sazonalidade, especialmente nos setores de comércio e serviços, que podem apresentar crescimento em períodos de maior movimento no calendário econômico

O economista Lazaro Ribeiro avaliou os dados e, segundo ele, o resultado deve ser visto com cautela.

— Ainda que tecnicamente o número seja positivo, o saldo é praticamente nulo. Isso mostra que o mercado de trabalho na cidade segue em compasso de estagnação, sem capacidade de gerar empregos em escala significativa — destacou.

Para Ribeiro, a variação reflete a conjuntura nacional e regional, marcada por instabilidade econômica e cautela das empresas.

— O pequeno saldo positivo pode indicar um freio momentâneo na perda de postos de trabalho, mas não necessariamente uma retomada sólida. Para que se configure uma tendência de crescimento, precisamos observar os próximos meses, especialmente setores como comércio e serviços, que historicamente puxam as contratações em períodos sazonais — explicou.

Lazaro reforçou ainda a necessidade de políticas públicas e incentivos ao setor produtivo local.

— O mercado sozinho tem dificuldade de sustentar a geração de empregos. É preciso fomentar investimentos, melhorar o ambiente de negócios e criar condições para que o empresariado tenha confiança em expandir suas atividades — pontuou.

Segmentos

Dentre os segmentos analisados pelo Caged, em julho, o setor de prestação de serviços se destacou positivamente, somando 67 novas vagas. Logo atrás veio a indústria, com 49 postos de trabalho abertos, e o agronegócio, que também contribuiu, ainda que de forma tímida, com uma vaga positiva.

Por outro lado, os resultados negativos vieram principalmente do comércio, que puxou o saldo geral para baixo ao registrar a perda de 100 empregos formais. A construção civil também apresentou retração, fechando o mês com 18 vagas a menos.

Para o economista, os números mostram um mercado de trabalho que segue em compasso de oscilação.

— O setor de serviços aparece como motor do mês, refletindo a demanda crescente por atividades ligadas ao cotidiano urbano, mas o comércio, que é tradicionalmente um dos pilares da economia local, ainda sofre os impactos da baixa confiança do consumidor e da desaceleração no consumo — destacou.

Ele ressalta que a indústria mostra sinais de recuperação gradual e que a contribuição, ainda que pequena, do agronegócio, também é um ponto a ser considerado.

— O saldo final é praticamente nulo porque os setores que perderam empregos anularam os ganhos de outros. Isso reforça a necessidade de políticas de estímulo específicas, para equilibrar a dinâmica entre os segmentos e permitir que a cidade volte a apresentar saldos mais robustos nos próximos meses — concluiu.

Vagas 

Mesmo com o baixo desempenho,  muitas vagas ficam disponíveis na cidade todos os dias. Como ontem no Sistema Nacional de Empregos (Sine), unidade de Divinópolis, que fica na rua Goiás 206, que disponibilizava um total de 175 oportunidades.  O destaque eram as 10 oportunidade para auxiliar de linha de produção, servente de obras e trabalhador polivalente na confecção de calçados. As demais foram distribuídas entre vigilante, vendedor interno, recuperador de crédito, entre outras.

Centro – Oeste 

A região Centro-Oeste mineira segue apresentando desempenho positivo, conforme mostram os dados do Caged referentes ao mês de julho. Os destaques foram os municípios de Pará de Minas e Nova Serrana, que juntos contribuíram de forma significativa para o saldo regional.

Em Pará de Minas, foram criadas 160 novas vagas, impulsionadas principalmente pela indústria, responsável por 117 contratações, e pelo comércio, que adicionou 64 vagas ao mercado local.

Já em Nova Serrana, o comércio liderou o desempenho, abrindo 62 postos de trabalho. No entanto, o setor mais tradicional da economia local, a indústria calçadista, encerrou o período com a perda de 34 vagas, reduzindo o impacto positivo. Ainda assim, o município fechou julho com 100 novas vagas no saldo final.

— Os resultados reforçam a importância da diversificação econômica na região, em que diferentes setores contribuem de forma complementar para sustentar a geração de empregos — avalia o economista.

Itaúna

O cenário do mercado de trabalho na região só apresenta sinais de preocupação, para a cidade de Itaúna, que pelo quarto mês consecutivo fechou no vermelho. Desde fevereiro, o município enfrenta uma retração acentuada no setor da construção civil, com um déficit crescente de vagas: em março foram -380, abril -98, maio -170, junho -182 e, agora em julho, o setor registrou 563 vagas encerradas.

O comércio foi o único segmento positivo, com 17 novas vagas, mas não conseguiu compensar as perdas. No total, Itaúna contabilizou 1.313 contratações contra 2.065 desligamentos, resultando em um saldo negativo de 752 empregos formais.

Lazaro Ribeiro aponta que a situação reflete a dificuldade do setor de construção em se recuperar diante da instabilidade econômica e da redução de investimentos. 

— A cidade enfrenta, portanto, um momento delicado no mercado de trabalho, em contraste com outros municípios da região que apresentam saldos positivos — opina Ribeiro. 

Minas Gerais

Em Minas Gerais, os números do mercado de trabalho seguem positivos por mais um mês. De acordo com os dados mais recentes, foram registradas 242.337 contratações contra 238.840 desligamentos, resultando em um saldo de 3.497 novos postos de trabalho com carteira assinada.

Entre os segmentos que mais contribuíram para esse desempenho, o comércio lidera com a geração de 1.863 vagas, refletindo o dinamismo das vendas e a movimentação do setor. Em seguida, aparece a construção civil, responsável por 1.072 novos empregos, acompanhada pela indústria, que abriu 947 oportunidades, e pelos serviços, com saldo positivo de 529 vagas.

Por outro lado, o agronegócio foi o único setor a registrar retração no período, com o fechamento de 911 postos formais, demonstrando os efeitos de fatores sazonais e conjunturais que impactaram diretamente o segmento.

— O saldo geral confirma a tendência de recuperação e crescimento do emprego em Minas Gerais, com destaque para os setores urbanos, que mantêm a geração de oportunidades e fortalecem a economia estadual — aponta Ribeiro. 

Brasil

No cenário nacional, os números do mercado de trabalho também foram positivos. De acordo com os dados, o país registrou 2.251.440 admissões e 2.121.665 desligamentos, o que resultou em um saldo de 129.775 novos postos de trabalho com carteira assinada.

Os destaques ficaram por conta do setor de prestação de serviços, que liderou a geração de empregos com 50.159 vagas, seguido pelo comércio, responsável por 27.325 novas oportunidades. 

— O saldo positivo confirma a capacidade do Brasil de manter a expansão do emprego formal, mesmo diante de desafios econômicos, reforçando a importância dos setores de serviços e comércio como pilares na sustentação da geração de oportunidades no país — finaliza o economista.

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